quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Pauta de Hoje: O dia 11 de setembro de 2001

 

SETEMBRO, 11

Se você tem mais de 35, 40 anos deve-se lembrar bem da manhã do dia 11 de setembro de 2001. Eu me lembro bem. Era mais um dia comum na minha vida e como de costume acordei por volta das sete e quarenta e cinco para trabalhar. Levava em média trinta a quarenta minutos para sair de casa. Pois assim, o fiz. Saí do banho e passei um café. Para degustar e digerir liguei a TV. Nesse instante, o tempo congelou... Imagens de "Nova York em chamas!" Um avião tinha acertado uma das torres gêmeas matando centenas pessoas. Ainda não se sabia das intenções e como havia acontecido. Fiquei em choque. Como eu não tinha um celular decente (e quase ninguém o tinha) e tampouco internet móvel fiquei relutando em sair. Queria acompanhar os fatos. Poucos minutos depois um avião bateu nas torres. Pelo espanto e horror do repórter entendi que era "ao vivo" (!!!!). Não era replay! Trocando em miúdos: assisti ao segundo ataque ao vivo! Transmissão para o mundo em tempo real. Aquilo tudo me espantou, claro. 

Bom... Resumindo: me arrumei e fui trabalhar. Lá eu não tinha como acompanhar. No almoço fui buscar mais informações. Quando o dia terminou tudo começou a ser explicado. Li e reli matérias acerca de tudo. Foi uma loucura. Quem não viu ou não se lembra não tem noção do que foi. Foram dias e dias a fio contando, comentando, analisando, revendo, estudando tudo que aconteceu naquele dia. Repito: era 11 de setembro. Por volta as oito e vinte da manhã. 



Naquela manhã faleceram quase três mil pessoas no total. Sequestradores (terroristas), tripulantes e as pessoas que foram atingidas em Nova York. Acrescente mais dois aviões que também foram dominados pelos membros da Al Qaeda e caíram no Pentágono e Pensilvânia. Um ataque aos EUA bem explícito. Mas, esse texto não estaria completo se eu não falasse (ou escrevesse) que tudo isso começou anos, décadas antes. E, de maneira alguma estou justificando terrorismo, porém toda história tem começo, meio e fim. Nada começou no dia 11. O autor intelectual do atentado (chamaram assim no dia) foi Bin Laden, ex aliado do próprio EUA anos antes em guerras locais no Oriente. Explicar aqui como os fatos começaram a ocorrer quarenta anos antes tomaria muito tempo do leitor e exigiria paciência também. A quem possa interessar está tudo nos livros, registros históricos, conteúdos técnicos e específicos, etc. E, posso afirmar aqui que não existem mocinhos nessa disputa. Nunca houve. Os mocinhos, de verdade, são os civis dos países envolvidos e que foram assassinados de maneira fria e cruel em décadas de invasões, conflitos, guerras e esquemas bélicos. Quem tiver curiosidade assista ao filme "O Senhor das Armas" com Nicolas Cage. Ali tem um pouquinho do que se fez e faz desde a primeira guerra mundial. Países desenvolvidos e outros quase nada desenvolvidos. 

Naquele dia passei o telefone e liguei para minha prima que morava em New Jersei, mas trabalhava perto das torres. Foi muito difícil falar com ela. Lembrando de novo: estamos em 2001. Não tinha whatsapp, rede social direito nem dados móveis de internet no celular. Tive que fazer por telefone mesmo. Minha prima estava paralisada de medo, mas bem de saúde. Imagino que a população estadunidense deva ter ficado traumatizada a partir daquele dia. Tanto que inúmeros protocolos novos foram criados a partir desse dia. Tanto na aviação como na vida em si do país. Muitos mesmo. No local, hoje em dia, uma torre principal foi construída no novo WTC (World Trade Center) e ali foi conhecido como "marco zero". 

Quero esclarecer aqui que esse não é um texto jornalístico. É apenas um texto narrativo sobre o que vi e vivi naquele dia. Toda pessoa tem a sua visão sobre esse dia e como passaram as horas e semanas depois. A biblioteca é mental mesmo. Vale ressaltar aqui que quatro dias antes o Brasil celebrou o dia 7 de setembro, certo? Data de sua independência. Feriado nacional. E caiu justamente numa sexta-feira. Um fim de semana emendado, prolongado. Muita gente voltava de viagem. O ataque ocorreu, como vocês já fizeram as contas, numa terça-feira. É engraçado essa sensação. Far-se-ão vinte anos redondos e sempre me lembrarei que era começo de semana. A sensação de que havia tantos dias para descansar ainda permanece em mim...rsrs. Memória seletiva mesmo. 

