sábado, 29 de fevereiro de 2020

Paris, França - Século XVIII


Paris, França

Calma... Apesar do pretensioso título não irei esmiuçar nesse espaço a Revolução Francesa e tampouco os dias correntes na terra de Napoleão. Não. Isso você encontra nos livros (bons) de história e nos bate-papos com professores da matéria. Deixo a pista (dica) com os mais espertos... Mas, é inegável a contribuição e exemplo que a revolução (nesse instante abdico de colocar em maiúsculo por preguiça mesmo... Feito?) dos europeus citados segue dando-nos. Basta lembrar o cenário à época, a miséria da população (massa trabalhadora), a revolta burguesa (essa consciente que o estopim estava perto) com os desmandos da realeza e o anacronismo do clero. Rsrsrs... Perceberam as sutilezas aos dias de hoje? Pois é. Porém, isso aconteceu no século XVIII, num país europeu e já com certa idade no mundo. O que muitos ainda não sabem é que mais da metade nem SABIA ler. Todos analfabetos. Contudo, tinham senso crítico e sabiam reconhecer injustiças. Sabiam que a miséria era cruel e que algo estava errado fazia muito tempo. Mesmo assim precisaram da burguesia para estourar. E estouraram! Foi um dos maiores massacres que o planeta vivenciou. Morreram milhares (eu ousaria dizer que podemos esbarrar no milhão) de pessoas assassinadas. Isso é uma revolução! Dessa luta saíram termos e nomes que até hoje repetimos como: "girondinos e jacobinos", "Guilhotina", "Bastilha", "Iluminismo", "Comuna de paris", Direitos humanos" etc... Os personagens tb: Robespierre, Danton, Marat, Luis XVI, Maria Antonieta... Todos vitimados na mesma revolução. Enfim... O que eu quero dizer com tudo isso, né? Na verdade é mais um exercício do que uma certeza. Uma ideia em evolução mesmo. A saber...


Nesse tempo reinava o absolutismo e feudalismo. Caminhamos a seguir em passos largos para a Revolução Industrial e depois aos sistemas: comunismo, socialismo e capitalismo. Sendo bem reducionista (no sentido pleno de sintetizar), de fato. Indo em direção (ao menos achava-se) sempre em nome do futuro, tecnologia, avanços e realizações não é mesmo? Pois é aí que faço o meu recorte particular. Dentro da entrada do século XX houve experimentos, avanços e novidades que mudaram em definitivo o mundo. Vieram telefone, rádio, transmissões, guerras, armas, crimes de laboratório (vírus e radioatividade), etc... Até chegarmos às comunicações e internet. Agora; se passarmos a peneira, de fato, na Humanidade (assim mesmo com "H" maiúsculo) talvez veríamos que dentro de nós sempre existiu (e eu não sei mensurar quando nem como) um clima de desconfiança. Desconfiança de tudo e de todos. E é por esse caminho que gostaria de trafegar. Porque por mais que discutamos comunismo e socialismo ou uma nova política social precisamos entender o nosso processo individual. Ademais o processo coletivo. Face ao capitalismo sempre estivemos com a faca nos dentes. Sem alívio. Isso parece-me jamais fechar. O que é terrível. Tenebroso eu diria. Pense comigo: se vivemos sempre nessa disputa, nesse acirramento, disputando corpo a corpo nosso prato de comida quando iremos curtir ou desfrutar nossa vida? Porque quem desfruta sempre está à desconfiança do próximo. Ou não? É muito comum escutar reclamações de executivos, pessoas que trabalham demais, empresários etc... A reclamação vem em combo: dinheiro, cansaço, memórias. Oras... Ou seja: estão vivendo uma vida de lamentações, consternações e automatização. Por desconfianças, disputas e/ou acirramento mataram Malcom X. Mataram Dr. King. Instalaram e conceberam uma agência como a CIA ou KGB. Inventaram um Bureau (olha aí mais uma herança da França), o FBI. Que mais agia como sombra do que qualquer outra coisa. E, isso pra ficarmos no Ocidente. Criaram uma ONU. O que é a ONU senão uma entidade para "resolver" (em aspas, sempre) conflitos internacionais com isenção. Eu lhes pergunto: vocês acreditam nisso? Jamais. Dali saíram as decisões mais covardes e convenientes para os grandes países. Enfim... Não tenho a intenção de transformar o texto numa peça de contestação. Eu já disse: são somente devaneios e pensamentos acerca do que tornamo-nos. 

