segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Parte 1


PARTE 1

Seth tinha 1,80m e 82 kg. Seus cabelos eram negros e olhos azuis. Era branco. Seu rosto não tinha uma marca tampouco rugas.
Quando o avistei, ele estava com sua altura típica, mas, pesava 60 kg. Seus cabelos, os que sobraram em sua cabeça, estavam fracos e fedidos. Sua pele, pálida, disputava com a de seu avô. Seth tinha 38 anos. Olhei e com olhos marejados, fiz um esforço para não desabar e vomitar.
Lembrei de quando estávamos na Irlanda, e fomos à Belfast. Fomos à Dublin. Foi maravilhoso. Nunca tive a chance de agradecê-lo, por essa viagem.
Certa vez, indagado sobre qual viagem fincava em sua memória, Seth mencionou a nossa ida às Falésias de Moher na Irlanda. Perto do Atlântico. Fantástico.
Seth e eu ficávamos sorvendo benzina e traduzindo Joyce. “Ulisses”, era a nossa favorita. Entretanto de tanto cheirar, não entendíamos uma só palavra. Ah! Ah! Ah! Aquilo era ótimo. Dois jovens lendo Joyce, entorpecidos, na Irlanda.
E agora... Bem, agora, eu estava diante desse mesmo jovem. Em vez de benzina, AZTs da vida. Em vez de Joyce, bíblia debaixo do braço. Em vez de Irlanda, sua mal cheirosa e dura cama. Abracei-o tão forte que pensei que ia quebrá-lo. Queria envolvê-lo de força e vida, mas, a impotência humana cercava-me. Seu avô serviu-me um chá de ervas pretas. A cada gole, uma idéia para livrá-lo dali. Eu não conseguia. Eu não conseguia...  
Seth olhou-me com raiva, não de mim, mas de tudo que estava em sua volta. Ele sabia que sua morte era questão de tempo. Seth nunca foi um exemplo de otimismo e força. E eu sabia disso. Queria conversar, contudo não sabia que rumo tomar. Seth me perguntou:
- Lenny, você pode pegar meu cigarro ali em cima do criado-mudo?
- Claro! – respondi.
Seth acendeu um “Mild Seven” legítimo, olhou-me e soltou a fumaça. Aproximou-se da janela e apontou para um rio distante que aos poucos estava secando. Disse-me que acompanhou esse rio daquela janela durante esse tempo e não suportava mais. Ele nem ia vê-lo secar. Fiquei mudo. Apenas acompanhava-o. Seu avô nos deixou sozinhos.
Conversamos durante horas, choramos muito e nos abraçávamos também. Seth reclamava muito de cansaço. Durante uma ida minha ao banheiro, Seth adormecera. Achei melhor ir embora. Despedi-me de seu avô e parti.
Na volta pra casa, pensei muito em Seth. Fumei um cigarro e sentei-me num banco. Fiquei observando as pessoas. Gostava muito de fazer isso quando estava triste. Era como se eu saísse da brincadeira e deixasse os outros assumirem daquele ponto, entende? Fumei três cigarros e me dirigi até a um pub perto dali. Precisava de um “scotch” puro.
Uma mulher aproximou-se de mim no pub e perguntou se eu queria companhia. Disse que mais tarde, poderia ser. Queria ficar um pouco sozinho.
Tomei dois “scotch” puros e observei alguns casais alegres e bonitos que estavam na mesa ao lado. Quanta inveja! O amor de uma mulher e de um homem ali, sem mentiras. Certamente, eles iam terminar a noite bem melhor do que eu. Chamei aquela dama da noite que me abordara antes, servi um drinque a ela e fomos para minha casa.
Transamos feito dois animais. Dissemos baixaria um pro outro. Ela me fez carinho e massageou meu pescoço. Anita. Chamava-se Anita. Mulher madura, mãos de ouro e coração idem. Encheu-me de dengos para dormir. Tomamos um conhaque e dormimos.
Acordei de madrugada ainda, pensativo, pelado e tenso. Olhei para aquela dama dormindo profundamente ao meu lado. Pensei:
- Como é que ela conseguia dormir tão tranqüila e calma?
- Ela simplesmente trepou comigo e nem se dava ao luxo de pensar ou refletir?
Fumei um baseado e minha mente só pensava em Steph. Solidão entrara porta adentro. Eu não chorava há anos. Poeira invadira meu carpete. Logo ia amanhecer, e eu não tinha nenhum motivo para levantar ou viver. Amei muito nessa vida. Quantas mulheres moraram no meu peito! Quantas por um dia, por um mês, por uma vida...
Ilusão estampara em minha face.
Anita acordou com uma fragrância tão doce e leve. Levantou, tomou uma chuveirada e me beijou. Amou-me mais uma vez e foi embora.
Como eu queria casar naquele instante com aquela mulher infiel! Desejei Anita ali todos os dias... Anita... Mulher de corpo formoso, ruiva, branca como neve, tez de lua, lábios carnudos e rosados, seios fartos e quadril envolvente.
Levantei e fui buscar um resto de bebida. Lembrei-me que o Jornal me esperava. Fiquei de escrever uma matéria importante sobre comportamento numa cidade ali perto de Londres. Eu estava de férias, mas, tinha prometido voltar com uma matéria de capa. Arrumei minha mala, coloquei pilhas, o gravador, canetas e papéis na bolsa de colo. Peguei um mapa e meu cigarro e fui tomar um café numa rotisserie perto dali.
Precisava partir o mais cedo possível, pois, não queria dormir fora de Londres.
Peguei um trem para Birmingham.  Sentei e olhei para o vasto vale lá fora.
Trem em movimento, minha mente mais ainda. Ela estava à milhas de distância daquele trem. Lembrei da minha infância. De como eu era inatingível. Não corria perigo, a vida era uma festa, meu coração abrigava mais de uma lembrança. Solidão vivia pelos livros, pelos filmes e eu vibrava com aquela novidade.
A vida era um circo. Você assistia todo aquele perigo, mas, de longe. Sem correr o risco, sem precisar se envolver diariamente com os perigos...
Tudo era como em um musical. Até os riscos eram envoltos de música, dando a impressão de uma segurança no final. Amor era pura ousadia.
Meus pensamentos foram atrapalhados por uma confusão no vagão de trás.
Uma mulher não se sentia bem e insistia em deixar o trem. Uma figura estranha e um tanto quanto paranoica. Comecei a realizar outra mania minha: imaginar uma vida para aquela pessoa desconhecida. Imaginei que se tratava de uma senhorita cansada de sua vidinha chata ao lado do seu infiel e desatento marido.
Ela queria fugir com um rústico forasteiro, que conheceu em um baile singelo e inocente, mas, ele diferentemente do baile, sacana, a estuprou  e deixou-a deitada, nua e apaixonada atrás de uma fábrica. A mulher desde então, sonhava com este animal-homem todas as noites. O vômito era decorrente da precoce gravidez adquirida da única vez que gozou em sua vida. E a insistência em sair do trem, era o medo inerente que ainda a acompanhava desde o começo de sua vida. A herança maldita e insossa deixada por seus pais.
No fundo, tocava uma canção do The Mamas and The Papas... Típico da dona de casa, enrustida, rebelde e impotente.