Contudo, posso garantir que esse é um dos eventos mais relevantes do começo do século e milênio. Acreditem. O ano era 2001 e muitos poucos eventos dessa relevância ocorreram depois. Talvez a pandemia, sim. Mas, é um assunto de outra natureza. Não vou desenvolver aqui nesse instante. Mas, confiem... Eu tive o arrepio no dia ao perceber que aquele não era um dia ou evento qualquer. Era história acontecendo diante da tela, diante dos meus olhos. Plena certeza e sensação. Pelo menos para quem mora desse lado do Ocidente. O que os habitantes do Oriente viram e viveram antes e depois não posso mensurar nem citar, porém devem ter dias como esses mais constantes. Isso é terrível também. 




CLIC.

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Pauta de Hoje: A Série THEM

 

THEM



Como vocês bem observaram no título do post esse falará a respeito da série THEM. Antes de que algum desavisado esbarre no blog e tenha a falsa impressão de que me refiro a banda (homônima) de Van Morrison. Rsrsrs... Não. Longe disso.  Eu coloquei em "caps lock" por dois motivos: o primeiro é justamente para dar maior destaque (fato que  é função primordial do caps...) e em segundo para aproveitar o espaço pequeno do nome mediante ao texto. Entendeu? Não? Bom... De qualquer modo isso não fará a menor diferença no conteúdo para quem lê. 

Outra coisa: deixarei bem claro que não darei nenhum spoiler aqui. Fique "relax" quanto a isso. Quero deixar o texto atemporal e degustativo a qualquer pessoa. Então todos poderão ler e seguir para ver ou ver antes e conferir algumas ideias aqui. 

THEM vem causando muita comoção nos EUA e, espero que assim seja no Brasil também. Tratando-se de um show que expõe o horror do racismo estadunidense misturando religião e metafísica os produtores conseguiram um resultado auspicioso: mexer e provocar o telespectador. Impossível assistir e ficar imóvel a tela. Pior: é capaz de traumatizar os mais desavisados. Mas, vamos destrinchar um pouco mais do show novo da Amazon Prime (estreou dia 9 de abril de 2021)...

Tudo se inicia na década de 50 em meio a política racista e cruel de Jim Crow no Sul dos Estados Unidos. Uma família de classe média negra resolve tentar a sorte grande na Califórnia dentro de um bairro extremamente preconceituoso e elitista. São futuros vizinhos que bem poderiam estar ou ser membros da KKK. Partindo desse tremendo desafio, a família formada por quatro membros, precisa passar por obstáculos hercúleos e cruéis (a série garante náuseas e profunda tristeza) diante de uma sociedade caricata e hipócrita. 

Bem... Se fosse somente esses "players" (por falta de melhor verbete, desculpem-me) e conjunturas a série seria mais uma. Porém, o sobrenatural é adicionado e permeia o roteiro até o fim. E, esse é um dos truques de THEM. São duas linhas concomitantes e igualmente sofríveis que os nossos heróis (e vocês verão porque escolhi essa palavra) têm que enfrentar. Cada um à sua maneira. Cada qual com seus infernos particulares e obscuros. Cada qual tentando esconder e ao mesmo tempo ajudar os outros. Esse é outro ponto forte do show. Quem curtir personagens densos e com background espesso irá se fartar. 

Do meio pro final, se você conseguir chegar incólume (o que eu duvido), estarás sedento e contaminado por um misto de desejos e sentimentos. Guarde-os e assista até o fim. A série sustenta tudo e todos até os minutos finais. Sugiro que separe tempo e mente para segurar o rojão. Aliás, falando nisso... Alguns atores consultaram um terapeuta que havia no set o tempo todo. É disso que estamos falando aqui. 

Dou destaque também a trilha sonora. Envolvente, cativante, outras vezes angustiante e tensa. Há cenas memoráveis que funcionam perfeitamente com a trilha. Outro bom ponto de THEM. Procurem alguns "tunes" presentes no show. Vale a pena. Como valem também outros truques e referências históricas. Tais como o golpe habitacional que os barões da indústria aplicaram em todos de renda baixa como o sistema financeiro cruel a juros impagáveis. 

ELENCO - Uma série assim precisa de um grande elenco. O núcleo da família é muito bom. Assim como alguns outros protagonistas. Destacaria aqui a mãe e o pai (Deborah Ayorinde e Ashley Thomas) respectivamente, Alison Pill (impenetrável e assustadora - foto), Dale Dickey (quase um espantalho) e Christopher Heyerdahl como um homem perturbador e enigmático. 


Gostou? Pois é. Eu nem estava preparado para tal e mergulhei. Acho que os países do continente americano necessitam debater e discutir mais e mais sobre racismo e exclusão. E, essa conversa não pode ser sutil nem leve. Não foi na época e segue não sendo até hoje. Não é? 

Reserve um tempo e mãos à tela! 

Clic.

domingo, 24 de janeiro de 2021

Pauta de hoje: A velha pergunta sobre o "Rock"

 

Pauta de hoje: A velha pergunta sobre o "Rock"

Sim... Apesar de eu não ter muito saco por essas questões fui consultado acerca desse assunto. E, como bom intruso não refutei em opinar. O jornalista Humberto Finatti escreveu na Dynamite, em seu blog, Zap'n Roll, a esse respeito. Discordamos respeitosamente, claro. Aqui estão as minhas e outras opiniões em seu espaço. 

http://dynamite.com.br/blogs/zap-n-roll/ (link da Zapnroll)

Para quem quiser ler na íntegra o que eu escrevi deixo abaixo um pouco do que falei (escrevi) sobre essa e outras premissas.

