quinta-feira, 11 de abril de 2024

Pauta de Hoje: O novo do Libertines e a série "Ripley"

 

Pauta de Hoje: O novo do Libertines e a série "Ripley"


ALL QUIET ON THE EASTERN ESPLANADE



Saiu o novo álbum (ainda existe isso?) dos Libertines. Tomarei a intimidade de não chamar a banda de "The Libertines", ok? Fica só Libertines. Pois é... Depois de um hiato de NOVE anos desde o último trabalho deles, o "Anthems for Doomed Youth" (2015) - Peter e cia. não davam o ar da graça. Aliás, sendo bem sincero, ninguém apostava nenhum tostão furado em qualquer volta (será que é?) ou trabalho novo dos caras. Decerto, que o álbum anterior teve até boa aceitação de crítica, mas não vendeu bem. Antes de entrar na seara desse vamos recapitular um pouco a história deles...

Os Libertines foram sucesso total estourando a bolha indie (ou alternativa) no começo do século XXI. Peter Doherty e Carl Barât, os fundadores e pilares da banda, apareceram com tudo na Europa por volta de 2000, 2001... A data de início deles marca em 1997, porém o registro mesmo ficou em "Up the Bracket" de 2002. E, ali mesmo Peter já estava completamente viciado em crack e heroína. Como o mundo do rock adora esse tipo de personagem ele rapidamente tornou-se famoso e adulado. Peter começou a circular com Kate Moss (modelo) e a aparecer nos tablódies ingleses como o mais novo casal "drug chic". Uma espécie de Sid & Nancy do novo século. Kate já era bem famosa. E, seu envolvimento com artistas adictos também não era novidade. Depois vocês pesquisem a biografia de Kate. Enfim... Peter entrou e saiu diversas vezes de "rehabs" por aí... Depois do segundo disco, o "The Libertines" de 2004, ele foi expulso por Carl já de saco cheio de tudo aquilo. E, logo em seguida a banda termina. O que viria a seguir seriam sucessões de notícias sobre brigas, voltas, projetos paralelos, etc... Até uma aposta para saber QUANDO o cantor morreria de overdose teve. Mas, não aconteceu. Quem faleceu mesmo foi Amy Winehouse (outra figurinha marcada pelo vício). Falando em projetos, Peter fundou o "Babyshambles" nessa época mesmo e alcançou mais uma vez o sucesso. "Fuck Forever" soou no Brasil como um hit enorme. Vieram ao Brasil, inclusive. Isso manteve Peter na ativa até 2013. Mesmo com notícias sobre Carl e volta dos Libertines pingando vez em quando. 

Em 2015 eles lançaram mais um trabalho (citado acima) numa tentativa de retorno dos Libertines. Peter saíra mais uma vez de um rehab (dessa vez bem sucedido) e estava disposto. Chegaram a participar de duas turnês conjuntas, contudo nada tão notória como antes. Até chegar ao álbum desse ano. Depois de acertos de contas e tudo mais, Peter e Carl entraram em estúdio e gravaram o excelente "All Quiet on The Eastern Esplanade". Lançado no começo de abril, o álbum flerta com o quê de melhor eles fizeram no passado. Canções bem trabalhadas, coesas, boas baladas e arranjos e sopros. Do começo ao fim tudo desce redondo (e reanima?! Um recibo de velhice agora... Rarara) e perfeito. Ouso dizer que há tempos não ouvia algo tão digno dos Libertines. Juro. Os caras capricharam e fizeram um trabalho certeiro. Quem for ouvir o álbum não pulará nenhuma faixa. Nada. Tudo é bacana e gostoso de ouvir. Mas, como eu respeito a audiência deixarei aqui as minhas faixas prediletas. Logo na abertura eles começam com "Run Run Run" (coisa fina e bem a cara do segundo disco deles de 2004), depois tem a lindíssima "Merry Old England" (lírica e cheia de sopros), "Mustangs" (algo dos Stones), "Oh Shit" (alguém falou em Sex Pistols?), "Baron's Claw" (melodia marcada e quase latina - um cabaré) e "Be Young" (post punk da melhor qualidade). Pode ir sem medo. As faixas citadas são ótimas e o álbum inteiro é muito bom! 


RIPLEY




Estreou semana passada no streaming a minissérie baseada no romance (novel) de Patricia Highsmith. Sim, de onde saiu o clássico filme "O Talentoso Ripley". O personagem Ripley de Patricia aqui aparece numa série "noir" e charmosa com o lindíssimo litoral italiano em fotografia esplêndida. Exatamente como nas versões pro cinema (sim, foram algumas) o personagem central é um golpista de NY e percebe a oportunidade de se dar bem na Itália, às custas de um playboy herdeiro. Se você já viu o filme sabe bem do que se trata. Nessa série o protagonista é interpretado pelo talentoso Andrew Scott ("Sherlock" e "Fleabag"). O ator aparece com uma atuação impecável e cheia de toques pessoais. Mesmo que você saiba o enredo todo ainda fica o suspense e a falta de fôlego. Impressionante! Para atuar ao seu lado temos os eficazes Johnny Flynn (Dickie Greenleaf) e Dakota Fanning (Marge Sherwood) completando o triângulo famoso. Eu destacaria também Maurizio Lombardi na pele do inspetor Pietro Ravini. A série era para ter estreado no Showtime em 2023, porém foi direto para a Netflix. 

São oito longos capítulos divididos em formato de minissérie. A direção de arte e fotografia são sublimes. E, a ousadia de tudo é que, mesmo com uma Itália paradisíaca como "background", eles optaram pelo preto e branco. E ficou incrível. Arrisco dizer que essa versão é bem superior ao filme de 99 e empata com as grandes referências que se tem ao cinema clássico. Refiro-me a "O Sol Por Testemunha" (René Clément) e "O Amigo Americano" (Wim Wenders). A versão antiga "Plein Soleil" com Alain Delon equipara a essa do streaming. Um outro mote da série é a vida e obra do pintor renascentista Caravaggio. A biografia do italiano é contraponto quase que central no enredo. E, praticamente costura uniforme partes reflexivas e temperamentais de Ripley.

A direção e adaptação é de Steven Zaillian. E é certeira. Veja assim que puder!


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