Minha tristeza (e agora é um atestado, de fato) é perceber que vivemos num mundo que temos enormes feitos e conquistas, realizamos o que nenhum outro ser fez, avançamos de forma titânica em conhecimentos e "brinquedos" tecnológicos que impactaram profundamente em nossas vidas mas emperramos na tal felicidade, satisfação e desconfiança. Não conseguimos ter gozo pleno em nossas vidas. Eu não tenho e percebo que o povo em meu entorno também não tem. E, vem sempre cercado de desconfiança (essa palavra vai ecoar na sua cabeça por muito tempo) e insatisfação. Sempre. Até os Stones perceberam isso em sua famosa canção... Rsrsrs... Daí eu não sei se é algo filosófico e metafísico ou se há algo invisível intrínseco. Agora, por mais metafísico que seja é bem real em nosso corpo, mente, alma. Somos incapazes de sermos felizes e serenos de forma contínua. Não sei até hoje por qual razão. Alguns podem afirmar que a "ignorância é uma benção" e, talvez os ignorantes sejam felizes. Quem sabe? Mesmo assim até esses (ignorantes) são desconfiados. Entendem o dilema? Como viver numa sociedade sem desconfiança alguma? Ou com um nível bem, bem baixo... 
Talvez a vida jamais seja confiável. Jamais... Seja feita mesmo para viver, refletir e desconfiar sempre. Mas, que merda de herança, não? 




sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Melhores e Piores - 2019



Eu ando muito, muito relapso por aqui... Cada vez publico raramente. Eu sei. Ando tão atarefado nas redes, no labor e na vida. A rádio toma-me certo tempo e alguns sons que ando fazendo por aí. Sim, sim... Ataco de DJ vez em quando. Na verdade, eu divido e oferto sons em festas de amigos e ouvintes. Somente. Não intenciono roubar vaga de ninguém. Tudo bem "no amor". O intuito é divertir. Mas, tenho projetado um 2020 com novidades tanto na rádio como em projetos musicais. Fiquem de olho! Aos poucos irei divulgando nas redes... 

Entretanto, a listinha de fim de ano sempre foi obrigatória. Em certos anos eu capricho e divido discos, livros e filmes. Outros anos eu misturo tudo e deixo mais simples. Esse ano será simples de novo. Até pelo tempo. Estou publicando na segunda metade do mês já. Faltam onze dias para acabar o ano. Por isso tudo é que farei-a (lista) mais humilde. Coloquei em duas classificações: Melhores e Piores. Eis os nomes:


MELHORES 2019

- Coringa
- Era Uma Vez...
- O Irlandês
- Um Contratempo
- O Método Kominsky
- Bojack Horseman
- Chernobyl
- Midnight Dinner: Tokyo Stories
- Peaky Blinders
- Fargo
- Criminal (França e Alemanha)
- Flamengo
- Jorge Jesus
- Megan Rapinoe
- "O Som do Leozito" (Programa)
- Internova Radio Web
- Bacurau
- Greta Thunberg
- Fernanda Montenegro
- Fábrica Bhering (RJ) 


Reuters


PIORES 2019

- Donald Trump
- Jair Bolsonaro
- Incêndio no Ninho do Urubu
- Incêndio em Notre Dame
- Silvio Santos
- Vazamento de óleo na Venezuela
- Queimadas e Desmatamentos na Amazônia
- Crivella (Ugh!)
- Presidente da FUNARTE
- Brexit
- Boris Johnson
- Tragédia de Brumadinho
- Reforma da Previdência
- Sérgio Moro (argh)
- Olavo de Carvalho
- Feminicídio
- Repressão policial em comunidades
- Wilson Witzel (nazista)
- Queiroz (cadê?)
- Saúde Pública (RJ)





Reuters


Obs: Ambas as fotos foram premiadas entre várias outras como melhores fotos do ano de 2019. O sapo na flor de lótus no Nepal e o bebê embalado na hora do parto na bolsa da mãe. Isso foi real! Uow!!!! 