E lá estava eu indo de encontro à Birmingham. Olhos fitados na paisagem e no ofuscar dos verdes das pastagens e cinzas das fumaças. Lembrei-me de um romance lido há tempos sobre o caso entre um soldado e uma meretriz do outro lado da guerra. Era um tema mais que batido, eu sei...Entretanto veio-me sem a menor permissão. Nessa hora minha mente lembrou de Seth. Até quando ele iria suportar? Até quando ele iria acordar e dizer para si que ainda valia a pena viver? Que ainda era válido alimentar-se, respirar, descansar...Viver? Eu nem queria atrever-me a tais indagações.

Segue...

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Pauta de Hoje: "Lírico, Sexy e Brutal", Narcos, Scott Fitzgerald, Desglobalização, etc...


LÍRICO, SEXY E BRUTAL


Vou colocar um pequeno conto escrito por mim cujo título é o supra citado. Dividirei em duas partes. Assim fica bacana, economiza espaço e deixa um "suspense" também. Antes que alguém pergunte: sim, o título é uma brincadeira - um trocadilho com o Lobão. Rsrsrsrs... Pelo menos a parte interessante dele. Porém, não trata-se de mais nada em comum. Foi somente pela fonética. Posto isso... Próximo "post", não percam a primeira parte do conto. Ya.

NARCOS

A segunda (e última temporada) de Narcos estreou dia 2 de setembro. Mesmo sabendo do enredo e fim muita gente correu para assistir. Particularmente, conheço muito bem a história de Pablo Escobar. Mais: conheço a história da Colômbia nesse período. Entretanto, queria ver como seria contada na visão "gringa" toda trajetória do narco traficante mais conhecido do mundo. Foram mais dez episódios até o derradeiro fim. Vale ressaltar que assisti a "novela" colombiana com quase cento e vinte capítulos onde tudo foi devidamente esmiuçado. A política, a história (colombiana), a infância e juventude da família Escobar, o futebol, as questões sociais de Pablo, as orgias, a guerra, etc... Tudo, tudo, tudo... Soma-se aos inúmeros docs. a respeito dele também que vi. É complicado analisar uma versão "pocket" assim. Porém, Narcos é um excelente documentário sobre a guerra entre os agentes da DEA (Estados Unidos) e o cartel de Medelín (Pablo). Narrado por um dos agentes americanos, a série embala e não perde o ritmo. Existem diversas contradições, mas não afetam o entretenimento de quem vê. Garanto. Wágner Moura até alivia um pouco a "persona" de Pablo. Deixa-o mais sensível e amoroso. Longe de mim insinuar que Pablito não tivesse seus momentos de carinho, sobretudo com sua família. Enfim... A série cumpre bem o papel e entrega algo digno e bom de assistir. Para quem curte cinema - observará truques do cinema que rendem belíssimas cenas e tomadas. Outro ponto para Padilha e cia. Quanto a mim, sigo com a minha visão sobre esse período funesto e terrível da história da Colômbia. E a vida segue... Seguiu, né?


