terça-feira, 7 de maio de 2019

Assédio - Parte I



ASSÉDIO - Parte I




Tomo a liberdade e a gentileza para com as mulheres por tocar num assunto tão grave e crítico. Na verdade, admito nervosismo por não ser mulher e tampouco ter (e ser) meu lugar de fala. Entretanto, senti-me provocado e obrigado em desopilar um pouco acerca do tema. É sabido que milhares (milhões) de mulheres são aliciadas, agredidas ou coisa pior todos os dias. Nada do que eu falar aqui será novidade (muito menos terei essa pretensão) ou inédito na rede, etc... Tampouco darei explicações ou elucubrações (famoso "mansplaining") a respeito. O que eu gostaria é de tentar situar-me dentro da sociedade. Há cerca de cinco anos atrás fui surpreendido por uma amiga sobre uma pessoa em comum. Essa querida amiga afirmou que havia sido assediada por determinada pessoa. Contou-me exatamente como aconteceu. Tive uma reação de espanto e solidariedade para com ela. Claro! Ela estava emocionada. Minha primeira reação foi aconselhar a denúncia. De prima. Porém, senti que pairava uma hesitação dela nesse caminho. Um medo de ser desmentida, julgada e contestada. O que acontece, infelizmente, diariamente. Ali coloquei-me como amigo, pai (minha filha tem vinte e dois anos) e cidadão. Preciso reagir e ajudar. Após o episódio pensei em desvendar e dar a mão a ela, porém percebi que havia algo mais. Bem mais... 

Cortemos e avancemos dois, três anos depois... Cenários diferentes. Um homem assedia determinada mulher e essa reage. O que vem após é uma sucessão de ações condizentes com o tamanho da agressão e desrespeito. Nessa história muitos amigos saíram machucados e feridos emocionalmente. A mulher cobra com razão um posicionamento de todos, ou ao menos das pessoas em comum. Algo chamado hoje em dia de "sororidade. A palavra no latim significa, em termos leigos, irmandade. Algo cúmplice entre irmãos. Bela palavra, sem dúvida. A fonte não poderia ser mais ideal. A lealdade, em tese, entre irmãos estabelece sangue, "fechamento" (na gíria) e companheirismo. Código ético, regrado e conduta idem. Fui saber da história dias depois, porém minha participação foi breve. Recebi um recado que deixou-me triste e impotente. Como eu era um "conhecido em comum" fui excluído do convívio da menina. 

Nota do editor:

"... Michel era um menino de treze anos que caminhava normalmente pela orla da praia. O destino dele era encontrar seus amigos no local combinado. Aproximadamente às treze horas daquela ensolarada tarde de sábado. Em seu caminho alguns quilômetros aguardavam-no. Em determinado instante Michel percebe que há um carro numa velocidade extremamente baixa. Suspeito. Bem suspeito. Dentro do carro um homem tenta contato visual. Michel estava de bermuda, camisa no ombro e chinelos. Aperta-se um pouco mais o passo, pois um certo temor ali havia. O carro segue a mesma procissão. Mas, dessa vez o homem lá dentro o chama. Com face maliciosa, esperta e covarde. Michel sente-se coagido e constrangido. Num reflexo genuíno cata uma das pedras que há pela rua e ameaça jogar no carro. O homem assusta-se e acelera o carro. Michel respira aliviado. Quase chegando perto da entrada do local combinado com os amigos Michel avista o carro quase parado à sua espera. Dessa vez, com mais raiva, o menino cata raivosamente duas pedras e joga-as na direção. O homem desiste e vai embora..."

(Nessa fase da vida, crianças e adolescentes, são vítimas de assédio. Meninos e meninas. Pedofilia mesmo. A distinção é que pros meninos isso quase finda na fase adulta paras as meninas/mulheres é para a vida toda)



Retornando a primeira história: o que deixou a minha amiga tensa igualmente é que eu era amigo da pessoa. E, isso ela não poderia suportar. Compreendi os dois golpes de maneira adulta. Percebi que eu não era protagonista em nenhuma delas. Mas, eu teria que posicionar-me. Esse era o cerne de tudo. Fiquei refletindo sobre. Não sobre a veracidade ou juízo dos algozes, mas da minha participação. O que eu poderia aprender com tudo isso. O que representava minha atitude e como deveria ser. Obviamente que não há nenhum vitimismo ou grande chagas aqui. A questão da violência contra a mulher é um dos enormes problemas em nossa sociedade. Fato. Como pai eu temo, como amigo e cidadão idem. Todas que cercam-me. O que segue cinza é a colaboração e participação das pessoas do mesmo gênero dos algozes. Talvez esse seja um assunto que precisamos debater a qualquer momento. Eu percebi, algumas pessoas que souberam de ambas histórias também perceberam e muito provavelmente vc quem me lê vá perceber. 

