terça-feira, 20 de junho de 2017

Pauta de Hoje: Ride (Weather Diaries), Shows, Nirvana, News, Tracks, etc...


RIDE

Que legal essa safra de bandas antigas retornando com discos novos e bacanas... Tivemos Wire, Jesus And Mary Chain, Slowdive, Depeche Mode, Ride, etc... Claro que eu acompanho as novas bandas e torço sempre pela a criatividade da moçada jovem. Que venha sempre o novo (dizia Belchior)!! Mas, não posso mentir que me dá uma alegria também ouvir bandas que residem no meu coração e lançam mão do silêncio para cair na estrada. E, com novidade, que é melhor. Posso dizer que a maioria lançou coisa bacana, com certa dose de fidelidade ao som, porém, sem nostalgia barata. Ou seja: olhando pra frente e com frescor. Esse disco do Ride é mais uma prova disso. São 11 canções redondas, boas e com a sonoridade notória da banda. Canções como "Charm Assault" e "Weather Diaries" são fiéis ao som shoegazer e ambient deles. Ao passo que "All I Want" e "Lanoy Point" acrescentam modernidade e atenção dos músicos para caminhos novos. E, tudo com bom gosto. A distorção, o clima noventista viajandão deles seguem intactos. O disco, "Weather Diaries", é o quinto do Ride. Pode parecer pouco (e é), mas eles não lançavam nada desde "Tarantula" de 1996. Mais de vinte anos passaram-se sem registro em estúdio. Muita coisa rolou de lá pra cá... Relançamentos (copilações e gigs), shows, outras bandas (Hurricane Nº 1), participações em discos aleatórios até a nova reunião em 2014. Andy Bell, Mark Gardener, Steve Queralt e Laurence Colbert estão de volta. Membros originais e doidos para mostrar serviço! Outras ótimas canções que eu destaco são: "White Sands", "Cali" e "Home Is A Feeling". Pode comprar, baixar e ouvir. Belo trabalho do Ride. Discaço! 



NEWS

- E, tem U2 no Brasil em outubro. Morumba, Sampalândia, dia 19. The Who, toca dia 21 de setembro (aniversário do finado Leonard Cohen), Paul Macca em outubro (RJ ficou de fora dos quatro shows marcados), Green Day confirmou em novembro em quatro datas e a indie PJ Harvey em novembro. Uau! Shows à beça! Agora; numa boa? Quase ignorei todos... Juro! Só tenho tesão em ver a PJ Harvey. E, nem é tanto. Os outros eu nem "tchum". U2 eu não preciso. Who eu passo. Sem metade da banda... GD eu não curto. E Paul eu já vi duas vezes... 

- Falando em show... Depeche Mode (foto) em março (SP) me faz coçar o bolso. Aí a coisa muda de figura. Até porque eu não os vi na única vez que eles vieram. E tem uma identidade e memória de uma época boa. Muito boa!


- Mudando de assunto... "Twin Peaks" segue arrebentando. Lynch e Frost acharam a sintonia e a magia do passado. A cada episódio é mais uma aula de cinema e luxo. A cabeça fica fértil e o córtex estimulado. "Fuck great"... Outra que segue bacana é "Better Call Saul". Maravilha. O "timing" da série é sensacional. A rotação idem. 

- Um clássico de Martin Scorsese, "Mean Streets" está disponível no Netflix. O filme é de 1973 e conta com Harvey Keitel e Robert de Niro. Ambos na carreira dos 30 anos e ainda "verdes" no cinema. Filme bacana e bem contado. Primeiros passos do diretor com a temática "mafia". Mas, nada muito profundo. A história enxerga mais os bairros italianos em plena Nova York. Mandem bala! 


EXPOSIÇÃO

Chega essa semana (na verdade, começa hoje, dia 20) - oficialmente - dia 22 uma mostra inédita e bastante esperada. "Nirvana - Taking Punk To The Masses" no Brasil. 
São 200 itens da banda e de Kurt, sobretudo. Duas guitarras, áudio de shows, desenhos, fotos, depoimentos, cartazes, etc. Tudo direto de Seattle. Detalhe: é a primeira vez que os objetos saem dos EUA. 

Museu Histórico Nacional
Pça Mal. Âncora, s/n - Centro - RJ

Preços variam entre cinco e dez reais de entrada. Confirmação do dia.

Até o dia 22 de agosto.

TRACKLIST

Lannoy Point (Ride)
Impermanence (Ride)
Lateral Alice (Ride)
Cali (Ride)
White Sands (Ride)
All I Want (Ride)


CLIC.


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Pauta de Hoje: Slowdive, Twin Peaks, News, Vinil FM, Siouxsie Sioux, etc...



