sábado, 19 de dezembro de 2020

Pauta de Hoje: Melhores 2020 - Parte 2

 

Estava faltando a segunda parte dessa seleção dos melhores álbuns do ano de 2020. Bom... Se estava não está mais! Rsrs... Hoje é o dia de completar esse rol. Os vinte e cinco restantes da lista dos CINQUENTA melhores do ano. 

Contudo, um álbum surgiu DEPOIS que essa já estava pronta. Pois é. Sir. Paul McCartney lançou seu mais novo trabalho nessa sexta-feira (dia 18 de dezembro). A obra intitulada "McCartney III" é um encerramento de uma trilogia iniciada nos anos 70. Paul lançou em 1970 o disco "McCartney I" e depois o "McCartney II" em 1980. E, nesse entremeio eu acabei degustando o novo trabalho do músico. Gostei bastante. Álbum muito redondo, criativo, heterogêneo e com canções robustas. Bela tacada do inglês. Paul fez todos os arranjos, além da produção inteira. Por isso incluo de maneira extraordinária o álbum também. Considerem esse como mais um que estaria na lista, ok? Recomendo!


MELHORES 2020 - PARTE II

Nome do álbum / Artista

“Shall We Go On Sinning So That Grace May Increase” – The Soft Pink Truth

“Every Bad” – Porridge Radio

“Heavy Lights” – US Girls

“Punisher” – Phoebe Bridgers

“Silent Places” – Houses Of Heaven

“Róisín Machine” – Róisín Murphy

“Everything Else Has Gone Wrong” – Bombay Bicycle Club

“The Unraveling” – Driver-by Truckers

“Im not a Dog on a Chain” – Morrissey

“Womb” – Purity Ring

“Women in Music Part III” – Haim

“The Black Hole Understands” – Cloud Nothings

“On Sunset” – Paul Weller

“The Waterfall II” – My Morning Jacket

“Beyond The Pale” – Jarv Is

“Telas” – Nicolas Jarr

“Even In Exile” – James Dean Bradfield

“Sugaregg” – Bully

“Songs For General Public” – The Lemon Twigs

“The Universal Want” – Doves

“Earth To Dora” – Eels

“Christmastide” – Tori Amos

“Ultramono” – Idles

“Ball Park Music” – Ball Park Music

“Energy’ – Disclosure


Peace.




quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Pauta de Hoje: Melhores - Parte 1 e Curiosidades sobre The Smiths (se é que alguém ainda liga)

 

MELHORES 2020 - Parte 1

Conforme mencionado nas redes separei 50 álbuns de muitos ritmos e selecionei os melhores desse ano. Dividi em duas partes. Hoje coloco os primeiros vinte e cinco na minha opinião.

Nome do álbum - Banda/Artista

“Protean Threat” – Osees

“By The Fire” – Thurston Moore

“A Hero’s Death” – Fontaines D.C.

“Making a New World” – Field Music

“Honeymoon” – Beach Bunny

“Suddenly” – Caribou

“Mordechai” – Khruangbin

“The Main Thing” – Real Estate

“I Love The New Sky” – Tim Burgees

“Ultimate Sucess Today” – Protomartyr

“As Long As U Are” – Future Islands

“Monument” – Molchat Doma

“Heaven a Tortured Mind” – Yves Tumor

“Magic Oneohtrix Point Never” – Oneohtrix Point Never

“Fetch The Bolt Cutters” – Fiona Apple

“Maze Of Sounds” – Janko Nilovic & The Soul Surfers

“K.G.” – King Gizzard & The Lizard Wizard

“Ur Fun” – Of Montreal

“There Is No Year” – Algiers

“Sci-Fi Sky” – Lebanon Hanover

“Supervision” – La Roux

“Sad Happy” – Circa Waves

“Earth” – EOB

“All Visible Objects” – Moby

“A Steady Drip, Drip, Drip” – Sparks 


* Os primeiros 25 álbuns de 2020


Curiosidades sobre a banda The Smiths (se é que alguém ainda liga)

Pois é... Da última vez que eu escrevi aqui nesse nem havia pandemia. Março era o mês corrente. De lá pra cá muita água rolou e ninguém ficou incólume. Aiaiaiai... Aliás, devo salientar que 2020 será um ano jamais esquecido. Podem anotar. Juro! Anote em qualquer lugar. Entre 20 a 50 anos toda uma geração citará o nefasto e ímpar ano 2020. Certo quanto o ar que respiramos. Bom... Vou aproveitar que estamos (ainda) num blog e reiterar que ainda faço rádio (Internova Radio) e tenho uma festa chamada noramusique (virtual por razões óbvias). Porém, o motivo que traz-me aqui é outro. Quero falar um pouco da banda supra citada. Não porque a banda seja alguma predileta (apesar de eu admirá-la bastante) nem por ter alguma comemoração em vista. Não. É apenas porque ela saiu do" hype". Quase nenhum lugar sério fala da banda. E, não há razão, inclusive. Mas, eu gosto de tratar de sons justamente quando não há mais nenhuma histeria, luz ou razão para tal. Esse é o momento... 