Em janeiro farei uma lista com os discos do ano de 2019. Aqueles que julguei ser os melhores. Mesmo com toda essa "vibe" medonha em nosso país o blog deseja a todos um ano melhor e paz a todos. Hohohoho...

Clic.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Pauta de Hoje: Top 10 Curiosidades R.E.M.





O post a seguir não tem nenhum ponto argumentativo ou opinativo. Tratam-se de pérolas baseadas em fatos que cercam a supra banda. Muitas delas perderam-se num tempo SEM internet ou qualquer ferramenta de busca. Importante salientar também que nenhuma curiosidade foi pautada em entrevistas ou opiniões dos integrantes. Todas foram testemunhadas e vividas por pessoas que, de algum modo, conviveram com a banda. A partir disso a informação foi testada e comprovada. 

Obs: à exceção dos fãs, poucas pessoas sabiam das seguidas... Posto isso, vamos...

TOP 10 CURIOSIDADES R.E.M.

1) A canção "Stand" do disco "Green" é a primeira música a tocar em solo marciano. Sim... A sonda que os EUA levou ao planeta em 2008 levou essa canção para "fazer contato" ou deixar memórias aos marcianos. Em nada teve de especial a escolha, mas é fato. 

2) Mediante às bandas do início dos ano 80 americanas, o REM era de longe a que tinha os integrantes mais "especialistas em som" (algo parecido com "nerds" à época). O comentário era que como a maioria (sobretudo Peter, Mike e Michael) eram ratos de lojas (Peter trabalhava em uma, inclusive) ficou a pecha de "aqueles que manjam de som." E, o REM manjava mesmo.

Obs: Não confundir com tocar muito. Eles não tocavam muito bem no começo. Manjavam de música. Pesquisa... ok?

3) A banda tem fãs famosos. Muitos. Mas, é sempre bom destacar o diretor alemão Win Wenders. Um admirador confesso. A banda também trocou figurinhas com o diretor. Filmes como "Paris, Texas", "O Amigo Americano" e até "Asas do Desejo" foram influências para o REM.

4) A banda Butthole Surfers odiava o REM. Numa determinada data em 83, 84 eles foram pra Athens e perseguiram a banda. Desde o começo tiveram uma cisma e aonde o REM estivesse eles iam atrás pra sacanear ou difamar. Chegaram a roubar a comida do camarim e qualquer benesse que lá estivesse para Stipe e cia. Anos e anos mais tarde o Butthole Surfers disse que era parte molecagem e que, no fundo, eles tinham uma certa inveja do REM. 

5) Falando em outras bandas... O "The Replacements" também já sacaneou o REM. Numa turnê juntos eles (Replacements) fizeram a limpa no camarim de Stipe e Cia. A produção do REM quiseram expulsá-los a força, mas Peter Buck (fã dos caras) minimizou. O problema é que Paul Westerberg, vocalista, era um alcoólatra e ninguém deixou bebidas alcoólicas no camarim deles. Propositalmente. No fim, o REM jogou salsichas no pessoal do Replacements de sacanagem tb. 

6) No encarte de agradecimentos de OK Computer (Radiohead) os nomes dos membros da banda aparecem em sequência: Michael, Peter, Bill e Mike. 

7) Dentro do Dead Letter Office existe a canção "Walter's Theme" Essa é na verdade uma propaganda de um restaurante de um amigo da banda. Uma espécie de "jingle". 