NEWS

- Hoje (dia 9) é a chance de quem estiver no Rio de Janeiro ver duas bandas icônicas do Brasil: Plebe Rude e Camisa de Vênus... Ambas tocam no mítico Circo Voador. De quebra, vocês me encontram para tomar uma bela breja e papear. Topam?

- O "The Guardian" anuncia que uma obra do escritor Scott Fitzgerald foi descoberta. Trata-se de uns textos de oitenta anos atrás que o autor teria escondido de seus editores com receio de censura. A Simon & Schuster (Editora) promete publicar a obra em 2017. Hmmm... A conferir...

- A banda Wilco retorna ao país em outubro. Além de confirmada para o Festival Popload em Sampa dia 8 do mês - os rapazes de Chicago fecharam pro dia 6 de outubro no Rio de Janeiro. No Circo Voador. Ueeeeeeba!!!

- Nesse dia 10 (amanhã) de setembro completam vinte e cinco anos do single "Smells Like Teen Spirit" do Nirvana. Uma avalanche que mexeu com as estruturas em 1991. Porradão que mexeu com o marasmo do rock feito na época. 


DESGLOBALIZAÇÃO

A palavra não é nova e tampouco desconhecida. O que os anos dois mil juntou parece não ter mais a mesma força. "Globalização" era a palavra de ordem há dez, quinze anos atrás. Do ponto de vista econômico, político, social e cultural. A internet trouxe tudo isso num aperto de tecla. Porém, o que mais teme-se é o inverso: separatismo. E os motivos e exemplos são muitos. O Reino Unido mesmo deu um passo gigante com seu "Brexit" ao deixar a comunidade européia. Mais: ainda no Reino - estuda-se a construção de um muro numa cidade inglesa fronteira com outra cidade francesa afim de que imigrantes ilegais não entrem. O discurso reacionário de Trump afirmando que construiria um muro entre os EUA e o México também ressoa no mundo. Ou seja: o mundo está receoso com essa convivência geral e múltipla. A ameaça religiosa e um discurso nacionalistas de certos países estão refletindo de maneira estranha nas cabeças alheias... E o mundo está pensando... Alguns analistas políticos discordam outros preferem aguardar... Sinceramente, eu não sei. Acho apenas que devemos aprender a conviver com as diferenças. Junto ou separado. E não é o que tenho visto e lido... Ugh!

TRACKLIST

Brasília (Plebe Rude)
Proteção (Plebe Rude)
A Ida (Plebe Rude)
Minha Renda (Plebe Rude)
Censura (Plebe Rude)


RIP.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Pauta de Hoje: "Meat Is Murder", Lee Ranaldo, Goulart de Andrade (RIP), Mostra de Cinema Alumbramento, etc...