SLOWDIVE

Depois de um término (em 1995) e seu retorno, em 2014, os ingleses viajantes do Slowdive lançaram seu mais novo álbum. "Slowdive" (2017) é o nome desse. Assim mesmo, de forma homônima. O último, "Pygmalion", de 95 foi o derradeiro registro deles. Depois disso, os membros formaram o Mojave 3. Sempre comparados com as principais bandas de shoegaze como My Bloody Valentine e Chapterhouse, o Slowdive era ainda mais etéreo. Os rótulos que mais saltavam à vista acerca deles era de um dream pop ou ambient tamanha capacidade de viajar e transmitir um som específico. O quinteto sempre primou por excelentes canções e conquistou a crítica e aos fãs desse estilo. Diria que até outras pessoas se interessaram por ser bem refinado e de bom gosto. Tudo bem que não é consenso geral, sobretudo no Brasil, ouvir um som mais dream e low, mas a mistura de estilos nunca desagradou também. Bom... Fato é que eles lançaram esse disco homônimo esse mês e ouvi com muita atenção. "Sugar For the Pill", primeiro single do álbum, é apaixonante. Versos belos e uma sonoridade ímpar. Ela se destaca um pouco no disco. "Star Roving", que saiu como single também é extremamente bela. Há referências claras neles em bandas como Cocteau Twins, Jesus And Mary Chain e Ride. Isso é um puta elogio, ok? A voz de Rachel Goswell segue inspiradíssima juntamente com Neil Halstead. Funciona demais. "Slomo", canção que abre o trabalho também é de ótimo gosto. Existe uma melancolia e um cenário mais pensativo no trabalho. Mas, não é um disco que deprime. Ao contrário. Ideal para escutar em viagens, naquele tempo que você quer dar para seus problemas cotidianos ou até mesmo degustar uma boa bebida. Arrisco a dizer que é um dos candidatos nas listinhas de fim de ano como um dos ótimos trabalhos de 2017. Oito canções lindas, criativas, carregadas de emoção e sonoridade refinada. Indicaria mais duas: "No Longer Make Time" e "Go Get It". Quando ouvi o disco arranjei uma versão com uma canção bônus:"Sugar for the Pill - Avalon Emerson's Gilded Escalation" e seus nove minutos e pouco. Um som lindo com uma batida semelhante ao Massive Attack. Maravilha!!!! Em tempo: eles estiveram semana passada em Sampa. Amigos contaram que foi divino, maravilhoso! kkk

Ouça "Star Roving"




- Saiu no Netflix os episódios novos de "Twin Peaks" de Lynch (foto). A história do assassinato de Laura Palmer (pergunta teimosa que rondava à época) retorna ao streaming para apreciação dos fãs. Quem quiser recomeçar, favor ver a série premiada dos anos 90 e depois mergulhar em novas tramas. Uma boa, hein?

- Falando no diabo...ops. David Lynch... Ele está de volta em Cannes. Exatamente por conta da série. Foi ovacionado na França. Ausente por um bom tempo, Lynch estava deveras feliz. 



- Falando em séries... Dessas novas eu curti "Dear White People". Um show que aborda o racismo e coloca em voga jovens ativistas dentro de uma universidade americana. As tramas são ágeis e mordazes (como os nossos tempos) e toca na ferida. Não espere ver nenhuma obra-prima. Não. Longe disso. Mas, eu sempre acho auspicioso abordar temas que são importantes e relevantes para nossa sociedade como um todo. Acho obrigatório, inclusive. Há de se observar e há de se agir. Acorde!

- Fiz dois programas que me orgulho no "Disco Que Amamos (Vinil FM)": Sgt Peppers, por conta de junho estar batendo a porta, e esse disco completar 50 anos - e da Siouxsie And The Banshees por a cantora completar amanhã (27) sessenta anos. Ficaram ótimos os programas. E agradeço demais a audiência. 



* Discos Que amamos vai ao ar toda segunda-feira, às 21 horas, pela Vinil FM. A produção e apresentação é minha. Seja sempre bem-vindo. 


Só clicar e dar play!

SAUDADE

É um exercício difícil conviver com saudade. Mais complicado é absorver uma saudade que nunca lhe foi plena e concreta. Refiro-me as pessoas nas quais nós nunca convivemos sequer falamos e mesmo assim deixaram um vazio no peito. Pessoas que moldaram seu desenvolvimento, cultura e estiveram, de algum modo, presentes em inúmeros momentos. Claro que a obra desses fica e sempre temos o convite em escutar, ler ou sentir tudo aquilo em suas músicas. Isso eu sempre soube. No entanto - você permanece estranho e sente o vazio, a saudade... De dois anos pra cá perdi dois homens que guardo admirações e carinho. Ugh! A vida é assim... Vez em quando me pego pensando neles e aperta o coração. Muitos chamam de sensibilidade outros de apego. Não sei. Talvez nem queira saber. Apenas gostaria de deixar registrado aqui e agora que Leonard Cohen e David Bowie fazem imensa falta. Muita. Ambos embalaram minha adolescência, juventude e maturidade. E seguirão assim. E, infelizmente não vi nenhum show de ambos. Aff... Fica a lembrança de dezenas de histórias que tenho com o som deles. Amigos, paixões e família. Na minha cabeça o "play" não para. E, segue rolando Cohen e Bowie. É isso...

TRACKLIST

I'm Your Man (Leonard Cohen)
Avalanche (Leonard Cohen)
Iodine (Leonard Cohen)
Starman (David Bowie)
Everyone Says Hi (David Bowie)
Heroes (David Bowie)



Miss you, guys...