8) A canção "Camera" (1984) é sobre a trágica morte de uma amiga fotógrafa de Stipe. Carol Levy era famosa na cena underground e trabalhou com pessoas ligadas aos Smitherrens. Sua morte foi no meio do "hype" de "Murmur" (83) o que deixou a banda extremamente confusa. Richard Hell chegou a participar de um documentário com a fotografia assinada por ela.

9) A famosa aparição da banda no programa de David Letterman reserva algumas histórias também. Como todos sabem (deveriam saber...rs) o ano era 1983 e o REM acabara de lançar o disco "Murmur". Para divulgar eles tocaram "Radio Free Europe". Porém, a produção do programa solicitou uma segunda canção. A banda preparou algo inédito. Na hora de passar o nome da música para a produção evidenciou-se um problema: a canção NÃO tinha nome. Isso mesmo: não tinha nome. Quem quiser tirar a tima pode conferir o vídeo. David Letterman sequer menciona o nome nem a banda. Hoje sabemos que tratava-se de "So. Central Rain" (um clássico, inclusive). Ela foi lançada um ano depois do disco seguinte Reckoning". 

10) Essa última tem dedo de quem vos escreve. Rsrsrs... O disco "Reveal" foi lançado em 2001. O ano citado é justamente o mesmo que a banda veio ao Rio de Janeiro cantar no Rock in Rio. Vai juntando...rsrsrs... Quem lembra-se a banda tocou duas inéditas (o evento foi em janeiro) - o álbum sairia meses depois - e brindou os cariocas com "The Lifthing" e "She Just Wants To Be" pela primeira vez executadas ao vivo no MUNDO. Só fazer as contas... Desconfiei disso na época. Mas, não é disso que trata-se a décima curiosidade. Nesse disco existe a canção "Beachball". Quem conhece o som da banda profundamente (e eu tomo a liberdade de afirmar que conheço) sabe que "Beachball" não parece-se com NADA, absolutamente nada, do que eles já fizeram na carreira. Ao ouvir essa tive um "insight": a banda inspirou-se no Brasil. Especificamente no Rio de Janeiro. Passou-se anos e anos... Nunca consegui tirar essa impressão. Até o fatídico dia que soube por pesquisas e comentários de bastidores que a banda havia inspirado-se em "Girl From Ipanema"... Hmmmmm... Touché.
Ora... Era evidente isso. A canção é super ensolarada, diferente de tudo que haviam gravado, era o ano da primeira vez no país e o vocalista ficou bêbado e apaixonado por nossa caiprinha! Hahahaha... Impossível ser tudo coincidência, né?

Obs: O letrista Michael Stipe sempre teve mania de cartas e chuva. Se fizermos um levantamento sobre suas letras esses dois verbetes aparecem com enorme frequência. Os amigos próximos confirmam isso. 

Gostou? Um dia desses revelo mais dez, vinte curiosidade da banda. Prometo.



CLIC.


sábado, 20 de julho de 2019

Pauta de Hoje: Jerry Seinfeld, Internova Radio Web e outras coisas...


Nem eu tinha me dado conta do tempo que eu deixei de publicar esse. Tem mais de sessenta dias. Jesus! Como assim? Talvez eu não tivesse grandes coisas a comentar. Política, esportes, artes, bobagens... Quem sabe? Eu já comento muito na rádio (esse é um dos assuntos de hoje) e nas mídias sociais. Se bem que uso-as pouco. Não tenho twitter (por motivos nobres) e mal interajo no instagram (minha filha quem o fez).

Mas, isso dá uma credibilidade e "know-how" ao blog. Lê-lo é um presente meu aos leitores. Rsrsrsrsrs... Nem tanto, né? De qualquer forma seguimos a pauta...