Em outras palavras: como, nós, homens, principais algozes, podemos ajudar?


quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Pauta de Hoje: Melhores de 2018 - Parte 2


Pois é... Começamos o mês colocando quinze discos, sem ordem de preferência, no rol dos melhores desse ano (2018). Ficaram faltando os outros quinze para completar a lista dos TRINTA melhores álbuns (existe isso ainda? rs) do ano de 2018. 

Antes, deixo aqui meus votos de bom ano novo (apesar de tudo...ugh!) e mais respeito em 2019. Sejamos a resistência e diferença, moçada! Fiquem firmes.

Agora sim... Bora!


MELHORES DE 2018 - PARTE 2


PAUL WELLER - "True Meanings" (16 Setembro/ 2018)




BEACH HOUSE - " 7 " (11 Maio /2018)




IDLES - "Joy As An Act Of Resistance" (31 Agosto / 2018)



MUDHONEY - "Digital Garbage" (19 Setembro / 2018)




JETSTREAM PONY - "Self-Destruct Reality" (12 Julho / 2018)



BUFFALO TOM - "Quiet And Peace" (02 Março / 2018)




MOONS - "Thinking Out Loud" (25 Maio / 2018)




SONS OF KEMET - "Your Queen Is A Reptile" (30 Março / 2018)




SEUN KUTI - "Black Times" (02 Março / 2018)





CONNAN MOCKASIN - "Jazzbusters" (12 Outubro / 2018)




WILD PINK - "Yolk In The Fur" (20 Julho / 2018)




RECLUSE RACCOON - "Recluse Raccoon" (02 Outubro / 2018)




YOUNG SCUM - "Young Scum" (06 Julho / 2018)




WILD NOTHING - "Indigo" (30 Agosto / 2018)




MILD ORANGE - "Foreplay" (18 Abril / 2018)



Yeah! Vale ressaltar que essa última banda, Mild Orange, tem dois aninhos de vida. Boa chance de acompanhar a carreira deles. São da Nova Zelândia e fazem um dream pop, indie e folk e tal. Legal! 

X'mas & New Year! Beijos



terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Pauta de Hoje: Melhores - Parte I


MELHORES - PARTE I

Ufa! Que isso? Fazem quase seis meses desde a última postagem. Nunca imaginei que ficaria tanto tempo ausente. E fiquei. Obviamente que segui verbalizando e levando música no programa da rádio (Vinil FM) e nas redes sociais. Ausentei-me muito desse. Mas, como o bom filho à casa torna começarei o rol dos melhores discos do ano corrente sem ordem, diga-se de passagem. Listas são sempre polêmicas e discutíveis, porém é um belo exercício de memória, absorção e pesquisa. Antes gostaria de dizer que o meu programa, "Discos Que Amamos" entra em recesso no dia 17 de dezembro e volta em janeiro ou começo de fevereiro. Para quem ainda não o conhece: chama-se "Discos Que Amamos" na web radio Vinil FM e vai ao ar toda segunda a partir das 21 horas. Completarei dois anos em março de 2019 na radio. Uma honra. E, o programa fala sobre um disco (sempre) em especial executado de cabo a rabo com argumentos e detalhes falados por mim. Um trabalho de pesquisa e paixão. A arte como o artista concebeu: da primeira à última faixa. Difícil isso né? Mas, eu sigo em frente. Álbuns que marcaram pessoas com fino conteúdo e sons originais. Imperdível!! Deixo o site embaixo para "conferes"...



Foram escolhidos trinta discos lançados entre janeiro e dezembro desse ano (2018) dentro do rock, pop, eletrônico, indie, folk, etc... Eis os quinze primeiros:

- MOANING - "Moaning" (02 de Março / 2018)



- OUGHT - "Room Inside The World" (16 de Fevereiro / 2018)


- SHAME - " Songs Of Praise" (12 de Janeiro / 2018)



- PREOCCUPATIONS - "New Material" (23 de Março / 2018)



- STILL CORNERS - "Slow Air" (17 de Agosto / 2018)



- TAPE WAVES - "Distant Light" (06 de Junho / 2018)



- PARQUET COURTS - "Wide Awake!" (18 de Maio / 2018)