Eu procuro sempre separar coisas e/ou dados que saiam do óbvio mesmo. Mais: eu sou do tempo (aiaiai...) das cartas. Sim, das cartas postais que mandava-se aqui do Brasil para a Inglaterra ou USA. Para os fãs-clubes gringos em busca de informações e conversas. Trocando em miúdos, separei aqui alguns fatos que julgo relevantes na obra deles. Vamos a eles...



1) As canções "Frankly, Mr. Shankly", "I Know It's Over" e "There Is a Light That Never Goes Out" foram compostas na mesma noite. As três foram dedilhadas por Marr em seu violão enquanto Morrissey (aqui eu peço licença em seguir chamando-o de Moz, ok?) escrevia numa mesa no café que eles frequentavam. O ano era 1985 e eles trabalhavam na época no que viria ser "The Queen Is Dead" (1986).

2) Adicionando "Lonely Planet Boy" (New York Dolls), "Will You Love Me Tomorrow" (The Shirelles) e "Hitch Hike" (Marvin Gaye - Versão. Rolling Stones) temos boa parte da canção "There Is a Light That Never Goes Out". Pois é... Já parou para destrinchar isso? Hmmm...

3) Da primeira cerveja entre Moz e Marr até o single "This Charming Man" (considerado o ponto zero pro hype) muita coisa rolou. Desde baixistas e bateristas entrando e saindo a recusas explícitas de gravadoras grandes. A EMI chegou a considerar um "vexame" certas canções. Até uma tape chegar nas mãos de Geoff Travis da Rough Trade e, finalmente eles poderem gravar um disco. Mesmo assim alguns produtores também não agradaram. Quem fez mesmo a cabeça da gravadora foi John Porter. 
Se os fãs ouvissem como as canções eram no começo ficariam em choque. Havia todo talento ali, mas o resultado era muito ruim. Um viva aos produtores!

4) Quando lançaram "Meat Is Murder"a banda já estava em alta. Rumando ao estrelato. Reza a lenda que Moz teria enfurecido-se com Marr, pois esse havia sido flagrado numa rede de lanchonete comendo carne. O álbum levantava a bandeira do vegetarianismo (não havia ainda o termo vegan) e o cantor era bem radical. Seria uma traição sem precedentes na dupla. Além disso, ele havia conversado com os integrantes sobre isso. Essa história nunca foi confirmada nem desmentida. Mas, que dá uma polêmica genial isso dá! Rsrs

5) Os fãs e os pesquisadores sabem bem disso, mas é sempre bom recordar que Moz teve uma banda chamada "The Nosebleeds" nos anos 70. Com uma inspiração e pegada punk. Nela estavam também Billy Duffy (do The Cult) e Vini Reilly (do Durutti Column). Uau! Bandaaaaça, hein? Billy incentivou Moz a cantar depois no The Smiths.

6) O guitarrista John Maher mudou seu nome para Johnny Marr para não ser confundido com o baterista do Buzzcocks logo no começo. 

7) Moz trabalhou como crítico musical antes de ingressar na música. Ele pertenceu a grandes semanários musicais mas sua breve profissão é considerada um desastre. Detonou a música eletrônica, os Ramones e outros signos emergentes ali na época. Mostrou-se um completo amargurado e dissonante crítico.

8) O cantor tornou-se vegetariano ainda menino, por voltas do dez anos. Prática que levou a ferro e fogo desde então. A partir daí foi para o veganismo e segue sendo duro crítico a indústria alimentícia, na qual chama de indústria do assassinato!

9) A banda considera "Strangeways, Here We Come" seu melhor trabalho. Eu tendo a concordar, apesar de entender e saber do impacto do "The Queen Is Dead". Quem sabe? 