"... Desde de Sister Rosetta, Bill Haley & His Comets a Buddy Holly, Elvis Presley, Carl Perkins, etc passando pela invasão britânica (Beatles e Stones) nos Estados Unidos essa é uma das perguntas que mais faz-se no decorrer das décadas: o rock morreu? Por muito tempo eu sempre respondi que sim. Seja pelo baixo consumo do mesmo pelo público (vendas dos álbuns, audiência nas rádios tradicionais, interesse e afins) como pela singela presença das bandas na televisão, internet, jornais, blogs, especiais, eventos, etc. Fato.

A presença do dito rock no início dos anos 80 (Gang 90 e Blitz) e na década de 90 (surgimento do grunge e neo metal) era imensa. Nunca vendeu-se tanto. Tudo apoiado, sobretudo, pela criação da MTV brasileira. A emissora alavancou tanto bandas já consagradas como as novas que estavam na bica pra estourar. Houve um sucesso de público e crítica nessa época. Quem duvida é só buscar a história da emissora e dos artistas a partir desse período até o começo do novo milênio. Está tudo lá. Chegando ao fim do século (e milênio) tivemos o advento da internet e tudo mudou. Abriram a caixa de pandora do acesso mundial e tudo passou a estar a “um clique” de nós. Se por um lado novos artistas passaram a ter facilidade em aparecer, divulgar e vender suas obras por outro lado as mídias (Tv, internet, etc) focaram em outros gêneros musicais. O rock não era mais tão querido e ouvido assim...


Mesmo assim, na entrada do milênio vieram Strokes, Interpol, Franz Ferdinand, White Stripes,The Rakes, The Libertines, The Walkmen, The Hives, Killers, Keane, Savage, Muse, Elefant, The Kooks e por aí vai. Foi um hype ali entre os anos de 2001 a 2005. Clipes ainda rolavam na MTV e nas festinhas no RJ, SP, BH sobretudo. Muitas dessas vieram ao Brasil em eventos como RIR, Planeta Terra, Coachella, Lollapalooza, Hollywood Rock. Lá fora ainda estavam em Reading, Leeds, Glastonbury, etc.

Aqui no Brasil o sertanejo, pagode, samba, axé e o pop foram os escolhidos pela grande massa. Talvez pela forma como eram feitos e pela simplicidade das melodias – arrisco eu. O rock ficou realocado por quem trabalhava profissionalmente (DJs, jornalistas, músicos e críticos) e perdeu consumo e espaço no “mainstream”. Passou a pertencer a nichos específicos como o jazz e o blues já estavam também.

Então por que que é que mudei minha opinião? Algo mudou? O rock ressurgiu? A resposta sempre esteve bem debaixo dos nossos narizes (rsrsrs): o rock voltou ao que era ali no começo dos anos 50. Ou seja: transgressor, sexy, maldito e autêntico. Em outras palavras: ele saiu do “mainstream” e voltou a tenra casa. O acesso segue fácil (para quem tem interesse e gosto) a quem, de fato, quer ouvir. Entretanto não está mais nas rádios comerciais, programas de TV e festinhas de “hype”. O que não é nenhum demérito.

Eu, que trabalho em festas e rádio, sigo ouvindo rock no talo. Ouço amplamente outros gêneros e subgêneros (esses flertam quase sempre com o rock) também, porém as listas de álbuns (se é que chamam assim ainda) de melhores ainda têm inúmeros artistas do gênero. Podem confiar. Deixarei o link do meu blog ao fim do texto e lá vocês podem conferir a minha lista de 50 melhores álbuns de 2020 e contabilizar quantos artistas seguem fazendo boa música (e bom rock). Podem conferir também outras listas de revistas e jornalistas que seguem a mesma toada.

Mas, para não ficarmos somente na teoria gostaria de citar alguns bons exemplos de bandas/artistas que gravaram álbuns ótimos e que estão na estrada nem tanto tempo assim. De dez, cinco anos pra cá tivemos nomes como: Soft Cheese, Porridge Radio, Shame, Fontaines D.C., Idles, Molchat Doma, Circa Waves, Oneohtrix Point Never, King Gizzard, Crocodiles, Khruangbin, Pregoblin, Real State, Cloud Nothing, Algiers, Moons, Wild Pink, Connan Mockasin, Mild Orange, Ought, Melody’s Echo Chambers, Tape Waves, Viagra Boys, White Lies, Still Corners, The Rezzilos, The Orielles, Eels, Elbow, Protomartyr, Dream Wife, Elephant Stone, French Vanila, etc...