MEAT IS MURDER

Eu sei que o disco pontual desse ano dos Smiths é o "The Queen Is Dead" (completando 30 anos). E também sei que é apontado por muitos como o melhor da concisa carreira deles. Certo? Pois bem... Julgo-me um bom conhecedor dos rapazes e acho missão hercúlea tomar um disco deles como o melhor... Vá lá: o mais importante. Talvez seja mesmo o "The Queen..." Talvez... Porém, eu sempre tive o "Meat Is Murder" (85) como o melhor na minha opinião. Musicalmente falando. Faixa a faixa. Podem dizer que é gosto ou teima... Não sei... Mas, o fato é que o disco supracitado é, na minha opinião, o mais completo deles. O que sempre bateu mais fundo. Antes que algum fã condene-me é bom lembrar que são somente quatro na carreira deles: "The Smiths", "Meat Is Murder", "The Queen Is Dead" e "Strangeways Here We Come". O resto é coletânea. Aí não vale. O que significa dizer que você que pensou no "Hatful Of Hollow" ficou no vácuo... Esse não vale. É uma coletânea lançada meses depois do disco de estréia. Fato doido, inclusive... Eles lançaram coletânea com canções de vários singles e algumas do disco debutante. Deveras incomum. Contudo, o fato é que "Hatful Of Hollow" é coletânea. Não conta. Bom, de volta ao disco... Meat Is Murder é um desses trabalhos que você aprende a apreciar com o tempo. Como um scotch. A sonoridade é de alto nível, os rapazes esbanjam talento a cada faixa e sinto uma sintonia impecável entre Moz e Marr. Mais do que em qualquer outro trabalho. Juro. Eu sei que é polêmica e pessoal - sem stress. Entretanto, é assim que sinto-me quando pego o resultado final de todo o disco. Então, no "Photochart", esse disco tem uma cabeça à frente do "The Queen..." Entende? Não? Tudo bem... É bom que discordem de mim... Só para ressaltar as faixas que mais tocam-me: "The Headmaster Ritual", "Barbarism Begin At Home", "How Soon Is Now?", "Well I Wonder" e "What She Said". Qualquer uma dessa aí representa o que há de melhor da banda. Isso eu garanto. Só para dar a medida de uma delas - "Well I Wonder" - ficou de fora de todos os shows da banda (não confundir com a carreira solo de Moz) por ser considerada pela dupla muito preciosa e não viam com bons olhos a execução ao vivo dela... Rsrsrsrs... Enfim... Coisas dos Smiths. De qualquer modo é sempre bom escutar os caras... Aproveitem sempre!

Obs: "How Soon Is Now?" não foi incluída no vinil original, mas foi na versão em Cd. 


NEWS

- O guitarrista Lee Ranaldo (Sonic Youth) fará show no Rio dia 13 de setembro (terça) no Teatro Ipanema a partir das 20 horas. Uma bela pedida. O último disco de Ranaldo é muito bom. E eu resenhei-o aqui...

- Mas, bem antes disso... O grande Gerson King Combo sobe ao palco na UFF. Sexta, dia 26 agora. Valendo pelo Festival Nacional de Cultura Popular.

- Foi inaugurada no último dia 22 (segunda) uma placa em homenagem a David Bowie. Exatamente em Berlim no edifício que o cantor vivera nos anos 70 (76-78). Essa foi uma iniciativa de Michael Mueller, prefeito de Berlim. A relação da cidade com o cantor ressoa até hoje. Yeah!

- O metrô de Londres passou a ser 24 horas bem como Berlim e Nova York. Aliás - isso deveria ser automático e básico, não? Já falei que transporte público (mesmo sendo de administração privada) é direito cidadão e não demanda por dinheiro. Isso é claro pra mim. 

- Quem topa ver "Café Society", o mais novo filme de Woody Allen? Dica boa...

MOSTRA DE CINEMA ALUMBRAMENTO

Na próxima terça-feira, dia 30, começará a Mostra de Cinema Alumbramento na Caixa Cultural. Serão mais de 30 filmes do coletivo cearense em seus dez anos de trajetória. Filmes como "Sábado à Noite" (2007), "O Rio nos pertence" (2013) ou "Estrada para Ythaca" (2010) estarão entre os exibidos. Atenção: Entrada Franca! Pois é... Só comparecer...

Mais informações aqui: 

http://www20.caixa.gov.br/Paginas/Noticias/Noticia/Default.aspx?newsID=4020

TRACKLIST

Cathedral (Felt)
Birdmen (Felt)
The Stagnant Pool (Felt)
The World is As Soft As Lace (Felt)
The Optimist and the Poet (Felt)




VEM COMIGO!


RIP.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Pauta de Hoje: "The Get Down", Show Punk, Poema Sujo, Teatro Riachuelo, Festival do Rio, etc...


