domingo, 1 de novembro de 2026

Pauta: UMA NOITE DE CELEBRAÇÃO DA MÚSICA (Cariocaos & Plebe Rude)

 

UMA NOITE DE CELEBRAÇÃO DA MÚSICA


Evento revisita Black Future e traz a icônica Plebe Rude. O Cariocaos homenageia o disco clássico “Eu Sou o Rio” fazendo o abre-alas para os quarenta e cinco anos da banda candanga Plebe Rude.

 

Circo Voador

Sexta-Feira, 30 de outubro de 2026

 

Texto: Leozito Rocha

Fotos: Nem Queiroz




CARIOCAOS

 

Uma noite de celebração e homenagens. O Coletivo CARIOCAOS idealizado por André Paumgartten (808 Punks) juntou uma rapaziada forte e simbólica no Circo Voador para homenagear o Black Future e seu mítico disco “Eu sou o Rio” de 1988. Esse lançado pelo Selo Plug e produzido por Thomas Pappon (Fellini) com as participações importantes de Alex Antunes (jornalista), Edgard Scandura (IRA!), Chacal (poeta), Paulo Miklos (Titãs), Edu K (De Falla), etc…

Contando com a presença do DJ Edinho, ex-guitarrista do Black Future, nas carrapetas do evento entre os shows pudemos revisitar o clima da época e dos músicos. Márcio Bandeira (Satanésio), vocalista e Carlos Antônio Matos (vulgo “Tantão), tecladista e baterista passeavam entre o público também. Um clima maravilhoso para essa linda homenagem. A ausência ficou por conta de Olmar, baixista, que não pode ir.

 

Edinho

Enfrentando alguns problemas técnicos alguns artistas levaram na raça as apresentações. Tivemos Paumgartten como MC oficial dirigindo e orientando os músicos. Começaram por volta das 21:02hs (gravem esse horário) com “Introdução: Dança da Chuva” por La Droga, seguido de “Interrupção” por Coelhinho Felpudo (experimentalismo puro). As questões técnicas começaram a melhorar ali quando o Miçanga entrou para tocar “Teatro do Horror” e os Disstantes & Vital mandaram ver na classuda faixa título “Eu Sou o Rio”.



Na plateia, Edinho, Satanésio e Tantão assistiam de forma auspiciosa a homenagem no palco. Os artistas optaram por colocar as suas versões nas canções. E, isso só engrandeceu mais e mais as homenagens. O pessoal do PCP ficaram com “Thor e Loki”. “Sinfonia para um morto” com B+P e Cesar Ninne (Finis Africae) ficou belíssima. Nos vocais Luciana Lazulli (Saara Saara) foi a cereja do bolo. Ela entrou no lugar de Ana Biancato – que por questões de saúde esteve ausente. Nesse momento já havia um murmurinho nos bastidores porque um dos produtores da Plebe Rude pedia para que o show terminasse. Lembram do horário que eu pedi para que vocês memorizassem? Pois é… O tempo parecia contado nos backstages.

Vieram então Prixxx para levar “Reflexão”, o próprio Paumgartten e Nebulosa na emblemática “Eu Quero Tocar a Lapa” e Glenda Maldita com “Piada”. E, mais uma vez o tal produtor forçava a barra para que as apresentações terminassem. Um “mala”, diga-se de passagem.

André teve que cortar a canção “Bem depois” e uma surpresa com o pessoal do próprio Black Future no palco – que seria catártico! De qualquer modo – encerrou com “No Nights” com sua 808 Punks, Cesar Ninne e Fomigão (Planet Hemp). Foi uma bela homenagem. Peguei na saída um depoimento de Satanésio sobre o que ele tinha achado. E ele estava muito feliz e enfatizou justamente a questão de subverter e dar a versão de cada artista para àquelas músicas.




 

PLEBE RUDE


Logo mais um set de Edinho, era chegada a hora da Plebe Rude. A banda celebrava quarenta e cinco anos de existência, e quarenta anos do maravilhoso “O Concreto Já Rachou”. Philippe Seabra enfatizou bastante a importância dessas datas. Perto das 22:32hs (Eu sei… Pareço maníaco com essas exatidões em horas) Philippe, André X, Clemente e Marcelo Capucci entraram no palco e começaram com “Anos de Luta” seguido de “Luzes” (cover de Escola de Escândalos – conterrâneos deles). A banda entrou numa estampa meio mod meio pós punk. Costumo falar que eles sintetizam visualmente uma simbiose entre The Clash (guardem essa informação) e Gang Of Four.