E o rock NACIONAL? Hmmm... Também estamos bem representados por bandas (e artistas) como Taco de Golfe, Estranhos Românticos, Latexx, Violet Soda, Terno Rei, Blind Horse, Black Pantera, Stolen Byrds, Beach Combers, Far From Alaska, Baleia, Vivendo do Ócio, Zimbra, Vespas Mandarinas, Herzegovina, My Magical Glowing Lews, Blastfemme, Elétrico Vesúvio, The Drowned Men, ABC, The Baggios, Katina Surf, etc... Tudo que rolou por aí. Festivais (antes da pandemia), web rádios e plataformas como bandcamp e spotify, Deezers e tal.

Digo mais: aconselho os amigos escutar as boas web rádios (eu estou na Internova Web ((ink abaixo)) e lá temos uma curadoria fantástica de bons sons desde a década de 40). Lá na nossa rádio temos dois programas dedicadas aos sons brasileiros também.

Existe uma plataforma chamada “Rockarioca” (link abaixo) especializada em bandas novas brazucas. Ela está no Spotify. Só buscar.

Na minha modesta opinião, o rock não precisa estar no “mainstream” e em programas populares para seguir relevante. Assim foi na década de 50 e 60. E, nem por isso deixou de ter importância e conquistar a moçada..."

https://linktr.ee/rockarioca?fbclid=IwAR3HF7fHjRVDtouq42ita5PpQHa1soRiS-4APZ2RZ0Xodvx5DPrPkDFhnYg (Rockarioca)

http://chehebe.blogspot.com/ (Link direto pra lista dos Melhores)

https://internovaradio.com.br/ (Internova Radio Web)


Clic.

sábado, 19 de dezembro de 2020

Pauta de Hoje: Melhores 2020 - Parte 2

 

Estava faltando a segunda parte dessa seleção dos melhores álbuns do ano de 2020. Bom... Se estava não está mais! Rsrs... Hoje é o dia de completar esse rol. Os vinte e cinco restantes da lista dos CINQUENTA melhores do ano. 

Contudo, um álbum surgiu DEPOIS que essa já estava pronta. Pois é. Sir. Paul McCartney lançou seu mais novo trabalho nessa sexta-feira (dia 18 de dezembro). A obra intitulada "McCartney III" é um encerramento de uma trilogia iniciada nos anos 70. Paul lançou em 1970 o disco "McCartney I" e depois o "McCartney II" em 1980. E, nesse entremeio eu acabei degustando o novo trabalho do músico. Gostei bastante. Álbum muito redondo, criativo, heterogêneo e com canções robustas. Bela tacada do inglês. Paul fez todos os arranjos, além da produção inteira. Por isso incluo de maneira extraordinária o álbum também. Considerem esse como mais um que estaria na lista, ok? Recomendo!


MELHORES 2020 - PARTE II

Nome do álbum / Artista

“Shall We Go On Sinning So That Grace May Increase” – The Soft Pink Truth

“Every Bad” – Porridge Radio

“Heavy Lights” – US Girls

“Punisher” – Phoebe Bridgers

“Silent Places” – Houses Of Heaven

“Róisín Machine” – Róisín Murphy

“Everything Else Has Gone Wrong” – Bombay Bicycle Club

“The Unraveling” – Driver-by Truckers

“Im not a Dog on a Chain” – Morrissey

“Womb” – Purity Ring

“Women in Music Part III” – Haim

“The Black Hole Understands” – Cloud Nothings

“On Sunset” – Paul Weller

“The Waterfall II” – My Morning Jacket

“Beyond The Pale” – Jarv Is

“Telas” – Nicolas Jarr

“Even In Exile” – James Dean Bradfield

“Sugaregg” – Bully

“Songs For General Public” – The Lemon Twigs

“The Universal Want” – Doves

“Earth To Dora” – Eels

“Christmastide” – Tori Amos

“Ultramono” – Idles

“Ball Park Music” – Ball Park Music

“Energy’ – Disclosure


Peace.




quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Pauta de Hoje: Melhores - Parte 1 e Curiosidades sobre The Smiths (se é que alguém ainda liga)

 

MELHORES 2020 - Parte 1

Conforme mencionado nas redes separei 50 álbuns de muitos ritmos e selecionei os melhores desse ano. Dividi em duas partes. Hoje coloco os primeiros vinte e cinco na minha opinião.

Nome do álbum - Banda/Artista

“Protean Threat” – Osees

“By The Fire” – Thurston Moore

“A Hero’s Death” – Fontaines D.C.