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Pauta de Hoje: Sgt Pepper's & Stone Roses


SGT. PEPPER'S

Estamos a cerca de menos de um mês para o aniversário de cinquenta anos do supra citado álbum. O mais enigmático e glorioso da carreira dos Beatles. "Mas, Léo... Eu gosto mais do álbum branco ou do Revolver". Ok. Sem problemas. Não intenciono puxar sardinha pro disco, porém de toda discografia da banda, Pepper's (vou intimamente chamá-lo assim), é o que mais histórias e bastidores têm pra contar. Existe um fichário exclusivo do disco só com informações sobre as gravações, os arranjos, a revolução sonora e a arte da capa no google. A história começa exatamente quando a banda cria "Tomorrow Never Knows" no Revolver em 1966. Aquela sonoridade é o que John e Paul queriam a seguir na carreira dos Beatles. Dito pelos próprios e por George Martin, o produtor e quinto integrante. Paul compôs uma canção e batizou de Sgt. Pepper's. Imaginou uma banda fictícia chamada "Banda do Sargento Pimenta e os corações solitários" Era somente uma canção. Mas, Paul deu a ideia ao outros: Por que não um disco inteiro da tal banda? John e Martin toparam na hora. Afinal todos queriam um som diferente. E aí, meu amigo, trouxeram tudo que não haviam feito anteriormente e mais... Duplicaram, triplicaram sonoridades, "Reverbs", adicionaram orquestra, passaram noites com técnicas de estúdios novas e arrojadas, mudaram duas vezes de estúdio, enriqueceram as canções com elementos indianos, "microfonaram" todos os instrumentos, inverteram os canais de gravação e muito mais. Fizeram uma real revolução no estúdio. Ok...Ok... Adicionados de bastante álcool e entorpecentes. Sim! Tomaram muitos ácidos. Fato. Martin tentou uma vez desmentir, mas Paul o corrigiu. Maconha era cigarro normal... De qualquer modo o resultado foi o melhor possível. Produziram um dos melhores discos de todos os tempos. Simples assim. Qualquer lista decente de música constam Sgt Peppers e Pet Sounds (Beach Boys) lá nas cabeças. Exatamente por tudo que representou essa virada de som. Bom... Não vou ficar aqui dissertando coisas que vc pode ler por aí em suas pesquisas. O fato é que no dia 1 de junho de 1967 era lançado uma das maiores obras de arte da música popular mundial. E, contarei mais bastidores no meu programa na Vinil FM semana que vem. Avisarei nas redes sociais... Salve Sgt. Pepper's. Uma obra de arte do nosso tempo.


THE STONE ROSES

A banda de Manchester, formada nos anos 80 é tema do próximo programa "Discos Que Amamos" na Vinil FM, segunda, dia 8 de maio às 21 horas. Para quem (ainda) não sabe é o programa que eu produzo e faço toda segunda. E o disco que eu escolhi foi o primeiro. "The Stone Roses" (homônimo) lançado em 1989 e que fez um barulho imane ao fim da década. É um trabalho primoroso deles. Se na América o Nirvana estouraria dois anos depois os Stone Roses fizeram antes no Reino Unido. Mas, o trabalho só foi bem entendido depois que surgiram os "franjinhas" dos anos 90. Famosa "Madchester". Inspiral Carpets, Happy Mondays, Charlatans Uk, etc... Porém, esse trabalho de 89 é superior aos demais. Foi ressoar em bandas como Oasis e Blur posteriormente. Só pegar o disco e ouvir com atenção. Então, reforço aqui o convite: segunda, dia 8, na Vinil FM vai rolar o disco na íntegra com comentários sobre as faixas e histórias da banda de Ian Brown. Vem comigo!


TRACKLIST

Shoot You Down (The Stone Roses)
Bye Bye, Badman (The Stone Roses)
Made Of Stone (The Stone Roses)
Waterfall (The Stone Roses)
Elizabeth, My Dear (The Stone Roses)


CLIC.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pauta de Hoje: Raf. F. Guimarães Entrevistão e Mais...


Hoje o blog fará uma prestação de serviço jornalístico. Digo isso, pois entrevistei o músico carioca Rafael Guimarães, 38 anos, mentor da banda "Amigas de Plástico", produtor, compositor, outsider sem pose e talentosíssimo artista. Assinando como Raf F Guimarães o músico faz um som minimalista, instigante, etéreo e indie ao mesmo tempo. Desde a banda Amigas de Plástico, concebida no fim dos anos 90 (precisamente entre 97/98), como em seus trabalhos solos, Rafa é um especialista em estúdio. Tanto é que grava e trabalha por lá. Assina trilhas sonoras também em sua choupana. Disse-me em entrevista que aposta bastante em suas letras, apesar de muitas canções serem somente instrumentais. Mas, faz questão de deixar todas as letras disponíveis nos discos ou em seus canais na web. Afirma que os vocais não são mais do que instrumentos. Por isso não refuta-se em deixá-los em segundo plano. Enxerga a música, a obra como um todo. Isso é muito bom. Endosso suas palavras... O termo que coloquei no alto do "post" como "prestação de serviço" faz-se necessário, pois eu considero o espaço e voz de blogs, sites e afins lugares para divulgação de arte. E música é uma delas. Sobretudo quando temos arte nacional. E artistas talentosos ralando e sobrevivendo do ofício. Abaixo duas fotos desse quem vos escreve com o músico:


(Rafael e Léo Rocha)


(Rafael e Léo Rocha)


Oh... Babe I dreaming of Monday... Cantava Paul Weller em "Monday" (The Jam). Pois, nossa entrevista foi feita em plena segunda-feira no charmoso bairro de Botafogo. Entre sete, oito, vinte cervejas... Rsrsrsrs... Artistas de rua, meninas transeuntes, amendoins avulsos e um garçom argentino... Tudo condizente com a boa boemia. Raf deixa escapar que sufoca os vocais propositalmente nas canções e isso rendeu algumas discussões com seus parceiros de som. Ele gosta de provocar o ouvinte com efeitos, sons e até mesmo mantras ("13 mentiras" é uma delas) prolongados. E, que dão um clima muito bom e lírico. Cria uma atmosfera específica ao seu jeito. O músico disse-me que o faz em shows também. Hehehehe... Aditivado com outras coisitas mais... Ok...Ok... Pela Amigas de Plástico foram nove discos entre dois EPs. Além de participações em projetos alheios. Na carreira solo são três discos: "Lofi Em Mono", "Phase 3" e "Gitanes Et Toréros". Importante ressaltar que  todo esse material  está disponível para apreciação em seu site:



Nosso encontro rendeu horas de papo (foram cinco horas) e ótimas histórias. Com direito a presença de um engraxate (o sapato do músico precisava de um brilho) e um "cabra" chato embriagado que alternava de mesa em mesa pedindo cigarros. Ugh! Raf afirmou que o gótico e o industrial foram responsáveis por seu interesse musical. Alguns trabalhos a sonoridade "indie" (termo que Rafael não curte muito) sai de cena e dá lugar ao industrial, eletrônicos e "beats". Isso chamou-me atenção. No meio dos "causos" apareceu uma parceria com Will Sergeant (Echo & The Bunnymen) improvável. Rsrsrs... Mas, ela aconteceu mesmo. O que abriu mais papo, né? Somos fãs da banda inglesa. E, o mote dessa amizade foi os trabalhos de Raf. O que comprova a competência do músico. Além de habilidoso com os instrumentos, Raf mostrou-se generoso: deu-me dois presentes (cd do Freeheat e três palhetas feitas por ele) bacanas:



Obs: Freeheat é um dos projetos de Jim Reid (The Jesus & Mary Chain) com meio The Gun Club. Esse acima é o EP de estreia. Muito bom, por sinal... Procurem e ouçam...

ENTREVISTA

1) Rafa, como começou seu interesse pela música? Nos fale sobre sua formação e história.

RG: Eu era preterido pelo meu irmão que monopolizava a televisão. Não me deixava assistir nada. Daí eu ficava escutando rádio. Ouvia a Fluminense FM, Transamérica e Cidade. Na minha adolescência eu ouvia de tudo. Não era muito popular entre as meninas... Rsrsrs... O que mudaria depois quando comecei conhecer e conviver com o pessoal do rock. Tinha uma camiseta dos Ramones e isso ajudou... Rsrsrs... Lembro que minha mãe deu-me de presente o "Kiss Me Kiss Me" do The Cure e gastei a fita. Era K-7. Sobre formação eu fiz psicologia na PUC também. Levei isso pra minha vida.

2) Mas, como foi essa catalização? Quais bandas despertaram em ti o interesse real da coisa?

RG: Ao que eu me lembre foi o The Cure, não pelo som específico, pois eles mudavam muito. Por esse presente mesmo. E, alguns discos anteriores. O Echo & The Bunnymen que eu virei admirador. As guitarras de Will Sergeant conquistaram-me e o Neubauten. Enveredei-me pelo industrial, gótico e experimentalismo. 

3) Por que "Amigas de Plástico"? Certamente você já cansou de responder...

RG: De cara. Sempre. É na verdade uma ironia com aquelas patricinhas que enchem a cara de maquiagem. Um tributo! Rsrsrsrs.

4) Pensei que tinha algum cunho sexual...

RG: Já demos essa resposta também. Rsrsrs


 (Lofi Em Mono)

5) E a questão de mergulhar fundo nas produções, estúdios? O que te levou a ser mais do que um músico?

RG: Bom... Aí é uma longa história. Eu posso resumir que um amigo estragou minha guitarra brincando no volume. Detonou mesmo. Por ignorância. Então tive que mandar reparar, etc... Tudo saiu caro demais. Eu vivo de música. Desde esse dia passei a ser autodidata e aprender como funciona mesmo o instrumento. Toda parafernália elétrica e o escambau. Tudo. Da construção de uma guitarra até a sua produção. Passando por captadores, timbres, tons, pedais... Tudo. Eu monto tudo. Tem muita gente que me pede dicas de como eu fiz tal som numa música. Ou como eu distorci tal som...Etc... Crio, gravo e produzo tudo na minha casa.

6) Falando em produção e sons... Nos conte sobre Will Sergeant (guitarrista do Echo & The Bunnymen) e essa aproximação. Como deu-se isso?