10) O "The Smiths" é citado como uma das mais importantes bandas britânicas de todos os tempos. E, estando na peleja com Beatles, Stones, WHO, Zeppelin, Cream, Joy Division etc... Um som muito particular e belo apreciado por músicos e fãs. Eles fizeram um estrago na ilha entre os anos de 82 e 87. Arrebatando séquitos até hoje.


See u Soon!


sexta-feira, 20 de março de 2020

Pauta de Hoje: Miles Davis 1926 - 1991




MILES DAVIS 1926 - 1991





Essa história começa, provavelmente, na década de oitenta. Bem possível. Numa dessas reportagens na televisão (sim, nos anos oitenta a TV tinha uma força inigualável) e eu deparei-me com a figura assustadora de Miles Davis. Óculos coloridos, jaqueta sóbria, suor no rosto e um par de olhos ESBUGALHADOS (sim... O Caps Lock aqui faz-se extremamente necessário). Um louco varrido. Uma figura estranhíssima pra mim. Eu só tinha ficado assustado assim com a figura do Ney Matogrosso no final dos anos setenta. Mas, eram situações e pessoas distintas. Bem... Consumir Miles Davis demorou um pouco mais. Dificilmente uma família põe na mesa um jazz. Na minha época era MPB, trilhas italianas e francesas e alguns clássicos do rock sessentista. Porém, eu era rato de rádio. Peguei um pouco da "disco" e do "new wave" (até mesmo o "no wave") que chegava nas ondas das FMs. Preciso ressaltar que o meu grande amor foi o pós-punk e punk. Foram os propulsores de tudo que sucedeu-se após. Mas, essa é outra história. 

Eu já tinha ouvido falar em Charlie Parker, Duke Ellington, Dizzy Gillespie, John Coltrane, Chet Baker, Charles Mingus, Ron Carter, etc... Miles Davis era algo que sempre rodeava os lugares que eu trafegava. Fosse através de uma trilha sonora ou filme e até coleções de vinis de amigos (mais velhos do que eu) e de dois tios. Quando decidi render-me ao trompetista cool do jazz comecei pelo clássico imane: "Kind Of Blue" (1959). Ouvi e chapei numa tarde dos anos oitenta. Eu não tinha "background" musical para absorver tudo aquilo, porém o som pegou-me de um jeito fora do comum. Lembro-me de ouvir "So What" no início e o baixo de Paul Chambers era tudo que eu precisava ouvir. Era chapante! Era foda! Ao mesmo tempo que a minha mente girava e aguçava meus instintos e ideias. Miles Davis remetia-me a grandes filmes. grandes películas "noir"... Essas coisas... Em suma: fui iniciado ou como dizem os mineiros: aplicado em Miles...rs

Miles nasceu nos EUA em 1926. Numa cidade pequena em Illinois. Época perigosa financeiramente falando. Três anos antes da quebra da Bolsa. Contudo, a família de Davis era abastada. Muita gente não sabe disso. Miles sempre foi privilegiado economicamente. Estudou em boas escolas e teve acesso à música logo cedo. Tornar-se músico era esperado. Sua mãe era uma pianista exímia de blues. Mas, Miles preferiu o trompete. E assim foi aprendendo e evoluindo. Em 1944, conseguiu uma vaga na banda de Parker e Gillespie por sorte. Um músico havia adoecido e ele aproveitou. A partir daí o trompetista seguiu carreira. Revezes físicos eram comuns em sua carreira: teve um tumor em sua garganta. Isso deixou sua voz rouca e fraca. Até o fim de sua vida ele conviveria com esse incômodo. O pior é que as pessoas que estavam em seu entorno debochavam do som de sua voz. Outro evento doloroso em sua vida foi um acidente de carro ele sofreu. Era de madrugada e Miles estava transtornado de cocaína e álcool quando ele perdeu o controle do carro. Quase morreu. Davis ficou quase três meses em coma e isso rendeu uma dor no quadril incurável. Miles foi ficando mais amargo. Em uma biografia ele narra vários desses revezes e como isso afetou sua confiança e amargura em relação a vida e as pessoas. Nessa época o álcool, cigarro e drogas ilícitas já eram realidades em seu cotidiano. O músico tocava sem parar e usava quantidades grandes de opiáceos e afins para aliviar as dores. Importante dizer que os ensaios com ele eram puro improvisos. MESMO. Todos os músicos que o acompanharam diziam que não havia pauta ou prévia. Ele pedia que o músico tocasse e sentisse o ritmo. Gravou assim diversos álbuns e shows. No improviso. E, todos admiravam-no imensamente. Apesar de ter um gênio forte e bravo reuniu a nata do jazz em sua companhia. Basta dizer que tocaram com ele: John Coltrane, Ron Carter, Herbie Hancock, Wayne Shorter, Tony Williams, Paul Chambers e mais tarde Gil Evans... Só fera! Todos gravaram e excursionaram em sua banda. 