“Making a New World” – Field Music

“Honeymoon” – Beach Bunny

“Suddenly” – Caribou

“Mordechai” – Khruangbin

“The Main Thing” – Real Estate

“I Love The New Sky” – Tim Burgees

“Ultimate Sucess Today” – Protomartyr

“As Long As U Are” – Future Islands

“Monument” – Molchat Doma

“Heaven a Tortured Mind” – Yves Tumor

“Magic Oneohtrix Point Never” – Oneohtrix Point Never

“Fetch The Bolt Cutters” – Fiona Apple

“Maze Of Sounds” – Janko Nilovic & The Soul Surfers

“K.G.” – King Gizzard & The Lizard Wizard

“Ur Fun” – Of Montreal

“There Is No Year” – Algiers

“Sci-Fi Sky” – Lebanon Hanover

“Supervision” – La Roux

“Sad Happy” – Circa Waves

“Earth” – EOB

“All Visible Objects” – Moby

“A Steady Drip, Drip, Drip” – Sparks 


* Os primeiros 25 álbuns de 2020


Curiosidades sobre a banda The Smiths (se é que alguém ainda liga)

Pois é... Da última vez que eu escrevi aqui nesse nem havia pandemia. Março era o mês corrente. De lá pra cá muita água rolou e ninguém ficou incólume. Aiaiaiai... Aliás, devo salientar que 2020 será um ano jamais esquecido. Podem anotar. Juro! Anote em qualquer lugar. Entre 20 a 50 anos toda uma geração citará o nefasto e ímpar ano 2020. Certo quanto o ar que respiramos. Bom... Vou aproveitar que estamos (ainda) num blog e reiterar que ainda faço rádio (Internova Radio) e tenho uma festa chamada noramusique (virtual por razões óbvias). Porém, o motivo que traz-me aqui é outro. Quero falar um pouco da banda supra citada. Não porque a banda seja alguma predileta (apesar de eu admirá-la bastante) nem por ter alguma comemoração em vista. Não. É apenas porque ela saiu do" hype". Quase nenhum lugar sério fala da banda. E, não há razão, inclusive. Mas, eu gosto de tratar de sons justamente quando não há mais nenhuma histeria, luz ou razão para tal. Esse é o momento... 

Eu procuro sempre separar coisas e/ou dados que saiam do óbvio mesmo. Mais: eu sou do tempo (aiaiai...) das cartas. Sim, das cartas postais que mandava-se aqui do Brasil para a Inglaterra ou USA. Para os fãs-clubes gringos em busca de informações e conversas. Trocando em miúdos, separei aqui alguns fatos que julgo relevantes na obra deles. Vamos a eles...



1) As canções "Frankly, Mr. Shankly", "I Know It's Over" e "There Is a Light That Never Goes Out" foram compostas na mesma noite. As três foram dedilhadas por Marr em seu violão enquanto Morrissey (aqui eu peço licença em seguir chamando-o de Moz, ok?) escrevia numa mesa no café que eles frequentavam. O ano era 1985 e eles trabalhavam na época no que viria ser "The Queen Is Dead" (1986).

2) Adicionando "Lonely Planet Boy" (New York Dolls), "Will You Love Me Tomorrow" (The Shirelles) e "Hitch Hike" (Marvin Gaye - Versão. Rolling Stones) temos boa parte da canção "There Is a Light That Never Goes Out". Pois é... Já parou para destrinchar isso? Hmmm...

3) Da primeira cerveja entre Moz e Marr até o single "This Charming Man" (considerado o ponto zero pro hype) muita coisa rolou. Desde baixistas e bateristas entrando e saindo a recusas explícitas de gravadoras grandes. A EMI chegou a considerar um "vexame" certas canções. Até uma tape chegar nas mãos de Geoff Travis da Rough Trade e, finalmente eles poderem gravar um disco. Mesmo assim alguns produtores também não agradaram. Quem fez mesmo a cabeça da gravadora foi John Porter. 
Se os fãs ouvissem como as canções eram no começo ficariam em choque. Havia todo talento ali, mas o resultado era muito ruim. Um viva aos produtores!

4) Quando lançaram "Meat Is Murder"a banda já estava em alta. Rumando ao estrelato. Reza a lenda que Moz teria enfurecido-se com Marr, pois esse havia sido flagrado numa rede de lanchonete comendo carne. O álbum levantava a bandeira do vegetarianismo (não havia ainda o termo vegan) e o cantor era bem radical. Seria uma traição sem precedentes na dupla. Além disso, ele havia conversado com os integrantes sobre isso. Essa história nunca foi confirmada nem desmentida. Mas, que dá uma polêmica genial isso dá! Rsrs

5) Os fãs e os pesquisadores sabem bem disso, mas é sempre bom recordar que Moz teve uma banda chamada "The Nosebleeds" nos anos 70. Com uma inspiração e pegada punk. Nela estavam também Billy Duffy (do The Cult) e Vini Reilly (do Durutti Column). Uau! Bandaaaaça, hein? Billy incentivou Moz a cantar depois no The Smiths.

6) O guitarrista John Maher mudou seu nome para Johnny Marr para não ser confundido com o baterista do Buzzcocks logo no começo. 

7) Moz trabalhou como crítico musical antes de ingressar na música. Ele pertenceu a grandes semanários musicais mas sua breve profissão é considerada um desastre. Detonou a música eletrônica, os Ramones e outros signos emergentes ali na época. Mostrou-se um completo amargurado e dissonante crítico.