JERRY SEINFELD

O comediante supra citado está com a temporada nova nos streamings. O delicioso "Comedians In cars (Getting Coffee)" traz convidados de classe em 2019. Já tinha fechado quase todos os episódios anteriores com destaques para: Jerry Lewis, Steve Martin, Cristoph Waltz, Seth Meyers, Tina Fey, George Wallace, Larry David, Mel Brooks e Howard Stern. Desde 2012 até a presente data. O "timing" do show é de primeira qualidade e os convidados acrescentam e muito ao roteiro. Olhem que eu nem sou fã de carros, mas até isso é um capítulo à parte. O show fisga você de alguma maneira. Nessa temporada os caras conseguiram trazer uma turma que reúne Eddie Murphy, Mathew Broderick (extremamente tímido e lacônico), Rick Gervais, Martin Short e Jamie Foxx. Uau! Pessoas que, de algum modo, entretiveram-nos num passado recente. Pois é. Recomendo o programa a todos.



INTERNOVA RADIO WEB

Sim, eu estou de casa nova. Deixei a Vinil FM depois de dois anos produzindo e apresentando o "Discos Que Amamos" e seguirei com programa novo na Internova Radio Web. Um web radio de Aracaju chefiada por Lula Mendonça. Nesse ano trarei mudanças a começar pela pauta. Saem os álbuns inteiros que eu apresentava e entram blocos com sons de minha coleção vitalícia. Músicas que fazem minha cabeça e que preenchem meu coração de alguma forma. Estarei mais livre para rolar qualquer gênero e tipo de música. O nome está escolhido e chamar-se-á "O Som do Leozito". Irá ao ar toda segunda-feira, às 22 horas pela rádio. Estreia marcada para agosto. Conto com todos vocês para brindar os bons sons e sair da mesmice radiofônica. 




"ESCUTE AQUI O QUE VOCÊ NÃO OUVE POR AÍ" 


CURTAS

- Discos novos de Flaming Lips, King Crimson, Morrissey (Grrrr...), Stella Donnely e Lingua Ignota (alcunha de Kristin Hayter). Todos já disponíveis... O negócio é não ficar parado. Esperar a música chegar não é opção. Desbravem!

- A série "Patrick Melrose" com Benedict Cumberbatch é auspiciosa. Recomendo. Tardiamente em terras brasileiras, a mesma cumpre um papel digno. E, o ator encanta mais uma vez. Vale a conferida!

- Eu saí da Vinil FM, mas deixei dois programas gravados (um ao vivo com a galera dos outros programas) e prometo colocá-los aqui no blog, na íntegra. Lembro-lhes que são INÉDITOS. Nunca foram ao ar. 



CLIC.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Assédio - Parte I



ASSÉDIO - Parte I




Tomo a liberdade e a gentileza para com as mulheres por tocar num assunto tão grave e crítico. Na verdade, admito nervosismo por não ser mulher e tampouco ter (e ser) meu lugar de fala. Entretanto, senti-me provocado e obrigado em desopilar um pouco acerca do tema. É sabido que milhares (milhões) de mulheres são aliciadas, agredidas ou coisa pior todos os dias. Nada do que eu falar aqui será novidade (muito menos terei essa pretensão) ou inédito na rede, etc... Tampouco darei explicações ou elucubrações (famoso "mansplaining") a respeito. O que eu gostaria é de tentar situar-me dentro da sociedade. Há cerca de cinco anos atrás fui surpreendido por uma amiga sobre uma pessoa em comum. Essa querida amiga afirmou que havia sido assediada por determinada pessoa. Contou-me exatamente como aconteceu. Tive uma reação de espanto e solidariedade para com ela. Claro! Ela estava emocionada. Minha primeira reação foi aconselhar a denúncia. De prima. Porém, senti que pairava uma hesitação dela nesse caminho. Um medo de ser desmentida, julgada e contestada. O que acontece, infelizmente, diariamente. Ali coloquei-me como amigo, pai (minha filha tem vinte e dois anos) e cidadão. Preciso reagir e ajudar. Após o episódio pensei em desvendar e dar a mão a ela, porém percebi que havia algo mais. Bem mais... 