THE GET DOWN

A mais nova série da Netflix é sobre a música negra. Mas, não é soul music, jazz ou blues. Costumo dizer que a música negra é a gênese de tudo. Dela vieram blues, jazz, rock, ska, reggae, dub, etc... Fonte inesgotável de música. É impressionante! Para onde olhar tem a influência negra. Mas, voltando a série... Essa é mais uma sobre música. Depois de "Vinyl", uma série que causou bastante por aqui, porém não conseguiu renovar-se e sucumbiu ao ostracismo (além de ter sido cancelada), estreou no canal (Netflix) "The Get Down" de Baz Lurhmann (Moulin Rouge, O Grande Gatsby, Romeo + Julieta). Uma documentação necessária sobre o início do hip hop... Especificamente em 77. A decadência do Bronx. Nova York repartida socialmente e a música das ruas. Os elementos fundamentais para o que chamaríamos de cultura do hip hop: rap, grafiti, DJ e break. Tudo contado de maneira didática. Bem construída, por sinal. Aparecem as figuras fundamentais como Grandmaster Flash, Kurtis Blow e Kool Herc. Expoentes e visionários do som. Mas, a trama precisava de uma história para dar colchão ao tema. Nessa caótica Nova York, um jovem idealista amante das rimas e poesias conhece um aprendiz de DJ (aluno de Grandmaster Flash) e tenta montar algo como uma equipe de som. Juntamente com amigos de anos e uma menina (quase namorada) - ele penetra no underground do Bronx para compreender o que estava por trás daquele som novo (scratches e mixers). Lembrando que era a fase de ouro da "disco" e todos os lugares estavam na onda. Pegar uma batida, realizar um "scratch" ou improvisar em cima era considerado heresia com o som e com o vinil (em si). Existe uma cena que a namorada do rapper reclama que o seu DJ (dele) estava "arranhando" o disco. Era verdade. Mas, não arranhava... Rsrsrs... Ela não tinha como saber. Outra cena bacana é a explicação didática do mago Flash sobre a batida quatro por quatro. O pulo do gato é um giz de cera. Marcando exatamente o ponto em que o DJ marca o compasso. A forma como é contada prende quem curte musica e sobretudo, a história da música. O diretor derrapa um pouco em certas dramaticidades ou fantasias meio novelão latino. Contudo, ele acerta no principal: música! Os núcleos que formam-se não pegaram-me muito. São obviedades da trama. O que é bacana é o som. A forma como aquilo foi ganhando forma, cara, jeito e colocando os jovens todos da periferia como protagonistas de algo novo, fresco, ousado... Mudou por completo a maneira de expressão e de comportamento americano. Principalmente do negro e latino americano. Outro erro que ficou um pouco evidente no piloto da série foi o ego de Baz. Algumas cenas pareciam mais estar atentas ao gosto estético do diretor do que a realidade do que foi. Isso é sempre muito perigoso. Temos que lembrar que trata-se de algo verídico e que muitos viveram. O enredo precisa retratar fielmente o que aconteceu, de fato. Foram liberados seis episódios no canal e mais seis serão lançados... Completando doze episódios dessa temporada. Por ora... Tá bem bacana! Adorei a trilha sonora. Muito bom. Muito! Freestyle, bass, pauleira do hip hop. Qualidade irretocável... Experimente...


NEWS

- Seguindo no som... Os Paralamas do Sucesso juntar-se-ão a Nação Zumbi nessa sexta (19) para um show em plena Praça Mauá. Começa às 20 horas. Hmmm...

- No sábado, é a vez do peso. Ratos de Porão, Jão e Jabá unem-se no Subúrbio Alternativo para relembrar os clássicos punks. Yeaaah! "... Com muito queijo para ficar underground ..." (Rsrsrsrsrs...). Começa às 18 horas.

- A Companhia das Letras relança o clássico de Ferreira Gullar: Poema Sujo! Em comemoração aos 40 anos da obra. Ótima oportunidade para quem não leu a obra.

- Ainda um pouco longe, mas com data marcada já... O Festival do Rio desse ano pede passagem. Será de 6 de outubro à 16 de outubro. Dez dias do melhor da sétima arte. Mais informações nos próximos "posts"... Cinéfilos: atenção!

- Para quem ainda não sabe: eu participo do programa "O Método Buda do Controle Mental" pela Vinil FM (web radio). Nessa quinta (18) tem mais... A partir das 19 horas. Espero todos com ouvidos colados no site:

www.vinilfm.com.br

TEATRO RIACHUELO

Sim... Lembram do Cine Palácio, ali na Rua do Passeio? Pois é... Depois de muito tempo fechado o espaço voltará com tudo. Do começo como teatro até tornar-se um cinema clássico. Passaram muitos espetáculos e filmes por ali. Só para informação: inaugurado em 1928 - o cinema foi desativado em 2008. Mas, teve vários nomes: Cassino Nacional Brasileiro, Palace Theater, Cinema Majestic, Palácio Teatro até Cine Palácio (como foi bem conhecido) em plena Cinelândia. Sua reinauguração será dia 26 de agosto, numa sexta-feira, mas, com outro nome: Teatro Riachuelo. E, voltará a exibir espetáculos de teatro. Não haverá, por ora, nenhuma exibição de cinema. Volta as origens. 

TRACKLIST

The Message (Grandmaster Flash)
The Breaks (Kurtis Blow)
King Of Rock (RUN DMC)
Rapper's Delight (The Sugar Hill Gang)
Apache (Incredible Bongo Band)
B-Boy (Kool Herc)




SEYMOUR PAPERT
RIP.

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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Pauta de Hoje: The Au Pairs (Disco), "Stranger Things", ABL, Alan Vega (RIP), Novos Baianos, etc...