RG: Isso foi muito estranho. Numa época que tinha umas vendas de garagem no E-Bay (site) eu participava. E, gostava de comprar certas coisas. Will sempre foi ativo no fórum. Muita gente não tocava-se disso. Acha que por tratar-se de um músico renomado outra pessoa iria responder por ele. Porra nenhuma. Ele adorava isso. Vivia online. E, eu ficava também. Certo dia, um dos meus pedidos não veio. Mandei um e-mail explicando. Ele leu e passou a monitorar essas coisas. Começamos a trocar algumas ideias. Sempre. Ele tem trabalhos solos eletrônicos. E o tempo passando e nós trocando figurinha...

7) Porra... Trocar figurinha com ele? Isso é do cacete!!!! Talvez ele nem deu-se conta do que estava rolando...

RG: Pois é... Eu estava admirado. Mandei coisas minhas também. E ele curtiu. Como ele e o Ian (McCulloch - vocalista) adoravam caipirinha (e cachaça) certa vez Will pediu um favor: queria que eu mandasse uma cachaça pra ele. Mandei. Daí nasceu uma parceria à distância, mas com intimidade para troca de material. Tanto que ele mandou meu primeiro trabalho pro exterior e bombou!!!! Me dei bem! Rsrsrsrs... Foi maravilhoso.



(Phase 3 - num envelope lacrado a cera)

8) Como foi essa transição da banda para a carreira solo?

RG: Foi difícil e ao mesmo tempo necessária. Insatisfações, mudanças de pensamentos e tudo mais. Já tinha material em casa meu. Uma banda sempre discute ou tem baixas, né? Porém, eu sentia uma vontade de gravar e produzir coisas que eu já tinha em casa. Segui produzindo e gravando. Até o instante que foi inevitável. Daí eu tirei um tempo para repensar (corria o ano de 2015) e ficar mais quieto. 

9) E aí? 

RG: Depois de algumas coisas mais pessoais decidi que era hora de voltar a gravar. Eu tinha lançado o Lofi e entrei na pilha de fazer o Phase 3. Tudo voltou naquele instante. Comecei a gravar e trabalhar mais e mais. Fiz dois, além de participações em projetos dos outros. Ora no Rio, ora em Sampa. 

10) Ter as letras em português é importante pra você?

RG: Muito. Faço questão de cantar no idioma. Considero um fracasso pessoal aqueles que usam letras em inglês sendo brasileiros. Deu certo com o Sepultura, mas foi só. Se eu cantasse em outro idioma estaria admitindo minha incapacidade de fazê-lo em português. 

11) Duas indicações de coisas que você acha legal. 

RG: Eu indicaria Wolvserpent. Duo americano de drone. Tem gente que chama de doom metal. Gosto bastante. E escolheria uma brasileira: Canto Cego. Uma banda daqui do Rio de Janeiro. Vocais femininos. 

12) Por último... Esse mês de abril você tem shows em São Paulo, certo?

RG: Isso. Estarei com meu show na Sensorial Discos no dia 13 de Abril e no Laje 795 dia 14 de abril. Vamos agitar São Paulo!!!!

Yeaaaah!!!


(Gitanes Et Toréros)


Além do site supra citado tem alguns vídeos do Raf F Guimarães no youtube também. Tanto da Amigas de Plástico como na carreira solo:






BIP.

terça-feira, 28 de março de 2017

Pauta de Hoje: Depeche Mode, Jesus & Mary Chain, Shows, News, Tracks


DEPECHE MODE

A banda inglesa Depeche Mode lançou mais um disco. Esse é o décimo-quarto deles. Chama-se "Spirit" é já está disponível para os fãs. Ou quem quiser ouvir. Martin Gore e Dave absorveram muita coisa de "Delta Machine" (2013) para esse novo trabalho. As canções são densas, etéreas e fortes. O DM não aposenta as guitarras, porém são deixadas a segundo plano. Menos mal, pois eles sempre foram um grupo eletrônico. E isso segue bastante presente e relevante. Tem certos momentos que o ouvinte achará tratar-se de períodos confessionais. Eu também pensei. Outrora tive a sensação do clássico DM como em canções tipo: "Where's The Revolution", "Going Backwards" ou "Worst Crime"(uma melodia e andamento que podiam estar em Black Celebration). Agora; para um disco de rock tem certos escorregões. Mas, alguém pode retrucar: o DM não é rock puro. Verdade. Então, deixemos essa pra lá. Acho que no saldo o disco é legal e contribui sim para a música. O que no fim das contas é o que as pessoas perguntam-se sempre: Será que fulano ou sicrano tem algo mais a contribuir? Sobretudo quando trata-se de uma banda de mais de 30 anos... Nesse caso: 37 anos. É bastante tempo, não? Tem sim... "So Much Love" resgata um DM puro e ao mesmo tempo olhando pra frente. Agora é esperar virar o ano e conferir o show deles aqui no Brasil. Confirmados para São Paulo no estádio do Palmeiras no dia 23 de março de 2018. Cai numa terça-feira... Parece até sacanagem... E deve ser, mas vai ser o jeito. A conferir...



Muito importante salientar que a arte está sob batuta do mestre (na minha opinião) Anton Corbjin. Isso, por si só, já é um puta selo de qualidade. Material lindo!