Cortemos e avancemos dois, três anos depois... Cenários diferentes. Um homem assedia determinada mulher e essa reage. O que vem após é uma sucessão de ações condizentes com o tamanho da agressão e desrespeito. Nessa história muitos amigos saíram machucados e feridos emocionalmente. A mulher cobra com razão um posicionamento de todos, ou ao menos das pessoas em comum. Algo chamado hoje em dia de "sororidade. A palavra no latim significa, em termos leigos, irmandade. Algo cúmplice entre irmãos. Bela palavra, sem dúvida. A fonte não poderia ser mais ideal. A lealdade, em tese, entre irmãos estabelece sangue, "fechamento" (na gíria) e companheirismo. Código ético, regrado e conduta idem. Fui saber da história dias depois, porém minha participação foi breve. Recebi um recado que deixou-me triste e impotente. Como eu era um "conhecido em comum" fui excluído do convívio da menina. 

Nota do editor:

"... Michel era um menino de treze anos que caminhava normalmente pela orla da praia. O destino dele era encontrar seus amigos no local combinado. Aproximadamente às treze horas daquela ensolarada tarde de sábado. Em seu caminho alguns quilômetros aguardavam-no. Em determinado instante Michel percebe que há um carro numa velocidade extremamente baixa. Suspeito. Bem suspeito. Dentro do carro um homem tenta contato visual. Michel estava de bermuda, camisa no ombro e chinelos. Aperta-se um pouco mais o passo, pois um certo temor ali havia. O carro segue a mesma procissão. Mas, dessa vez o homem lá dentro o chama. Com face maliciosa, esperta e covarde. Michel sente-se coagido e constrangido. Num reflexo genuíno cata uma das pedras que há pela rua e ameaça jogar no carro. O homem assusta-se e acelera o carro. Michel respira aliviado. Quase chegando perto da entrada do local combinado com os amigos Michel avista o carro quase parado à sua espera. Dessa vez, com mais raiva, o menino cata raivosamente duas pedras e joga-as na direção. O homem desiste e vai embora..."

(Nessa fase da vida, crianças e adolescentes, são vítimas de assédio. Meninos e meninas. Pedofilia mesmo. A distinção é que pros meninos isso quase finda na fase adulta paras as meninas/mulheres é para a vida toda)



Retornando a primeira história: o que deixou a minha amiga tensa igualmente é que eu era amigo da pessoa. E, isso ela não poderia suportar. Compreendi os dois golpes de maneira adulta. Percebi que eu não era protagonista em nenhuma delas. Mas, eu teria que posicionar-me. Esse era o cerne de tudo. Fiquei refletindo sobre. Não sobre a veracidade ou juízo dos algozes, mas da minha participação. O que eu poderia aprender com tudo isso. O que representava minha atitude e como deveria ser. Obviamente que não há nenhum vitimismo ou grande chagas aqui. A questão da violência contra a mulher é um dos enormes problemas em nossa sociedade. Fato. Como pai eu temo, como amigo e cidadão idem. Todas que cercam-me. O que segue cinza é a colaboração e participação das pessoas do mesmo gênero dos algozes. Talvez esse seja um assunto que precisamos debater a qualquer momento. Eu percebi, algumas pessoas que souberam de ambas histórias também perceberam e muito provavelmente vc quem me lê vá perceber. 

Em outras palavras: como, nós, homens, principais algozes, podemos ajudar?


quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Pauta de Hoje: Melhores de 2018 - Parte 2


Pois é... Começamos o mês colocando quinze discos, sem ordem de preferência, no rol dos melhores desse ano (2018). Ficaram faltando os outros quinze para completar a lista dos TRINTA melhores álbuns (existe isso ainda? rs) do ano de 2018. 

Antes, deixo aqui meus votos de bom ano novo (apesar de tudo...ugh!) e mais respeito em 2019. Sejamos a resistência e diferença, moçada! Fiquem firmes.

Agora sim... Bora!