Mas, pra todo gênio há seu lado sombrio... E, o dele era muito sombrio. Por conta de uma educação careta e religiosa, Miles era machista e abusivo. Sua primeira mulher, Frances Taylor, apanhou mais de uma vez devido a ciúmes infundados de Miles. Ele não admitia a carreira da mulher. Frances era uma extraordinária bailarina e muito cobiçada por homens na época. Ele chegou a tirá-la de West Side Story. Frances estava escalada e começaria os ensaios. Miles não permitiu e obrigou-a a sair do show. A atriz segurou as pontas até não dar mais. Bette Davis foi outra mulher que envolveu-se com o músico. Ela mostrou a Miles os novos caminhos da música. Na década de sessenta (final) o jazz estava em baixa e Bette apontou os caminhos pra ele. Mexeu em seu figurino, apresentou músicos de rock em ascensão e fez a cabeça no som dele. Miles mudaria pra sempre o seu som. O que fez com que alguns músicos mais puristas reclamassem. E até separassem-se. Contudo, ele seguiu em frente. Entretanto, fracassou em mais uma relação. 
Concomitante, outros demônios insistiam em conviver com o trompetista: drogas. Miles ficava constantemente chapado de cocaína e heroína. E, isso aumentava sua paranoia em relação aos outros. Reclamava e dava esporros em parceiros, mulheres e empresários. Ninguém era de confiança para ele. Ou seja: era um ciclo. Drogas, paranoia, brigas, dores físicas, drogas de novo, paranoia maior, brigas, etc... Até ele cair. E ele caiu feio. Ficou sem tocar muito tempo. Perdeu embocadura, ritmo, dinheiro e tudo mais.

Vale destacar que Miles não foi um virtuoso musical. Haviam gênios no jazz que eram verdadeiros "Mozarts" do improviso. Só que poucos eram COOLS como Miles. Ele tocava de forma singular... Melancolia na medida certa, dramático sem ser piegas, visceral como poucos. Virou quase um pop star. Começou a andar com John Lennon, Hendrix, Sly Stone, Clapton. O físico do músico era algo marcante. Quando não estava tocando ele estava boxeando. Miles praticava boxe nas horas vagas. Queria deixar o corpo em movimento. E achava que o boxe tinha a mesma "vibe" do jazz. Ritmo e improviso. 
Ao contrário de seus contemporâneos ele nunca negou o futuro. Jamais reclamou em seguir em frente. Desde que ele pudesse botar seu trompete e tocar. Misturou-se com Quincy Jones (de quem tinha ciúmes...rs), Santana (um verdadeiro fã dele), Sly Stone e Prince. Reza a lenda que foi Sly Stone quem disse a ele que ganhava muito dinheiro tocando uma hora, uma hora e meia pra brancos em shows de rock. Miles pirou!!!! 
Passou a fazê-lo. Frequentou festivais hippies clássicos nos anos setenta e oitenta. Foi pra Televisão fazer Montreaux e participar de programas de talk-show e entretenimento. Daí por diante entrou no mainstream até se aposentar. Gravou muitos discos e conseguiu reaver seu dinheiro. Até morrer em 1991 depois de um AVC e uma parada cardio-respiratória. Falecia a lenda COOL do jazz. 

Se fosse para indicar aqui discos fundamentais deixaria aqui sem ordem: "Kind of Blue" (1959), "Miles Ahead" (1957), "Quiet Nights" com Gil Evans (1963), "Bitches Brew" (1970) com um capa (abaixo) absolutamente genial! 


O músico ganhou OITO Grammy Awars, condecorado na França com a Legião de Honra, estrela na calçada da fama, Hall of Fame e Walk Of Fame em St Louis. Sem contar estátuas suas em inúmeros lugares (uma improvável na Polônia) e uma platina quádrupla pela RIAA por seu "Kind Of Blue". Yeah!


CLIC.