- DATAROCK - "Face Of Brutality" (09 de Março / 2018)



- CLOUD - "Plays With Fire" (09 de Março /2018)



- AIR FORMATION - "Near Miss" (12 de Março / 2018)



- EDITORS - "Violence" (08 de Março / 2018)



- TRACEY THORN - "Record" (02 de Março / 2018)



- THE VACCINES - "Combat Sports" (30 de Março / 2018)



- MELODY'S ECHO CHAMBER - "Bon Voyage" (15 de Junho / 2018)


- JOHNNY MARR - "Call The Comet" (15 de Junho / 2018)



Eita! Faltam mais quinze discos. Confesso que poria uns cinquenta ou sessenta discos desse ano. Teve boa safra. Juro! E aí? Concorda? Discorda? Faça a sua. O importante é inundar de música isso aqui...

L.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Pauta de Hoje: Discos Que Amamos (3 Programas)


Depois de um hiato quase público estou de volta para mais um post... Hehehe... Sim, a radio consome-me bastante e outros afazeres idem. Porém, sigo firme e forte coletando músicas e absorvendo mais e mais acerca de cultura - o que por si só garante mais qualidade ao espaço. Não é mesmo? Bom... Para essa publicação deixarei três links com três programas meus do "Discos Que Amamos" (pela Vinil FM - toda segunda-feira às 21 horas) mixados e editados no mixcloud. O que quer dizer que você que me lê nesse instante tem o direito de ouvir na íntegra como foram esses programas. Tendo perdido ou não. Uma molezinha que o blog dá pra vocês. Aproveitem!

Mas, antes quero deixar registrado aqui que três shows (por ora) agitam esse segundo semestre brasileiro. Dois já plenamente discutidos e um recém anunciado. Esse último trata-se da vinda (mais uma) de Morrissey. Pois é... O cantor britânico fechou uma turnê sul-americana para novembro e dezembro. As cidades de Rio de Janeiro e São Paulo receberão nos dias 30/11 e 02/12, respectivamente, os shows. Além disso o já discutido show do Killing Joke em Sampa... Imperdível! Dia 23 de setembro em Pinheiros. A banda jamais esteve em solo brazuca. Yeah! E, fechamos com o tio gótico, Nick Cave, em outubro (14) em São Paulo. Haja "money"! 


Vamos aos programas:

LOU REED (1972) - Transformer

https://www.mixcloud.com/l%C3%A9o-rocha2/discos-que-amamos-lou-reed-transformer/



THE MISSION (1990) - Carved In Sand

https://www.mixcloud.com/l%C3%A9o-rocha2/discos-que-amamos-the-mission/




EBTG (1985) - Love Not Money

https://www.mixcloud.com/l%C3%A9o-rocha2/discos-que-amamos-everything-but-the-girl/




That's All Folks! Aproveitem e sejam gentis.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Pauta de Hoje: Dois contos e uma promessa!


Passei abril todo sem colocar nada de novo. Ugh! Eu vos digo: trampo, trampo e mais trampo. Ao mesmo tempo os programas na Vinil FM consomem minha cabeça também. Aliás: prometo colocar ainda esse mês (maio) dois "podcasts" com uma banda cada que rolou em "Discos Que Amamos". Podem cobrar!!

Mas, aproveito o espaço para colocar dois contos meus (publicados em 2010) para degustação de vocês. Caso gostem terei imenso prazer em conversar mais sobre (literatura) nas redes sociais e "in loco". Acreditem! Aprecio o papo, um papo e muitos papos. Pessoalmente então... 