Ouça aí https://www.youtube.com/watch?v=eRXE9FfA4mE

Going Backwards (Depeche Mode)

JESUS & MARY CHAIN

Falando em medalhão e relevância, taí mais um caso que serve de análise. O J&MC também tem seus trinta e poucos anos de idade. Banda extremamente competente e dona de uma clássica discografia. Jim e William não lançavam nada há quase duas décadas. É muito tempo. Um hiato quase confundido com fim. Decerto que Jim seguiu fazendo suas coisas solo e William também trabalhou com outras pessoas. Ambos colaboram com sua irmã, Linda Reid, aka Sister Vanilla. Tenho acompanhado essa também. Bom... Mas, o disco agradou-me em cheio. Que falta faz esses vocais shoegazers, essa bateria programada, essas guitarras distorcidas (não como antigamente) e a vibe deles!!! Foi empatia. Desde que comecei a rolar o disco não parei de escutar cada dia uma ou duas. E, respondendo a pergunta feita no texto acima: sim... Eles seguem relevantes. Mas, o disco repete a fórmula de outros? Repete, mas dá certo. Tem frescor, punch, atitude e beleza. E acabou a frescura... One, two, three, four...Go!!! Ponto. Indico algumas canções que marcaram meu córtex: "War On Peace", "All Things Must Pass", "Facing Up To The Facts", "Song For Secret" e "Mood Rider". Atesto e dou fé. Rock da melhor qualidade e com sobras. Quiçá as bandas mais novas fizessem algo perto disso. Não o som... Mas, a relevância e a competência. Essa qualidade que a gente tanto cobra e aprecia.

Ouça aí https://www.youtube.com/watch?v=F6l3s3RbFhU

All Things Must Pass (J&MC)



NEWS

- Notícias dão conta que entre o período de 2010 e 2016, oitenta e sete mil brasileiros obtiveram a cidadania portuguesa. É o maior número já registrado. Hmmm... Tempos de crise...

- Bom... Mas, como nem tudo no velho continente são flores... A França peleja contra uma população grande de ratos. Sim, "ratos". Tanto que a cidade de Paris decidiu investir um milhão e meio de euros contra os roedores. O dinheiro será usado para a contratação de inspetores, coleta de lixo e compra de ratoeiras. Ugh! Preparem-se, roedores...

- Enfim... Estreou "Trainspotting 2" (foto) no Brasil... Quinta última o filme entrou em cartaz. Decerto que o circuito não é muito amplo, tem muita gente reclamando, mas todos deverão ir ver. Os personagens envelhecidos (como os atores) na trama dão o tempero e a medida certa para a curiosidade popular em saber como estarão aqueles amados personagens que conquistaram o público em 1996. Então: vá ao cinema (e me chame)! 

- Outro filme que despertou uma curiosidade em mim é "Era o Hotel Cambridge" de Eliane Caffé. Premiado na Espanha, essa película passou batido por mim no Festival do Rio. Faz-se necessário corrigir esse erro. 


TRACKLIST

Hero (NEU!)
Lila Engel (NEU!)
Super 16 (NEU!)
After Eight (NEU!)
Hallogalo (NEU!)

quarta-feira, 15 de março de 2017

Pauta de Hoje: Disco Que Amamos, Love (Série), Tracks, Matrix, Big Bang Theory, etc...


Tomei uma chamada dias atrás... "Léo, você está atrasando demais as postagens... " - Uau! Ao mesmo tempo que senti-me incomodado tive um quê de lisonja. Afinal de contas só é cobrado quem pode e demonstra resultado. Bacana! Porém, a demora dá-se por dois motivos: trabalho (um deles falarei abaixo) e tempo. Quando eu refiro-me a tempo é porque gosto de colocar aquilo que julgo diferente e relevante. Não gosto de "mais do mesmo". Quero que a pessoa entre, leia e pense. E ao mesmo tempo sinta-se provocadx e estimuladx. Aiaiaiaiai... Caí no velho truque de "x" para identificar ambos gêneros. Brrr... Enfim...

DISCOS QUE AMAMOS


Bom... Alguns já sabem outros não. Participo como colaborador há meses do programa "O Método Buda do Controle Mental" (já mencionado aqui) mensalmente pela vinil FM. Uma web radio que é comprometida com os bons sons e qualidade. Coisa que não rola mais nas rádios convencionais. Aliás - há tempos... Mas, semanas atrás ganhei um programa semanal com o nome acima (Discos que Amamos) pela mesma web radio. Muito honra-me, por sinal. A ideia é a seguinte: escolher um disco especial (essa seleção é muito natural, acreditem...) e tocá-lo na integra, faixa a faixa. São quatro blocos num total de uma hora de programa. Geralmente, dedico três blocos iniciais para as faixas todas e deixo o último para colocar B-sides, outtakes (faixas que ficaram fora do disco) e versões raras da banda (ou artista). Nas locuções a minha voz (Yeaaah!) contando a história do disco, repercussão à época, curiosidades, novidades (se a banda ainda estiver na ativa) e outros detalhes sobre banda/artista, etc... Suei para aprender a editar e produzir, mas deu certo. Tenho verdadeiro prazer em realizá-lo. Essa semana (13) estreou o programa com "Darklands" do Jesus And Mary Chain. O trabalho completa trinta anos esse ano. Foi muito legal... Fiquei auspicioso com a audiência e com o retorno das pessoas, sobretudo com o pessoal da rádio. Semana que vem (20) teremos "Document" do REM... Mais um que completa trinta anos também esse ano. Não necessariamente colocarei somente discos que farão datas redondas. Podemos variar, claro. Porém, quero começar assim... Tem muita coisa boa pra falar e escutar. E, a minha participação no "Método" seguirá também. Bom... Vamos ao expediente completo aqui para vocês curtirem.