8) O cantor tornou-se vegetariano ainda menino, por voltas do dez anos. Prática que levou a ferro e fogo desde então. A partir daí foi para o veganismo e segue sendo duro crítico a indústria alimentícia, na qual chama de indústria do assassinato!

9) A banda considera "Strangeways, Here We Come" seu melhor trabalho. Eu tendo a concordar, apesar de entender e saber do impacto do "The Queen Is Dead". Quem sabe? 

10) O "The Smiths" é citado como uma das mais importantes bandas britânicas de todos os tempos. E, estando na peleja com Beatles, Stones, WHO, Zeppelin, Cream, Joy Division etc... Um som muito particular e belo apreciado por músicos e fãs. Eles fizeram um estrago na ilha entre os anos de 82 e 87. Arrebatando séquitos até hoje.


See u Soon!


sexta-feira, 20 de março de 2020

Pauta de Hoje: Miles Davis 1926 - 1991




MILES DAVIS 1926 - 1991





Essa história começa, provavelmente, na década de oitenta. Bem possível. Numa dessas reportagens na televisão (sim, nos anos oitenta a TV tinha uma força inigualável) e eu deparei-me com a figura assustadora de Miles Davis. Óculos coloridos, jaqueta sóbria, suor no rosto e um par de olhos ESBUGALHADOS (sim... O Caps Lock aqui faz-se extremamente necessário). Um louco varrido. Uma figura estranhíssima pra mim. Eu só tinha ficado assustado assim com a figura do Ney Matogrosso no final dos anos setenta. Mas, eram situações e pessoas distintas. Bem... Consumir Miles Davis demorou um pouco mais. Dificilmente uma família põe na mesa um jazz. Na minha época era MPB, trilhas italianas e francesas e alguns clássicos do rock sessentista. Porém, eu era rato de rádio. Peguei um pouco da "disco" e do "new wave" (até mesmo o "no wave") que chegava nas ondas das FMs. Preciso ressaltar que o meu grande amor foi o pós-punk e punk. Foram os propulsores de tudo que sucedeu-se após. Mas, essa é outra história. 

Eu já tinha ouvido falar em Charlie Parker, Duke Ellington, Dizzy Gillespie, John Coltrane, Chet Baker, Charles Mingus, Ron Carter, etc... Miles Davis era algo que sempre rodeava os lugares que eu trafegava. Fosse através de uma trilha sonora ou filme e até coleções de vinis de amigos (mais velhos do que eu) e de dois tios. Quando decidi render-me ao trompetista cool do jazz comecei pelo clássico imane: "Kind Of Blue" (1959). Ouvi e chapei numa tarde dos anos oitenta. Eu não tinha "background" musical para absorver tudo aquilo, porém o som pegou-me de um jeito fora do comum. Lembro-me de ouvir "So What" no início e o baixo de Paul Chambers era tudo que eu precisava ouvir. Era chapante! Era foda! Ao mesmo tempo que a minha mente girava e aguçava meus instintos e ideias. Miles Davis remetia-me a grandes filmes. grandes películas "noir"... Essas coisas... Em suma: fui iniciado ou como dizem os mineiros: aplicado em Miles...rs

Miles nasceu nos EUA em 1926. Numa cidade pequena em Illinois. Época perigosa financeiramente falando. Três anos antes da quebra da Bolsa. Contudo, a família de Davis era abastada. Muita gente não sabe disso. Miles sempre foi privilegiado economicamente. Estudou em boas escolas e teve acesso à música logo cedo. Tornar-se músico era esperado. Sua mãe era uma pianista exímia de blues. Mas, Miles preferiu o trompete. E assim foi aprendendo e evoluindo. Em 1944, conseguiu uma vaga na banda de Parker e Gillespie por sorte. Um músico havia adoecido e ele aproveitou. A partir daí o trompetista seguiu carreira. Revezes físicos eram comuns em sua carreira: teve um tumor em sua garganta. Isso deixou sua voz rouca e fraca. Até o fim de sua vida ele conviveria com esse incômodo. O pior é que as pessoas que estavam em seu entorno debochavam do som de sua voz. Outro evento doloroso em sua vida foi um acidente de carro ele sofreu. Era de madrugada e Miles estava transtornado de cocaína e álcool quando ele perdeu o controle do carro. Quase morreu. Davis ficou quase três meses em coma e isso rendeu uma dor no quadril incurável. Miles foi ficando mais amargo. Em uma biografia ele narra vários desses revezes e como isso afetou sua confiança e amargura em relação a vida e as pessoas. Nessa época o álcool, cigarro e drogas ilícitas já eram realidades em seu cotidiano. O músico tocava sem parar e usava quantidades grandes de opiáceos e afins para aliviar as dores. Importante dizer que os ensaios com ele eram puro improvisos. MESMO. Todos os músicos que o acompanharam diziam que não havia pauta ou prévia. Ele pedia que o músico tocasse e sentisse o ritmo. Gravou assim diversos álbuns e shows. No improviso. E, todos admiravam-no imensamente. Apesar de ter um gênio forte e bravo reuniu a nata do jazz em sua companhia. Basta dizer que tocaram com ele: John Coltrane, Ron Carter, Herbie Hancock, Wayne Shorter, Tony Williams, Paul Chambers e mais tarde Gil Evans... Só fera! Todos gravaram e excursionaram em sua banda. 