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Paris, França - Século XVIII


Paris, França

Calma... Apesar do pretensioso título não irei esmiuçar nesse espaço a Revolução Francesa e tampouco os dias correntes na terra de Napoleão. Não. Isso você encontra nos livros (bons) de história e nos bate-papos com professores da matéria. Deixo a pista (dica) com os mais espertos... Mas, é inegável a contribuição e exemplo que a revolução (nesse instante abdico de colocar em maiúsculo por preguiça mesmo... Feito?) dos europeus citados segue dando-nos. Basta lembrar o cenário à época, a miséria da população (massa trabalhadora), a revolta burguesa (essa consciente que o estopim estava perto) com os desmandos da realeza e o anacronismo do clero. Rsrsrs... Perceberam as sutilezas aos dias de hoje? Pois é. Porém, isso aconteceu no século XVIII, num país europeu e já com certa idade no mundo. O que muitos ainda não sabem é que mais da metade nem SABIA ler. Todos analfabetos. Contudo, tinham senso crítico e sabiam reconhecer injustiças. Sabiam que a miséria era cruel e que algo estava errado fazia muito tempo. Mesmo assim precisaram da burguesia para estourar. E estouraram! Foi um dos maiores massacres que o planeta vivenciou. Morreram milhares (eu ousaria dizer que podemos esbarrar no milhão) de pessoas assassinadas. Isso é uma revolução! Dessa luta saíram termos e nomes que até hoje repetimos como: "girondinos e jacobinos", "Guilhotina", "Bastilha", "Iluminismo", "Comuna de paris", Direitos humanos" etc... Os personagens tb: Robespierre, Danton, Marat, Luis XVI, Maria Antonieta... Todos vitimados na mesma revolução. Enfim... O que eu quero dizer com tudo isso, né? Na verdade é mais um exercício do que uma certeza. Uma ideia em evolução mesmo. A saber...


Nesse tempo reinava o absolutismo e feudalismo. Caminhamos a seguir em passos largos para a Revolução Industrial e depois aos sistemas: comunismo, socialismo e capitalismo. Sendo bem reducionista (no sentido pleno de sintetizar), de fato. Indo em direção (ao menos achava-se) sempre em nome do futuro, tecnologia, avanços e realizações não é mesmo? Pois é aí que faço o meu recorte particular. Dentro da entrada do século XX houve experimentos, avanços e novidades que mudaram em definitivo o mundo. Vieram telefone, rádio, transmissões, guerras, armas, crimes de laboratório (vírus e radioatividade), etc... Até chegarmos às comunicações e internet. Agora; se passarmos a peneira, de fato, na Humanidade (assim mesmo com "H" maiúsculo) talvez veríamos que dentro de nós sempre existiu (e eu não sei mensurar quando nem como) um clima de desconfiança. Desconfiança de tudo e de todos. E é por esse caminho que gostaria de trafegar. Porque por mais que discutamos comunismo e socialismo ou uma nova política social precisamos entender o nosso processo individual. Ademais o processo coletivo. Face ao capitalismo sempre estivemos com a faca nos dentes. Sem alívio. Isso parece-me jamais fechar. O que é terrível. Tenebroso eu diria. Pense comigo: se vivemos sempre nessa disputa, nesse acirramento, disputando corpo a corpo nosso prato de comida quando iremos curtir ou desfrutar nossa vida? Porque quem desfruta sempre está à desconfiança do próximo. Ou não? É muito comum escutar reclamações de executivos, pessoas que trabalham demais, empresários etc... A reclamação vem em combo: dinheiro, cansaço, memórias. Oras... Ou seja: estão vivendo uma vida de lamentações, consternações e automatização. Por desconfianças, disputas e/ou acirramento mataram Malcom X. Mataram Dr. King. Instalaram e conceberam uma agência como a CIA ou KGB. Inventaram um Bureau (olha aí mais uma herança da França), o FBI. Que mais agia como sombra do que qualquer outra coisa. E, isso pra ficarmos no Ocidente. Criaram uma ONU. O que é a ONU senão uma entidade para "resolver" (em aspas, sempre) conflitos internacionais com isenção. Eu lhes pergunto: vocês acreditam nisso? Jamais. Dali saíram as decisões mais covardes e convenientes para os grandes países. Enfim... Não tenho a intenção de transformar o texto numa peça de contestação. Eu já disse: são somente devaneios e pensamentos acerca do que tornamo-nos. 