Disco Que Amamos - Toda segunda-Feira - às 21hs pela Vinil FM



Basta acessar o link acima e ao lado (canto superior direito) tem um botão quadrado (parecido com "stop") e vc clica dando o "play"... Pronto! É só relaxar e curtir o álbum. Fica ao lado dos ícones do Facebook e Twitter.

LOVE

Uma série que eu ando vendo é "Love". De Paul Rust e Judd Apatow e Lesley Arfin. Judd Apatow é o mesmo de "O virgem de 40 anos" e "Ligeiramente Grávidos". O que já rende uma ótima dose de humor, mas sem pieguices e mesmice. O roteiro é bem interessante e é bem superior ao resto dessas comédias sobre relacionamentos. Paul Rust encarna o papel principal como um cara cheio de neuroses, certinho e um tanto desajeitado. Ele encontra com Mickey (encarnada por Gillian Jacobs), uma moça cheia de problemas, igualmente neurótica e com uma vida bem diferente dele. São duas pessoas perdidas em Los Angeles com questões existenciais e cotidianas. O que pegou-me na série é o conteúdo e os diálogos. Achei-os bem amarrados. Além dos personagens serem muito bem trabalhados. "Love" escancara bem os medos e dilemas atuais desse mundo moderno e louco. São duas temporadas que duram trinta minutos no máximo por episódio e bem contada. Paul Rust, dono de um nariz pra francês nenhum botar defeito lembra (eu disse: LEMBRA) Woody Allen no começo da carreira. Um tipo judeu, cheio de manias e com talento pra escrever. Quem quiser dar um confere pode acessar a Netflix. Tem lá. 


NEWS

- O Jesus And Mary Chain (que eu mencionei acima) e o Ride - dois veteranos do pós-punk estão com disco novo na praça. Estou ainda em fase de audição, mas já posso adiantar que são bons. Claro que, depois de um hiato de quase duas décadas, o som amadureceu e mudou. Porém segue a vibração e a assinatura de ambas bandas.

A saber: "TBA" - Ride / Damage And Joy - JAMC

- A Revista The Hollywood Reporter informou que a Warner Bros pensa em trabalhar a história de "Matrix". Seria contada a partir da ideia do filme, mas não trata-se de uma franquia. Seria uma nova história. Tanto é que as irmãs Wachowski (roteiristas e diretoras de Matrix) nem estão envolvidas no trabalho. E, esse, ainda está em fase embrionária.

- Um spin-off de Big Bang Theory está sendo pensado. A CBS confirmou que foi procurada e autorizada uma série sobre a infância de Sheldon Cooper. Com o nome provisório de "Young Sheldon" - a intenção é abordar como foi a infância do personagem. Sheldon teria nove anos então. De qualquer modo, a CBS avisa que está tudo certo e trabalham para estrear em 2018. A conferir...

- O filme que Orson Welles (cineasta) não findou "The Other Side Of The Wind" promete ser a grande notícia que a Netflix deve dar aos seus assinantes. Depois de dois anos lutando para financiar parece que agora vai... O grupo disponibilizou verba forte para acabar o filme do mestre. E, promete ser bem fiel ao cineasta. Vamos ver...

TRACKLIST

Charm Assault (Ride)
Home Is A Feeling (Ride)
Vapour Trail (Ride)
Amputation (JAMC)
Always Sad (JAMC)
Upside Down (JAMC)


.:

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Pauta de Hoje: Kurt Cobain!