MELHORES DE 2018 - PARTE 2


PAUL WELLER - "True Meanings" (16 Setembro/ 2018)




BEACH HOUSE - " 7 " (11 Maio /2018)




IDLES - "Joy As An Act Of Resistance" (31 Agosto / 2018)



MUDHONEY - "Digital Garbage" (19 Setembro / 2018)




JETSTREAM PONY - "Self-Destruct Reality" (12 Julho / 2018)



BUFFALO TOM - "Quiet And Peace" (02 Março / 2018)




MOONS - "Thinking Out Loud" (25 Maio / 2018)




SONS OF KEMET - "Your Queen Is A Reptile" (30 Março / 2018)




SEUN KUTI - "Black Times" (02 Março / 2018)





CONNAN MOCKASIN - "Jazzbusters" (12 Outubro / 2018)




WILD PINK - "Yolk In The Fur" (20 Julho / 2018)




RECLUSE RACCOON - "Recluse Raccoon" (02 Outubro / 2018)




YOUNG SCUM - "Young Scum" (06 Julho / 2018)




WILD NOTHING - "Indigo" (30 Agosto / 2018)




MILD ORANGE - "Foreplay" (18 Abril / 2018)



Yeah! Vale ressaltar que essa última banda, Mild Orange, tem dois aninhos de vida. Boa chance de acompanhar a carreira deles. São da Nova Zelândia e fazem um dream pop, indie e folk e tal. Legal! 

X'mas & New Year! Beijos



terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Pauta de Hoje: Melhores - Parte I


MELHORES - PARTE I

Ufa! Que isso? Fazem quase seis meses desde a última postagem. Nunca imaginei que ficaria tanto tempo ausente. E fiquei. Obviamente que segui verbalizando e levando música no programa da rádio (Vinil FM) e nas redes sociais. Ausentei-me muito desse. Mas, como o bom filho à casa torna começarei o rol dos melhores discos do ano corrente sem ordem, diga-se de passagem. Listas são sempre polêmicas e discutíveis, porém é um belo exercício de memória, absorção e pesquisa. Antes gostaria de dizer que o meu programa, "Discos Que Amamos" entra em recesso no dia 17 de dezembro e volta em janeiro ou começo de fevereiro. Para quem ainda não o conhece: chama-se "Discos Que Amamos" na web radio Vinil FM e vai ao ar toda segunda a partir das 21 horas. Completarei dois anos em março de 2019 na radio. Uma honra. E, o programa fala sobre um disco (sempre) em especial executado de cabo a rabo com argumentos e detalhes falados por mim. Um trabalho de pesquisa e paixão. A arte como o artista concebeu: da primeira à última faixa. Difícil isso né? Mas, eu sigo em frente. Álbuns que marcaram pessoas com fino conteúdo e sons originais. Imperdível!! Deixo o site embaixo para "conferes"...



Foram escolhidos trinta discos lançados entre janeiro e dezembro desse ano (2018) dentro do rock, pop, eletrônico, indie, folk, etc... Eis os quinze primeiros:

- MOANING - "Moaning" (02 de Março / 2018)



- OUGHT - "Room Inside The World" (16 de Fevereiro / 2018)


- SHAME - " Songs Of Praise" (12 de Janeiro / 2018)



- PREOCCUPATIONS - "New Material" (23 de Março / 2018)



- STILL CORNERS - "Slow Air" (17 de Agosto / 2018)



- TAPE WAVES - "Distant Light" (06 de Junho / 2018)



- PARQUET COURTS - "Wide Awake!" (18 de Maio / 2018)



- DATAROCK - "Face Of Brutality" (09 de Março / 2018)



- CLOUD - "Plays With Fire" (09 de Março /2018)



- AIR FORMATION - "Near Miss" (12 de Março / 2018)



- EDITORS - "Violence" (08 de Março / 2018)



- TRACEY THORN - "Record" (02 de Março / 2018)



- THE VACCINES - "Combat Sports" (30 de Março / 2018)



- MELODY'S ECHO CHAMBER - "Bon Voyage" (15 de Junho / 2018)


- JOHNNY MARR - "Call The Comet" (15 de Junho / 2018)



Eita! Faltam mais quinze discos. Confesso que poria uns cinquenta ou sessenta discos desse ano. Teve boa safra. Juro! E aí? Concorda? Discorda? Faça a sua. O importante é inundar de música isso aqui...

L.