Mas, pra todo gênio há seu lado sombrio... E, o dele era muito sombrio. Por conta de uma educação careta e religiosa, Miles era machista e abusivo. Sua primeira mulher, Frances Taylor, apanhou mais de uma vez devido a ciúmes infundados de Miles. Ele não admitia a carreira da mulher. Frances era uma extraordinária bailarina e muito cobiçada por homens na época. Ele chegou a tirá-la de West Side Story. Frances estava escalada e começaria os ensaios. Miles não permitiu e obrigou-a a sair do show. A atriz segurou as pontas até não dar mais. Bette Davis foi outra mulher que envolveu-se com o músico. Ela mostrou a Miles os novos caminhos da música. Na década de sessenta (final) o jazz estava em baixa e Bette apontou os caminhos pra ele. Mexeu em seu figurino, apresentou músicos de rock em ascensão e fez a cabeça no som dele. Miles mudaria pra sempre o seu som. O que fez com que alguns músicos mais puristas reclamassem. E até separassem-se. Contudo, ele seguiu em frente. Entretanto, fracassou em mais uma relação. 
Concomitante, outros demônios insistiam em conviver com o trompetista: drogas. Miles ficava constantemente chapado de cocaína e heroína. E, isso aumentava sua paranoia em relação aos outros. Reclamava e dava esporros em parceiros, mulheres e empresários. Ninguém era de confiança para ele. Ou seja: era um ciclo. Drogas, paranoia, brigas, dores físicas, drogas de novo, paranoia maior, brigas, etc... Até ele cair. E ele caiu feio. Ficou sem tocar muito tempo. Perdeu embocadura, ritmo, dinheiro e tudo mais.

Vale destacar que Miles não foi um virtuoso musical. Haviam gênios no jazz que eram verdadeiros "Mozarts" do improviso. Só que poucos eram COOLS como Miles. Ele tocava de forma singular... Melancolia na medida certa, dramático sem ser piegas, visceral como poucos. Virou quase um pop star. Começou a andar com John Lennon, Hendrix, Sly Stone, Clapton. O físico do músico era algo marcante. Quando não estava tocando ele estava boxeando. Miles praticava boxe nas horas vagas. Queria deixar o corpo em movimento. E achava que o boxe tinha a mesma "vibe" do jazz. Ritmo e improviso. 
Ao contrário de seus contemporâneos ele nunca negou o futuro. Jamais reclamou em seguir em frente. Desde que ele pudesse botar seu trompete e tocar. Misturou-se com Quincy Jones (de quem tinha ciúmes...rs), Santana (um verdadeiro fã dele), Sly Stone e Prince. Reza a lenda que foi Sly Stone quem disse a ele que ganhava muito dinheiro tocando uma hora, uma hora e meia pra brancos em shows de rock. Miles pirou!!!! 
Passou a fazê-lo. Frequentou festivais hippies clássicos nos anos setenta e oitenta. Foi pra Televisão fazer Montreaux e participar de programas de talk-show e entretenimento. Daí por diante entrou no mainstream até se aposentar. Gravou muitos discos e conseguiu reaver seu dinheiro. Até morrer em 1991 depois de um AVC e uma parada cardio-respiratória. Falecia a lenda COOL do jazz. 

Se fosse para indicar aqui discos fundamentais deixaria aqui sem ordem: "Kind of Blue" (1959), "Miles Ahead" (1957), "Quiet Nights" com Gil Evans (1963), "Bitches Brew" (1970) com um capa (abaixo) absolutamente genial! 


O músico ganhou OITO Grammy Awars, condecorado na França com a Legião de Honra, estrela na calçada da fama, Hall of Fame e Walk Of Fame em St Louis. Sem contar estátuas suas em inúmeros lugares (uma improvável na Polônia) e uma platina quádrupla pela RIAA por seu "Kind Of Blue". Yeah!


CLIC.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Paris, França - Século XVIII