CABELO


Caminhando até a mais próxima barbearia avisto que o salão está lotado. Embora não seja “aquele lotado” que você imagina. O salão só tem três cadeiras ocupadas e três barbeiros trabalhando. Lotado! Entendeu?  Sento numa dessas cadeirinhas vagabundas de boteco para esperar minha vez. Na verdade, eu corto com qualquer um. Não tenho preferência. Ao meu lado um senhor com uma pinta de malandro, palito ao canto da boca, chapéu pro lado falando ao celular. Ele fala de modo alto e autoritário. Todos escutam um pouco da conversa. Impossível não participar. Ao que me parece o senhor é militar. O papo sempre termina em ordens suas e palavrões. Sujeito folgado e anacrônico. Certa altura do campeonato eu pensei que fosse “surgir” Nélson Gonçalves ou o “Madame Satã” de algum lugar... Voltaríamos no tempo da velha Lapa, com aquela cerveja gelada mas, morosa, morenas lascivas ao lado e a velha briga de bar. Alguém mexe ou esbarra no outro e uma navalha é puxada na briga. Um homem estiloso observa tudo e a todos pelo outro lado do balcão, manja? O bigode simetricamente cortado e aparado no fio da navalha. Não do brigão, claro! Mas, do barbeiro autor. Tudo isso se passou na minha cabeça escutando aquele senhor ao telefone enquanto aguardava minha vez de cortar o cabelo. Ahhh... Que monotonia... Um cair da tarde sem sol ou chuva, mas abafado. Observei bem os três barbeiros e notei (fiquei “expert” no assunto) que o “trabalho” estava na metade. Ou seja: passariam mais sete minutos. Faltavam o pé, o lado e um pouco em cima na maioria dos cortes. Nunca fui barbeiro, mas todo homem sabe (eu acho) o quanto vai demorar... Passam duas mocinhas e nós todos (inclusos os três barbeiros) esticamo-nos todos para olhar. Tratavam-se de duas raparigas de fino trato com cabelos molhados e cheirosos. Cheiravam alfazema. Aquele bálsamo feminino e delicado permanece no ar. Que beleza!!! Esquecemos por um ou dois minutos a espera chata do corte. Atrás desse senhor havia um sinal e um veículo teimava em não andar. Uma buzina insistente atormentava-nos. Incomodava a mim, aos barbeiros e ao senhor ao telefone. O carro andou, finalmente, empurrados por nós, acredito. Já não era sem tempo. O silêncio vale ouro. Já não bastava o falante militar ao telefone? O barbeiro da preferência desse senhor termina e finalmente ele desliga (celular) e vai cortar seu cabelo. Ainda bem! Sinceramente, incomoda-me demais conversas alheias. E esse, em especial, era um tremendo chato. Um bocejo contagiante apareceu e mais dois, além de mim, abriram a boca. Tava muito chato... No banquinho dentro do salão haviam duas revistas masculinas e outras mais de fofocas. Além de um jornaleco bem fuleiro. Não adiantava... Nada era cool para entreter... Dez minutos passaram e vagaram dois lugares. Era minha vez... Hunf!



**************************


NAQUELA TARDE


Assim que caiu o sol naquela tarde eu percebi que a vida abreviava mais um dia para mim. As pessoas transeuntes e despreocupadas não me encaravam. Em minha cabeça vagava uma singela canção de amor... Talvez o vento me inspirara... Talvez... As calçadas brilhavam devida chuva de outrora e pneus acelerados que passavam. Aduzia que o espectro meu clamava por cor. Minha alma estava intacta, porém habitava o vazio. Eu nem saberia descrever se era solidão, demência ou sono. De repente: todos! Me lembro que acendi um cigarro mesmo contra vontade do, ainda, vento. Senão me engano era outono de mil novecentos e setenta e nove. Andei adiante em direção à praia. O cheiro de maresia chamou minha atenção. Ao chegar observei uma agitação em torno de um músico de rua... Ele tocava algo parecido com John Coltrane. “Ahhhhh... Que som bom!!!” – pensei. Fiquei ali durante tempo considerável. O suficiente para encher mais e mais o local. Na minha frente, bem ali na minha frente, havia uma mulher. Uma morena vestida de maneira simples. Um vestido bege e sandália branca. Algo adornava seu cabelo, não sei... Um rosto lindo e sincero. Ela curtia todas as canções. Nem percebeu que eu a fitava. Tossia entre um verso e outro. Parecia resfriada. Mas, cada espirro, cada tosse e assoar de nariz me conquistava amiúde... Percebeu que dividia minha atenção com a música. Meus ouvidos e nariz flagravam cada som daquele músico de rua, porém meus olhos e boca não conseguiam desviar do corpo e jeito daquela menina. Ela sacou algo parecido com uma echarpe. E um pequeno casaco azul claro de renda. Bem confortável... Queria eu provê-la de calor e bem estar. Um acalanto febril, algo tenro. Estava eu há tempos, semanas, meses, sozinho. Deitava-me em minha cama de casal espaço de sobra. Ali apenas prostitutas, ultimamente, haviam dormido. Incomodava-me muito que meus últimos atos fossem esses. Não tinha fechado-me para nada. Achei que estava muito claro isso. Todavia era o que passara-se nas últimas semanas. E, estava ali uma chance (ou não) de começar a mudar essa rotina. Fiquei auspicioso, porém ao mesmo tempo, tenso.  Agora; o que fazia ela àquela hora? Será que estava triste? Alegre? Separada? Eu não fazia ideia. Será que tinha família? Foi apenas dar um passeio pela orla e voltaria? Inúmeras hipóteses circularam na minha cabeça durante a apresentação do músico. Não era do meu feitio toda essa insegurança e questionamentos assim. Tamanha precipitação sem ter, ao menos, falado com ela. O pouco tempo que pude observar sua postura, seus movimentos, sua expressão corporal nada haviam dito-me sobre. Nem se estava aberta a diálogos. Ela apenas ouvia, sorria e curtia. Decerto que já tinha reparado em mim... Mencionei já. Contudo, nada significante. Eu precisava fazer mais, bem mais... Embora nada tenha feito. A cada acorde eu enchia-me de coragem, porém o som estava mui agradável. Começou a ventar com mais força... A noite entrara. De repente, o músico começou a brincar com as notas e tirou um sorriso lindo dela. Eu sorri junto. Ela desviou brevemente seu olhar em minha direção. Insisti no sorriso. Não devolveu a gentileza, contudo aceitou o acaso. Um leve rubor em sua tez. Ela tomou impulso e deixou uma nota para a canção dentro do chapéu do tocante. Afastou-se timidamente e virou-se... Ali, percebi que eu poderia viver uma nova história com ela. Nada sabia... Nem nome, endereço, idade ou preferências... Absolutamente nada. Assim começam grandes histórias. Porém essa nem chegou a começar...