KURT COBAIN

Já tinha ensaiado escrever algumas linhas esse mês e sobre Kurt. Aproveitei que hoje é aniversário dele, pois, se vivo faria 50 anos. Um detalhe. Acredito no suicídio. Não acho que as pessoas são egoístas por tal. Cada um vive sua vida como quer. E, se a vida é escolha, livre arbítrio, por que não escolher a hora de partir? Não é verdade? Bom... Minha história inicia-se em 1989 numa resenha acerca do Nirvana na extinta BIZZ. Trazia um texto leve recomendando a banda de Seattle. Recomendava com modestas linhas... Dito isso eu não guardei necessariamente a informação. Estava muito ocupado descobrindo Smiths, REM, The Cure, Police, New Order, etc... Mas, nunca subestime a mente de um adolescente em plena forma. A partir dessa época eu comecei a ouvir tudo, ler tudo e observar a música como paixão. Comprava LPs, revistas musicais e já entrava em shows. Foi crescendo em mim o desejo de ser músico. Mas, também tinha uma paixão por literatura. Não sabia bem o que fazer. Eu só sabia (ou intuía) que precisava ir atrás dos sons e das informações. Não havia preguiça alguma de minha parte. Uma hipermnésia, sabe? No meu entorno muitos amigos que estavam na mesma e usavam as famosas camisas de banda. Pra gente, usar uma camisa significava conhecimento pleno sobre a banda ou artista. Rsrsrs... Bem diferente dos atuais tempos, não? Oxe... Sair com uma camisa do "Echo & the Bunnymen" e sequer conhecer dignamente? Nem a pau... E, a rapaziada testava mesmo... Lembro-me de quando eu saí com a camisa do "Dead Can Dance" certa vez e muita gente boa veio falar comigo. Fiz muitos amigos. Sabia da coisa também... Outra vez foi uma do "Depeche Mode"... Uma gringa me abordou na esquina de casa. Mas, pasmem... Ela queria saber sobre a revista de moda!!!!!! Sim, sim... O nome oriunda daí... Rimos, né? De moda eu nunca soube nada. Aí mandei fazer uma do Leonard Cohen... Saía orgulhoso daquilo. Envergava meu manto como peneira dos bons sons... Rsrsrsrs... Confesso: a gente era metido mesmo. Porém, eu ainda era mancebo jovem. Tinha muito que apanhar da vida. Ok...ok... O texto é sobre Cobain... Desculpe. No verão de 1991 eu recebi o convite de minha prima para passar o reveillon e o mês de janeiro em Nova York. Olha isso!!!!! Fiquei muito excitado. Eu mal me cabia em ansiedade. Aqui no Brasil ainda mal tinha CDs e aparelhos que tocavam tal mídia. Nada. Estávamos ainda nos vinis e a coisa demorava um pouco para chegar no país. Bom... Chegando em Nova York fiquei surpreso e alegre. Quem viaja sabe como é a sensação de ver pela primeira vez pessoas com outra cultura, outro idioma, outros aspectos físicos. Claro! Entretanto - duas coisas estavam ressoando de forma pungente lá no Tio Sam: Nirvana e o novo do REM (Out Of Time), de quem eu já era apaixonado. Eu ligava a TV e lá estavam Kurt e sua trupe. Muito, muito estourados. Foi uma overdose de Nirvana o tempo todo que passei lá. Obviamente que eu comprei o CD (veja bem... CD) e outras coisas que estavam estourando nos EUA na carona deles... Recordo de uma loja gigante que transbordava música. Tinha CD de tudo que eu ouvira e não ouvira falar. Foi alegria de tarado. Apesar do limite da grana dava para levar uns quarenta a cinquenta CDs... Cada um custava dez dólares. E eu tinha mil dólares na mão. Imagine? Um pessoal da loja começou a olhar... No estilo: "Who's that fuck guy?"... Hehehehe... Comprei tudo. Mas, faltava algo importante: o aparelho. Não tinha no Brasil, lembra? O vendedor ficou louco. Era muito alegria. Enfim... Rolei "Nevermind" por dias... E, fui absorvendo as notícias sobre os caras de modo VIP. Eu não precisava esperar chegar nas revistas ou no Brasil. Estava de cara pro gol. Ressalto que foi pura sorte. Não planejei. Juro. O fato é que quando voltei tinha inúmeras coisas pra contar, uma dezena de CDs para ouvir e mostrar aos amigos, além do Nirvana que a maioria ainda não conhecia direito. Ahhhh... E som... O aparelho. Ninguém tinha do meu pessoal. Minha casa ficou sendo ponto de apoio para audições dessa "nova mídia"... Rsrsrsrs... Foi quando a banda de Seattle estourou na MTV brasileira. Veio como trunfo do novo rock. Era o grunge. Uma nova forma de vestir-se (flanelas, bermudas, etc) e uma renovação no som. Vinham de carona, Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden, Stone Temple Pilots, etc... Todos devidamente explorados na gringa e prontos para fazer muito barulho (e sucesso) por aqui. E, anos antes, Mudhoney, Melvins e Screaming Trees. Kurt sempre foi um cara diferente mesmo. Muito talentoso e cheio de manias. Estava pronto (assim achava-se) para o rock, mas não pro sucesso chato. A década de 90 foi muito intensa. Novas drogas, novas mídias, gravadoras perdidas, e um apetite fora do comum de todos para com eles (Nirvana). Sugaram até o último talo. Cobain tentou manter-se imune, porém tinha um dos piores inimigos em casa: vício. O suicídio foi um alívio para ele. Podem acreditar. Por mais que doa ou soe mal... Foi um alívio para Kurt. Peguem os especiais, biografias, documentários sobre o cantor. Verás que nada foi surpresa. Basta entrar na vida dele e observar todos os pilares que ele tinha. A saída foi essa. E, desde sua morte (sofrida por mim) eu penso que ele está bem e livre. Nos primeiros dias de abril eu estava numa festa e acabava de receber a notícia. Fiquei muito triste e chorei um pouco. O DJ fez um minuto de silêncio (juro) e rolou três da banda. Todo mundo que estava naquele dia sentiu bastante. Todos curtiam som. E a notícia, apesar de previsível, baqueou a rapaziada. A data também não ajudou muito: 5 de abril. Faço aniversário no dia 4. Puta presente de grego, mas...



TRACKLIST

Radio Friendly Unit Shifter (Nirvana)
Something in the Way (Nirvana)
You Know You're Right (Nirvana)
Love Buzz (Nirvana) - Cover
Lithium (Nirvana)
Rape Me (Nirvana)

CLIC.