STRANGER THINGS

Pois é... Acabei rendendo-me e vendo a série. A sinopse (não lembro-me em qual site li, sinceramente) deixou-me broxa em relação ao programa. Porém - aos poucos chegaram-me melhores e maiores informações e decidi ver. Mentira! Rsrsrs... Depois que eu li que tinha Clash, Joy Division, Echo & The Bunnymen eu tomei uma decisão. Rsrsrs... A quem eu quero enganar? Fiz a imersão em duas partes: vi os cinco primeiros episódios e depois os três últimos. E por quê? Porque houve um choppinho nesse entremeio aí. E eu não sou de ferro. Yeah! Sim, sim... Todas as referências oitentistas estão lá... O sobrenatural (Stephen King e Spielberg), o grupo de meninos (Goonies), a própria década que passa-se a trama, bem como todos objetos da época. Tudo isso não é necessário para ver-se a série. Ela, de fato, é muito bem escrita pelos gêmeos "Duffer" (Matt e Ross) e com um acabamento de primeira linha. A Netflix (é mais uma original do streaming) vem transformando-se numa excelente produtora. E, nesse formato, pegou um roteiro bem amarrado com suspense, terror (???) e drama, e costurou tudo de maneira ágil, interessante e sem firulas. Claro que você precisa compreender o ambiente "nerd" dos RPGs (que não é minha praia) e deixar sua imaginação fluir. Porém, existe uma inocência em diversos núcleos. O principal é o das crianças. Central e definitivo para a trama. São quatro moleques que adoram jogos como "Dungeons And Dragons" e reúnem-se regularmente no porão de um deles. A partir do sumiço misterioso de um dos meninos inicia-se todo o enredo. Amiúde começam a aparecer os outros personagens relevantes: a mãe do menino (Winona Ryder), o delegado problemático da pacata cidade (David Harbour), o misterioso cientista causador dos problemas (Mathew Modine - que bacana surpresa!!!) e a ponte entre o mundo real e o mundo inverso (a grata e fofa menina Millie Bobby Brown possuidora de habilidades extras). Assim inaugura-se toda uma busca pelo menino e por respostas à questões mais obscuras. Não vou destacar nenhuma atuação, pois o molho do programa é a coesão entre todos (mais um ponto para a direção). Mesmo que pese-se a presença de Winona e Modine. Dois atores de linhagem ótima. Contudo, forço-me a citar a magistral performance da menina Millie, de apenas doze anos no papel de "Eleven" com suas poucas falas e expressões belas. Ela é o catalisador do charme maior disso tudo. Magra, de cabelo raspado (tive a impressão de ser um menino), frágil e quase andrógina, Millie conquista um afeto gradativo dos espectadores. Aqui temos uma dilema: ou é mérito da direção ou da própria atriz mirim. Prefiro acreditar que seja de ambos. Fatalmente - correu-se um risco calculado com esse argumento. Mas, como eu já disse, acertaram em cheio na aposta. Excelente trabalho! Pode acreditar. Quero deixar bem claro aqui que não irei citar as referências ao mundo pop dos anos 80. Isso já está dito em qualquer outro site ou "resenha" alheia. É chover no molhado. Toda cultura pop dos anos 70 e 80 exercem, de alguma forma, uma influência nessas séries atuais. Umas mais singelas e outras mais explícitas. "Stranger Things" é clara e explícita. Mas, não perca seu tempo admirando tais citações ou desejos... Vá direto ao assunto... Veja a série e divirta-se. Simples assim. Tire suas conclusões próprias e opiniões. Goste ou não. Eu gostei muito. Adorei escutar "Atmosphere" do Joy Division e "Should I Stay or Shoul I Go" do Clash (inclusive, essa torna-se uma metáfora importante no roteiro) ou "Nocturnal Me" do Echo, mesmo que de passagem... Pontaço para direção artística. E, eu sou um apreciador dessa área né? Música é o condutor perfeito para um argumento, silêncio ou fotografia de um filme. Do começo ao fim é um show muito bom e traz a sensação de ser um "clássico" instantâneo. Imagine o quão belo é isso? Roubar o tempo e perceber de imediato? "Priceless"...Rsrsrsrs... Terá segunda temporada, embora esse seja um trunfo da produção juntos aos fãs. Vai demorar... Mas, nem tanto. Lembrem-se que o núcleo juvenil está crescendo e isso nenhuma ficção ou força sobrenatural pode interromper... Hã... Nota? Hmmm... Eu daria nota 9. Belo trabalho. 