Minha tristeza (e agora é um atestado, de fato) é perceber que vivemos num mundo que temos enormes feitos e conquistas, realizamos o que nenhum outro ser fez, avançamos de forma titânica em conhecimentos e "brinquedos" tecnológicos que impactaram profundamente em nossas vidas mas emperramos na tal felicidade, satisfação e desconfiança. Não conseguimos ter gozo pleno em nossas vidas. Eu não tenho e percebo que o povo em meu entorno também não tem. E, vem sempre cercado de desconfiança (essa palavra vai ecoar na sua cabeça por muito tempo) e insatisfação. Sempre. Até os Stones perceberam isso em sua famosa canção... Rsrsrs... Daí eu não sei se é algo filosófico e metafísico ou se há algo invisível intrínseco. Agora, por mais metafísico que seja é bem real em nosso corpo, mente, alma. Somos incapazes de sermos felizes e serenos de forma contínua. Não sei até hoje por qual razão. Alguns podem afirmar que a "ignorância é uma benção" e, talvez os ignorantes sejam felizes. Quem sabe? Mesmo assim até esses (ignorantes) são desconfiados. Entendem o dilema? Como viver numa sociedade sem desconfiança alguma? Ou com um nível bem, bem baixo... 
Talvez a vida jamais seja confiável. Jamais... Seja feita mesmo para viver, refletir e desconfiar sempre. Mas, que merda de herança, não? 




sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Melhores e Piores - 2019



Eu ando muito, muito relapso por aqui... Cada vez publico raramente. Eu sei. Ando tão atarefado nas redes, no labor e na vida. A rádio toma-me certo tempo e alguns sons que ando fazendo por aí. Sim, sim... Ataco de DJ vez em quando. Na verdade, eu divido e oferto sons em festas de amigos e ouvintes. Somente. Não intenciono roubar vaga de ninguém. Tudo bem "no amor". O intuito é divertir. Mas, tenho projetado um 2020 com novidades tanto na rádio como em projetos musicais. Fiquem de olho! Aos poucos irei divulgando nas redes... 

Entretanto, a listinha de fim de ano sempre foi obrigatória. Em certos anos eu capricho e divido discos, livros e filmes. Outros anos eu misturo tudo e deixo mais simples. Esse ano será simples de novo. Até pelo tempo. Estou publicando na segunda metade do mês já. Faltam onze dias para acabar o ano. Por isso tudo é que farei-a (lista) mais humilde. Coloquei em duas classificações: Melhores e Piores. Eis os nomes:


MELHORES 2019

- Coringa
- Era Uma Vez...
- O Irlandês
- Um Contratempo
- O Método Kominsky
- Bojack Horseman
- Chernobyl
- Midnight Dinner: Tokyo Stories
- Peaky Blinders
- Fargo
- Criminal (França e Alemanha)
- Flamengo
- Jorge Jesus
- Megan Rapinoe
- "O Som do Leozito" (Programa)
- Internova Radio Web
- Bacurau
- Greta Thunberg
- Fernanda Montenegro
- Fábrica Bhering (RJ) 


Reuters


PIORES 2019

- Donald Trump
- Jair Bolsonaro
- Incêndio no Ninho do Urubu
- Incêndio em Notre Dame
- Silvio Santos
- Vazamento de óleo na Venezuela
- Queimadas e Desmatamentos na Amazônia
- Crivella (Ugh!)
- Presidente da FUNARTE
- Brexit
- Boris Johnson
- Tragédia de Brumadinho
- Reforma da Previdência
- Sérgio Moro (argh)
- Olavo de Carvalho
- Feminicídio
- Repressão policial em comunidades
- Wilson Witzel (nazista)
- Queiroz (cadê?)
- Saúde Pública (RJ)





Reuters


Obs: Ambas as fotos foram premiadas entre várias outras como melhores fotos do ano de 2019. O sapo na flor de lótus no Nepal e o bebê embalado na hora do parto na bolsa da mãe. Isso foi real! Uow!!!! 


Em janeiro farei uma lista com os discos do ano de 2019. Aqueles que julguei ser os melhores. Mesmo com toda essa "vibe" medonha em nosso país o blog deseja a todos um ano melhor e paz a todos. Hohohoho...

Clic.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Pauta de Hoje: Top 10 Curiosidades R.E.M.





O post a seguir não tem nenhum ponto argumentativo ou opinativo. Tratam-se de pérolas baseadas em fatos que cercam a supra banda. Muitas delas perderam-se num tempo SEM internet ou qualquer ferramenta de busca. Importante salientar também que nenhuma curiosidade foi pautada em entrevistas ou opiniões dos integrantes. Todas foram testemunhadas e vividas por pessoas que, de algum modo, conviveram com a banda. A partir disso a informação foi testada e comprovada. 