Paris, França

Calma... Apesar do pretensioso título não irei esmiuçar nesse espaço a Revolução Francesa e tampouco os dias correntes na terra de Napoleão. Não. Isso você encontra nos livros (bons) de história e nos bate-papos com professores da matéria. Deixo a pista (dica) com os mais espertos... Mas, é inegável a contribuição e exemplo que a revolução (nesse instante abdico de colocar em maiúsculo por preguiça mesmo... Feito?) dos europeus citados segue dando-nos. Basta lembrar o cenário à época, a miséria da população (massa trabalhadora), a revolta burguesa (essa consciente que o estopim estava perto) com os desmandos da realeza e o anacronismo do clero. Rsrsrs... Perceberam as sutilezas aos dias de hoje? Pois é. Porém, isso aconteceu no século XVIII, num país europeu e já com certa idade no mundo. O que muitos ainda não sabem é que mais da metade nem SABIA ler. Todos analfabetos. Contudo, tinham senso crítico e sabiam reconhecer injustiças. Sabiam que a miséria era cruel e que algo estava errado fazia muito tempo. Mesmo assim precisaram da burguesia para estourar. E estouraram! Foi um dos maiores massacres que o planeta vivenciou. Morreram milhares (eu ousaria dizer que podemos esbarrar no milhão) de pessoas assassinadas. Isso é uma revolução! Dessa luta saíram termos e nomes que até hoje repetimos como: "girondinos e jacobinos", "Guilhotina", "Bastilha", "Iluminismo", "Comuna de paris", Direitos humanos" etc... Os personagens tb: Robespierre, Danton, Marat, Luis XVI, Maria Antonieta... Todos vitimados na mesma revolução. Enfim... O que eu quero dizer com tudo isso, né? Na verdade é mais um exercício do que uma certeza. Uma ideia em evolução mesmo. A saber...


Nesse tempo reinava o absolutismo e feudalismo. Caminhamos a seguir em passos largos para a Revolução Industrial e depois aos sistemas: comunismo, socialismo e capitalismo. Sendo bem reducionista (no sentido pleno de sintetizar), de fato. Indo em direção (ao menos achava-se) sempre em nome do futuro, tecnologia, avanços e realizações não é mesmo? Pois é aí que faço o meu recorte particular. Dentro da entrada do século XX houve experimentos, avanços e novidades que mudaram em definitivo o mundo. Vieram telefone, rádio, transmissões, guerras, armas, crimes de laboratório (vírus e radioatividade), etc... Até chegarmos às comunicações e internet. Agora; se passarmos a peneira, de fato, na Humanidade (assim mesmo com "H" maiúsculo) talvez veríamos que dentro de nós sempre existiu (e eu não sei mensurar quando nem como) um clima de desconfiança. Desconfiança de tudo e de todos. E é por esse caminho que gostaria de trafegar. Porque por mais que discutamos comunismo e socialismo ou uma nova política social precisamos entender o nosso processo individual. Ademais o processo coletivo. Face ao capitalismo sempre estivemos com a faca nos dentes. Sem alívio. Isso parece-me jamais fechar. O que é terrível. Tenebroso eu diria. Pense comigo: se vivemos sempre nessa disputa, nesse acirramento, disputando corpo a corpo nosso prato de comida quando iremos curtir ou desfrutar nossa vida? Porque quem desfruta sempre está à desconfiança do próximo. Ou não? É muito comum escutar reclamações de executivos, pessoas que trabalham demais, empresários etc... A reclamação vem em combo: dinheiro, cansaço, memórias. Oras... Ou seja: estão vivendo uma vida de lamentações, consternações e automatização. Por desconfianças, disputas e/ou acirramento mataram Malcom X. Mataram Dr. King. Instalaram e conceberam uma agência como a CIA ou KGB. Inventaram um Bureau (olha aí mais uma herança da França), o FBI. Que mais agia como sombra do que qualquer outra coisa. E, isso pra ficarmos no Ocidente. Criaram uma ONU. O que é a ONU senão uma entidade para "resolver" (em aspas, sempre) conflitos internacionais com isenção. Eu lhes pergunto: vocês acreditam nisso? Jamais. Dali saíram as decisões mais covardes e convenientes para os grandes países. Enfim... Não tenho a intenção de transformar o texto numa peça de contestação. Eu já disse: são somente devaneios e pensamentos acerca do que tornamo-nos. 

Minha tristeza (e agora é um atestado, de fato) é perceber que vivemos num mundo que temos enormes feitos e conquistas, realizamos o que nenhum outro ser fez, avançamos de forma titânica em conhecimentos e "brinquedos" tecnológicos que impactaram profundamente em nossas vidas mas emperramos na tal felicidade, satisfação e desconfiança. Não conseguimos ter gozo pleno em nossas vidas. Eu não tenho e percebo que o povo em meu entorno também não tem. E, vem sempre cercado de desconfiança (essa palavra vai ecoar na sua cabeça por muito tempo) e insatisfação. Sempre. Até os Stones perceberam isso em sua famosa canção... Rsrsrs... Daí eu não sei se é algo filosófico e metafísico ou se há algo invisível intrínseco. Agora, por mais metafísico que seja é bem real em nosso corpo, mente, alma. Somos incapazes de sermos felizes e serenos de forma contínua. Não sei até hoje por qual razão. Alguns podem afirmar que a "ignorância é uma benção" e, talvez os ignorantes sejam felizes. Quem sabe? Mesmo assim até esses (ignorantes) são desconfiados. Entendem o dilema? Como viver numa sociedade sem desconfiança alguma? Ou com um nível bem, bem baixo... 
Talvez a vida jamais seja confiável. Jamais... Seja feita mesmo para viver, refletir e desconfiar sempre. Mas, que merda de herança, não?