THE AU PAIRS

Quarteto inglês bastante famoso em sua terra nos anos 80. A fertilidade deles compreendeu-se entre 78 e 83. Dois discos de estúdios lançados e alguns singles. Até a distribuição de gênero era equilibrada: duas mulheres e dois homens. Um som que aproximava-se do pós-punk e lembrava Gang Of Four (sobretudo na cozinha) e Talking Heads. Eu diria muito mais... Acho que o charme da banda estava na voz de Lesley Woods (cantora afinada) e na elegância das canções. Um flerte com o jazz (ritmo e os sopros incorporados) e o minimalismo. Tem gente que enxerga até uma ponte com os B-52's do outro lado do oceano. Aceito... Mas, fato é que peguei essa "deixa" para falar do álbum de estreia lançado em 81. "Playing with a Different Sex" completa trinta e cinco em 2016. E, segue sendo algo relevante. Um clássico. Vejo pouca gente falando sobre o trabalho supracitado. Cada vez que escuto algo novo e iniciante penso nesses discos de estreia do passado. Esse aqui é sublime. Imagine pegar um disco desses e ouvir no talo coisas como "It's Obvious", "Set Up" (uma das minhas prediletas) ou "Headache for Michele"? Coisa muito fina. Uma guitarra rasgante, crua e criativa. Tudo ambientado com a famosa cozinha empolgante. "Come Again" e "We're So Cool" (faixa de abertura) - duas faixas com letras provocantes falando de relacionamento aberto, sexo e violência doméstica. Assuntos delicados, já abordados por eles, bem antes do cúspide. A versão deles para "Repetition" de Bowie é espetacular. Quase uma bossa... "Dear John" é outro petardo fantástico. A vontade é de sair dançando sem destino ou tempo. "Fuking Amazing". Sério. Se você nunca ouviu esse disco faça esse favor a si. É absurdamente bom. Muito bom! Fundamental, eu diria. Ouça! Deixo o link de uma das faixas:

https://www.youtube.com/watch?v=LDj8GwocBEw



NEWS

- Ignácio de Loyola Brandão foi homenageado na ABL esses dias pelo conjunto da obra. Natural para esse escrevente de 80 anos. Mas, o que chamou atenção foi a crítica ácida (e infelizmente verdadeira) ao pensamento crítico do brasileiro atual. Sobretudo os jovens. Não mostrou otimismo e alfinetou a massa crítica ativa no país... Ok, ok... Ele pode ser até meio casmurro, porém não está tão longe da realidade, né? Os rumores e vozes desse país são de arrepiar...

- Nosso Sebastião Salgado, grande artista brasileiro, terá amanhã (dia 28) iniciada uma exposição na Gávea. Especificamente na Galeria Silva Cintra + Box 4. São imagens belíssimas de Salgado expostas até o dia 3 de setembro. E a entrada é franca.

- E os "Novos Baianos"???? Hmmm... Farão uma turnê aqui pelo Sudeste... Sampa recebe-os nos dias 12 e 13 de agosto no Citibank Hall. No Rio - eles fazem shows dias 2 e 3 de setembro no Metropolitan. E fecham em Belo Horizonte no dia 10 de setembro no BH Hall. A turnê é do "Acabou Chorare". Discaaaaço, porém os preços estão bem salgados... Anyway...

- Falando em show... Dia 29 (sexta agora) tem Mundo Livre S.A. no Circo Voador. Programe-se. Dica

- Semana passada, faleceu o músico Alan Vega (foto) do cultuado "Suicide". Um dos duos mais importantes do protopunk (por assim dizer). Alan era músico, escultor e pintor. Estava com 78 anos e faleceu dormindo. RIP.

EXPOSIÇÃO

Outra exposição no CCBB que vai lotar... E muito! "O Triunfo da Cor" é o nome dela. Uma ode aos pintores do pós-impressionismo, Van Gogh, Toulouse, Cézane, Gaughin, entre outros... São 75 obras de 32 artistas importantes da época e do período. Uma resposta ao impressionismo de Monet, Renoir, Degas, etc no começo do séc XIX. 

Começou dia 20 de julho e vai até o dia 17 de outubro. Depois não diga que eu não avisei...

TRACKLIST

Jukebox Babe (Alan Vega)
Speedway (Alan Vega)
Lonely (Alan Vega)
Love Cry (Alan Vega)
Fireball (Alan Vega)




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sábado, 16 de julho de 2016

Pauta de Hoje: Band Of Horses, Hector Babenco, Garcia Lorca, Mercenárias, Youtube, etc...


Difícil atualizar um espaço que é destinado ao entretenimento, artes em geral... Justamente porque quem vos escreve vive no Rio de Janeiro e absorve todos esses últimos acontecimentos. É muita violência, bala perdida, falta de respeito, brigas, homicídios, etc... Vivemos à flor da pele. Porém - insisto em me divertir, sobreviver e andar na contramão disso tudo. Essa semana vimos mais uma cena de terror (dessa vez) em Nice, França. Quer dizer: há uma intolerância radical em todos os níveis e locais. Uma volta à Idade Média. De qualquer modo, sigo escutando as novidades musicais, vendo os filmes atuais e observando... 