Obs: à exceção dos fãs, poucas pessoas sabiam das seguidas... Posto isso, vamos...

TOP 10 CURIOSIDADES R.E.M.

1) A canção "Stand" do disco "Green" é a primeira música a tocar em solo marciano. Sim... A sonda que os EUA levou ao planeta em 2008 levou essa canção para "fazer contato" ou deixar memórias aos marcianos. Em nada teve de especial a escolha, mas é fato. 

2) Mediante às bandas do início dos ano 80 americanas, o REM era de longe a que tinha os integrantes mais "especialistas em som" (algo parecido com "nerds" à época). O comentário era que como a maioria (sobretudo Peter, Mike e Michael) eram ratos de lojas (Peter trabalhava em uma, inclusive) ficou a pecha de "aqueles que manjam de som." E, o REM manjava mesmo.

Obs: Não confundir com tocar muito. Eles não tocavam muito bem no começo. Manjavam de música. Pesquisa... ok?

3) A banda tem fãs famosos. Muitos. Mas, é sempre bom destacar o diretor alemão Win Wenders. Um admirador confesso. A banda também trocou figurinhas com o diretor. Filmes como "Paris, Texas", "O Amigo Americano" e até "Asas do Desejo" foram influências para o REM.

4) A banda Butthole Surfers odiava o REM. Numa determinada data em 83, 84 eles foram pra Athens e perseguiram a banda. Desde o começo tiveram uma cisma e aonde o REM estivesse eles iam atrás pra sacanear ou difamar. Chegaram a roubar a comida do camarim e qualquer benesse que lá estivesse para Stipe e cia. Anos e anos mais tarde o Butthole Surfers disse que era parte molecagem e que, no fundo, eles tinham uma certa inveja do REM. 

5) Falando em outras bandas... O "The Replacements" também já sacaneou o REM. Numa turnê juntos eles (Replacements) fizeram a limpa no camarim de Stipe e Cia. A produção do REM quiseram expulsá-los a força, mas Peter Buck (fã dos caras) minimizou. O problema é que Paul Westerberg, vocalista, era um alcoólatra e ninguém deixou bebidas alcoólicas no camarim deles. Propositalmente. No fim, o REM jogou salsichas no pessoal do Replacements de sacanagem tb. 

6) No encarte de agradecimentos de OK Computer (Radiohead) os nomes dos membros da banda aparecem em sequência: Michael, Peter, Bill e Mike. 

7) Dentro do Dead Letter Office existe a canção "Walter's Theme" Essa é na verdade uma propaganda de um restaurante de um amigo da banda. Uma espécie de "jingle". 

8) A canção "Camera" (1984) é sobre a trágica morte de uma amiga fotógrafa de Stipe. Carol Levy era famosa na cena underground e trabalhou com pessoas ligadas aos Smitherrens. Sua morte foi no meio do "hype" de "Murmur" (83) o que deixou a banda extremamente confusa. Richard Hell chegou a participar de um documentário com a fotografia assinada por ela.

9) A famosa aparição da banda no programa de David Letterman reserva algumas histórias também. Como todos sabem (deveriam saber...rs) o ano era 1983 e o REM acabara de lançar o disco "Murmur". Para divulgar eles tocaram "Radio Free Europe". Porém, a produção do programa solicitou uma segunda canção. A banda preparou algo inédito. Na hora de passar o nome da música para a produção evidenciou-se um problema: a canção NÃO tinha nome. Isso mesmo: não tinha nome. Quem quiser tirar a tima pode conferir o vídeo. David Letterman sequer menciona o nome nem a banda. Hoje sabemos que tratava-se de "So. Central Rain" (um clássico, inclusive). Ela foi lançada um ano depois do disco seguinte Reckoning". 

10) Essa última tem dedo de quem vos escreve. Rsrsrs... O disco "Reveal" foi lançado em 2001. O ano citado é justamente o mesmo que a banda veio ao Rio de Janeiro cantar no Rock in Rio. Vai juntando...rsrsrs... Quem lembra-se a banda tocou duas inéditas (o evento foi em janeiro) - o álbum sairia meses depois - e brindou os cariocas com "The Lifthing" e "She Just Wants To Be" pela primeira vez executadas ao vivo no MUNDO. Só fazer as contas... Desconfiei disso na época. Mas, não é disso que trata-se a décima curiosidade. Nesse disco existe a canção "Beachball". Quem conhece o som da banda profundamente (e eu tomo a liberdade de afirmar que conheço) sabe que "Beachball" não parece-se com NADA, absolutamente nada, do que eles já fizeram na carreira. Ao ouvir essa tive um "insight": a banda inspirou-se no Brasil. Especificamente no Rio de Janeiro. Passou-se anos e anos... Nunca consegui tirar essa impressão. Até o fatídico dia que soube por pesquisas e comentários de bastidores que a banda havia inspirado-se em "Girl From Ipanema"... Hmmmmm... Touché.
Ora... Era evidente isso. A canção é super ensolarada, diferente de tudo que haviam gravado, era o ano da primeira vez no país e o vocalista ficou bêbado e apaixonado por nossa caiprinha! Hahahaha... Impossível ser tudo coincidência, né?