(Leozito Rock)

quarta-feira, 14 de março de 2018

Pauta de Hoje: Podcasts de 3 (três) programas do Discos Que Amamos


PODCASTS

Discos Que Amamos

Conforme eu havia prometido, vez em quando colocarei aqui alguns programas que eu produzi e apresentei (e sigo fazendo) na Vinil FM (www.vinilfm.com.br). O programa vai ao ar toda segunda-feira, às 21 horas. Quem ainda não o conhece: seja bem-vindo!

A proposta desse é comentar, resenhar e ouvir na ÍNTEGRA faixa a faixa do disco em questão. Numa época em que a meninada só consegue ouvir uma ou duas canções de determinado artista faz-se hercúlea a missão em escutar o trabalho todo. E, foi assim que o artista concebeu, afinal de contas...
Mas, tudo bem... Essa é a tarefa e muita gente curte. 

Segue abaixo os podcasts de três bandas e assim, o ouvinte escolhe qual, como, quando ouvir e curtir (ou conhecer). Have fun!!

BLONDIE



LED ZEPPELIN



THE BREEDERS (INÉDITO)



É isso... Vejo vocês por aí... Beijos!


Hawking

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Pauta de Hoje: "Escadaria Para o Inferno" (Humberto Finatti) & Lançamento dia 17/02 (RJ)


ESCADARIA PARA O INFERNO

Editora Kazuá
Humberto Finatti




"... And she's buying a stairway to heaven ..."

Sim... Foi inevitável colocar a famosa canção do Led Zeppelin ao começar esse texto. Ao contrário da letra da música, Humberto Finatti não quis (ou quis???) comprar nenhuma escada pro céu. Mas, desceu intencionalmente outra via porém com destino oposto. O Inferno! Posto de maneira metafórica qualquer leitor pode pensar tratar-se de uma hipérbole ou similar... Ledo engano...(Risos). Nosso jornalista "maldito" desceu mesmo (um dos contos principais narra a passagem) à terra do nefasto e lá tratou de sobreviver e conviver com os moradores. Hmmm... Atentem-se que não refiro-me a sua charmosa e concreta (como dizia Caetano) São Paulo. Não. Refiro-me ao submundo, underground absoluto, da garoa. Abaixo do concreto. Finatti seria um parceiro incrível da Rê Bordosa, por assim dizer... (Risos) Angeli (cartunista) não podia imaginar... 