Aliás, a Plebe Rude foi uma das bandas que conseguiu reunir suas referências e regurgitar algo brasileiro. Na época com os vocais duplos de Philippe e Jander (muitos não sabem, mas cada vocalista cantava um verso distinto dentro das canções) misturados às letras ácidas e políticas davam uma MORAL enorme com os fãs. Mesmo que um desavisado não seja um profundo conhecedor ele pode pegar os dois primeiros álbuns e debulhar-se sobre as letras. Não tem como não captar a essência do que está escrito ali. 

 



Sempre ecoando os gritos de “Plebe, Plebe, Plebe” a plateia ouviu a sequência com “A Serra”, “O Que Se Faz” (com uma intro de “Teardrop” do Massive Attack na batera de Capucci) e sobretudo com a poderosa “Censura”. Putz… Que porrada!!! Um telão enorme atrás mostrava fotos antigas dos músicos, das capas dos discos ou de imagens que tinham referências ao que rolava no palco. Considero “Censura” um hino dos anos 80. Uma das letras mais debochadas e sérias do dito BRock.

Timidamente os rapazes deixavam seus recados políticos ou críticas sociais antes de alguma canção. Ou quando o público seguia com o corinho já famoso de “Ei, Bolsonaro… VTNC”. Não que eles não sejam cobras criadas na política brasileira, mas a Plebe sempre vai além. Assim começa “Este Ano” seguida de “Aurora” (Seabra desafia a plateia nessa hora). “Se você não conhece essa daqui você está no lugar errado. Vá ouvir Radio Cidade”. Para quem conhece o vocalista bem sabe como é o espírito e personalidade dele.


De um jeito devagar e belo aparece “A Ida” (minha canção predileta do disco e top 5 meu dos caras) com violão e sem bateria. Acústico mesmo. Tivemos uma cover dentro de outra cover. Um mashup ao vivo… Levaram “Dead Heart” (Midnight Oil) com Revoluções Por Minutos (RPM) intercaladas. Base dos australianos e letra dos paulistas. Depois inverteram.

Vez em quando Clemente sumia (ia ao camarim) outrora era Philippe quem saía do palco. Mas, quem saía dava lugar e luz ao outro. Seabra homenageou Clemente com “Pátria Amada” dos Inocentes e aproveitou para ressaltar os vinte e dois anos que o músico entrou para a Plebe. André X contou essa história ao vivo ali. E, coube a Clemente levar os vocais principais de algumas músicas. Como em “Seu jogo” ou em “Johhny Vai a Guerra” – com direito a rodinha punk no meio. Ainda tinha “Minha Renda” (com o telão mostrando a letra) e “Sexo & Karatê”.

Todas as canções do “O Concreto Já Rachou” foram executadas. Afinal são quarenta anos de vida. De um trabalho importante e um dos mais simbólicos do rock nacional brasiliense. Lembram que pedi para memorizar mais uma informação dentro do texto? Sobre o Clash? Pois então, sacaram “I Fought The Law” (Sonny Curtis), mas na versão dos ingleses.




Aí surgiu “Proteção”… Bom… Quando surge essa música tudo vira vinho ali. É outra esfera, outro clima, outra pegada. A banda sente que precisa ir aos limites do show. E, foram… Clemente comandou do palco e Philippe foi para o meio da plateia (os vídeos estão aí nas redes) em cima de uma caixa de som reger e cantar. No meio de tudo emendava “Pânico em SP”, “Pátria Amada”, Pela Paz em Todo Mundo” e ficou do cacete! Anárquico e político (paradoxo). Uma versão estendida de mais de dez minutos. Rapaziada fez rodinhas, dançava, cantava junto e circundava o cantor. Como eu falei: tinha que ir além dos limites!

Os plebeus saíram do palco e foram se preparar para o BIS. Voltaram rapidamente e iniciaram com “Bravo Mundo Novo” e “68”. Duas ótimas canções que dizem muito sobre a atual política mundial, né? Não é mera coincidência. Mas, faltavam dois petardos para coroar o dia (noite). E assim começou “Brasília” (uma das minhas prediletas) com sua pegada punk rock certeira e a aguardada “Até Quando Esperar”. Os caras já executaram-na de diversas formas, diversos ritmos e tal. E é sempre bom. Todo mundo cantou, dançou, gritou, cervejas foram derramadas, etc… A canção encerrou mais um show da Plebe Rude no Circo Voador. De tantos que eles já fizeram lá. E eu mesmo presenciei muitos desses. Plebe é sempre Plebe.

Leozito Rocha





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