Obs: O letrista Michael Stipe sempre teve mania de cartas e chuva. Se fizermos um levantamento sobre suas letras esses dois verbetes aparecem com enorme frequência. Os amigos próximos confirmam isso. 

Gostou? Um dia desses revelo mais dez, vinte curiosidade da banda. Prometo.



CLIC.


sábado, 20 de julho de 2019

Pauta de Hoje: Jerry Seinfeld, Internova Radio Web e outras coisas...


Nem eu tinha me dado conta do tempo que eu deixei de publicar esse. Tem mais de sessenta dias. Jesus! Como assim? Talvez eu não tivesse grandes coisas a comentar. Política, esportes, artes, bobagens... Quem sabe? Eu já comento muito na rádio (esse é um dos assuntos de hoje) e nas mídias sociais. Se bem que uso-as pouco. Não tenho twitter (por motivos nobres) e mal interajo no instagram (minha filha quem o fez).

Mas, isso dá uma credibilidade e "know-how" ao blog. Lê-lo é um presente meu aos leitores. Rsrsrsrsrs... Nem tanto, né? De qualquer forma seguimos a pauta...


JERRY SEINFELD

O comediante supra citado está com a temporada nova nos streamings. O delicioso "Comedians In cars (Getting Coffee)" traz convidados de classe em 2019. Já tinha fechado quase todos os episódios anteriores com destaques para: Jerry Lewis, Steve Martin, Cristoph Waltz, Seth Meyers, Tina Fey, George Wallace, Larry David, Mel Brooks e Howard Stern. Desde 2012 até a presente data. O "timing" do show é de primeira qualidade e os convidados acrescentam e muito ao roteiro. Olhem que eu nem sou fã de carros, mas até isso é um capítulo à parte. O show fisga você de alguma maneira. Nessa temporada os caras conseguiram trazer uma turma que reúne Eddie Murphy, Mathew Broderick (extremamente tímido e lacônico), Rick Gervais, Martin Short e Jamie Foxx. Uau! Pessoas que, de algum modo, entretiveram-nos num passado recente. Pois é. Recomendo o programa a todos.



INTERNOVA RADIO WEB

Sim, eu estou de casa nova. Deixei a Vinil FM depois de dois anos produzindo e apresentando o "Discos Que Amamos" e seguirei com programa novo na Internova Radio Web. Um web radio de Aracaju chefiada por Lula Mendonça. Nesse ano trarei mudanças a começar pela pauta. Saem os álbuns inteiros que eu apresentava e entram blocos com sons de minha coleção vitalícia. Músicas que fazem minha cabeça e que preenchem meu coração de alguma forma. Estarei mais livre para rolar qualquer gênero e tipo de música. O nome está escolhido e chamar-se-á "O Som do Leozito". Irá ao ar toda segunda-feira, às 22 horas pela rádio. Estreia marcada para agosto. Conto com todos vocês para brindar os bons sons e sair da mesmice radiofônica. 




"ESCUTE AQUI O QUE VOCÊ NÃO OUVE POR AÍ" 


CURTAS

- Discos novos de Flaming Lips, King Crimson, Morrissey (Grrrr...), Stella Donnely e Lingua Ignota (alcunha de Kristin Hayter). Todos já disponíveis... O negócio é não ficar parado. Esperar a música chegar não é opção. Desbravem!

- A série "Patrick Melrose" com Benedict Cumberbatch é auspiciosa. Recomendo. Tardiamente em terras brasileiras, a mesma cumpre um papel digno. E, o ator encanta mais uma vez. Vale a conferida!

- Eu saí da Vinil FM, mas deixei dois programas gravados (um ao vivo com a galera dos outros programas) e prometo colocá-los aqui no blog, na íntegra. Lembro-lhes que são INÉDITOS. Nunca foram ao ar. 



CLIC.