Voltemos um pouco no tempo... Conheci Humberto mais ou menos por volta de 2004 num fórum de debates (estava mais pra brigas) de jornalistas da Bizz (revista clássica). Ali, havia uma enxurrada de maldições e verborragias (quase que masturbatórias) entre os membros. Contudo, percebi que Finatti era o predileto. O alvo comum de alguns. Tinhoso como sou, pesquisei um pouco a folha corrida dos envolvidos e diagnostiquei que meu gosto musical e pensamento artístico batia com o do "maldito". De longe... Nessa época, um dos editores (e queridinhos) comportava-se como um mimado e covarde censor. Além de editor, o mesmo era moderador da página. Um clássico nesses tempos insossos e repletos de gado manso. Mesmo assim, entrei em algumas pelejas apenas como colaborador. Logo, tornei-me alvo de algumas maldades, porém, eu era um desconhecido. Não havia nada do meu passado para confrontar. Eu sei... Eu sei... Vocês devem estar pensando: "Mas, que diabos tem a ver vida pessoal com um fórum sobre música?". Pois é. Eu também estranhei bastante. Mas, eu sentencio aqui uma máxima minha: "as pessoas têm um ego inflado. Nada como uma platéia para satisfazer tal ânsia". Fui à São Paulo no ano seguinte (2005) para o "Abril Pro Rock" em Atibaia e apresentei-me ao dito cujo. De lá pra cá, iniciei papos com o Humberto. Ficamos amigos e trocamos impressões acerca da música, literatura e cinema. Hoje em dia, política e vida também... (Risos) Vale ressaltar que ele me ajudou bastante quando estive em São Paulo outras vezes. Sempre solícito e cordial. Moro no Rio de Janeiro e sempre fui fã dessa dupla: RJ-SP! Ao contrário dos ignóbeis de plantão acho que são cidades (ou estados) complementares. De todo modo, sempre soube que Humberto tinha um livro engatilhado com suas histórias para publicar. Várias vezes falamos sobre e fiquei auspicioso com o lançamento desse. Merece ser lido e absorvido como fonte e arte. 

"Escadaria Para o Inferno" é dividida (achei acertadíssima a ideia) em três partes e subdividida em vinte capítulos. Todas em forma de conto ou narrativa onde nosso maldito (acho que já ficou explícito o porquê da palavra "maldito" como alcunha irônica, né?) jornalista brinda-nos com histórias bizarras, loucas, "junkies" e famosas... Fatos como a briga com o cantor Lobão no Maksoud Plaza, a treta com John Lydon (Acreditem ou não, Finas mandou o ex-punk para aquele lugar em alto e bom som frente a todos) ou a improvável entrevista com o global e católico Cid Moreira. Sim, sim... Muitas dessas e outras com uma linguagem verborrágica, detalhista (uma das coisas que mais chamou-me atenção) e "bukowskiana". Ao tomar contato com o livro não espere um linha jesuíta, sacra ou ortodoxa. Finatti escreve bem e de maneira visceral. Com "punch". Quem já está ambientado com seus famosos textos na internet sabe do que falo. Ele desce o braço mesmo e não poupa ninguém. Nem deveria... Foi assim que aconteceu... Foi assim que ele sobreviveu e testemunhou. Entrevistas com Kim Gordon, Robert Smith (The Cure) ou Evan Dando (The Lemonheads) são outras experiências das quais moldou e formou o caráter e personalidade crítica de Finas (é assim que eu gosto de chamá-lo). "Causos" fora do holofote e que o grande público nunca saberia. Algumas ali eu dei muitas risadas e imaginei a minha maneira. Ou seja: o livro também (posto que é arte) estimula a sua imaginação. Reverbera e impõe certas durezas e conflitos existenciais. Não é somente ler e findar. As narrativas impactam aos mais sensíveis e convidam-os a ponderar e filosofar. E é assim que eu enxergo arte: provocação e estímulo. "Escadaria Para o Inferno" cumpre essas e outras premissas de uma obra. 


Finatti e Kim Gordon (Sonic Youth)




Robert Smith (The Cure) e Finatti


O Prefácio é do genial Luís Antônio Giron, mestre e professor de muita gente boa na imprensa, além de quase padrinho de Finas... E, conforme o próprio escreveu: "... Mephisto, talvez, não teria capturado a alma de Finatti. Ou se fizesse expulsaria-o tempos depois por sua teimosia, loucura e rebeldia ..."

Gostou?

Deixarei alguns serviços relevantes abaixo:

Compra do Livro (Editora)




Lançamento do livro no Rio de Janeiro. Acontecerá na festa "Ceremony" produzida pelos amigos/parceiros e DJs Kleber Tuma e Wilson Power (Planet Hemp). 

Especial 40 anos de Bauhaus
Dia 17 de fevereiro de 2018
23:00hs
Bar do B - Laranjeiras
Rua das Laranjeiras, 90 - Rio de Janeiro
Feat. Dj Zilah

Humberto Finatti lá estará para lançar e autografar o livro. Além de curtir com todos a festa. 




Clic.