BAND OF HORSES

Uma das coisas que me chamou atenção foi o novo trabalho do Band Of Horses. Banda americana, alternativa com um pé no folk e na cena indie. O trabalho saiu em maio/junho desse ano e chama-se "Why Are You Ok". Esse é o quinto disco deles. Curiosamente estava ouvindo o novo da PJ Harvey, Travis, do Garbage, do Red Hot e outros... Escutava sempre entre um ou outro. De repente peguei-me curtindo bastante o trabalho deles. Não tem nada de especial ou revolucionário, contudo é muito bacana. O som é redondo, harmonioso e tem conteúdo. Músicas como "Whatever, Wherever" e "Casual Party" já invadiram meu playlist pessoal. São gostosas de ouvir. Experimente pô-las numa viagem de carro ou ônibus... É uma delícia. "In a Drawer" e "Dull Times the Moon" também são duas faixas muito boas. Uma junção do indie com um pop bem feito e de fino gosto. É um trabalho para escutar com atenção. "Dull" é a canção que abre o disco e ecoa uma fase do Pink Floyd antiga. Bem interessante. Destacaria "Hag" também. Suave e lenta. Lírica, praticamente. Bom trabalho deles. Deixo aqui uma prévia:

https://www.youtube.com/watch?v=stMR1-g2f5s

Lying Under Oak

HECTOR BABENCO


Sim... Não estava programado... Infelizmente faleceu o cineasta argentino-brasileiro em decorrência de uma insuficiência respiratória. Babenco representa a união entre Brasil e Argentina na sétima arte. Ele dizia-se um exilado nos dois países. Crítico mordaz de ambas realidades, destilou toda competência desde o começo. O cineasta tinha setenta anos e uma penca de clássicos do cinema. Como não apreciar "Pixote - A Lei do mais Fraco" ou "Ironweed"? A indicação ao Oscar de "O Beijo da Mulher Aranha"? O marginal Lúcio Flávio em "Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia"? Exímios filmes de um diretor crítico e habilidoso. Num ano que perde-se Ettore Scola e Abbas Kiarostami, perdemos mais um. Descanse em paz, Héctor.


NEWS


- Mal começou julho e dois geniais escritores e pensadores foram homenageados. Hermann Hesse (dia 2) e Franz Kafka (dia 3). Datas de seus respectivos nascimentos no século XIX. Foram conterrâneos (alemães) e contemporâneos... Apesar de que Hesse naturalizou-se suíço. 

- HOJE (dia 16) teremos "As Mercenárias" no Subúrbio Alternativo. Yeaaaaah! Sandra Coutinho e Rosália retornam aos palcos. "Me Perco Nesse Tempo", "Pânico" e "Polícia" são algumas das canções esperadas no show. 

- No Instituto Cervantes, em Botafogo, será realizado um espetáculo inédito aqui no Brasil. Através do "Teatro Breve" imagens e versos de Frederico Garcia Lorca serão exibidos e interpretados. Começa dia 18 de julho e termina dia 24 de julho. Bem curta, mas singela homenagem ao poeta espanhol.

- Falando em exposição... No Paço Imperial estreou na quinta (14) - "A Emergência do contemporâneo: Vanguarda no Japão - 1950/1970". Dentre artistas japoneses, Yoko Ono e Nakamura. Hummm... Olha a dica! Fica até dia 28 de agosto.  Curtir a arte da esposa de Lennon... Srta. Ono é artista de mão cheia. 

YOUTUBE

Através de uma pesquisa feita pelo "Youtube Insights" temos um interessante perfil... Obviamente que estou referindo-me ao canal e seus dados, ok? Bom... Vamos lá... Eles categorizaram quatro assuntos/temas: Música, Videogame, Gastronomia e Beleza/Moda. A audiência ficou assim:

Música: 61% Homens - 39% Mulheres
Videogame: 76% Homens - 24% Mulheres
Gastronomia: 51% Homens - 49% Mulheres
Beleza/Moda: 21% Homens - 79% Mulheres

Três faixas etárias... Menores de 18 anos / Entre 18 e 34 / Mais de 35 anos

Em todos os temas a faixa "Entre 18 e 34" foi maioria esmagadora. Bem relevante. Bem depois vieram "Mais de 35 anos" e "Menos de 18 anos"

Não foram divulgadas as capitais (ou cidades) pesquisadas (foi feita no Brasil todo) e nem o montante da amostragem. Apenas foi relatado que realizou-se em março e abril de 2016. 

Obs1: Não precisas ficar irritado(a) se você não encaixou-se nas respostas. Eu não me encaixei também. Rsrsrs... São dados apenas. 

Obs2: A distância no quesito videogame é bem significativo. A mim não fede nem cheira. Não gosto de videogames. Rsrsrs... Mas, pretendo aumentar essa taxa musical nas mulheres.

Obs3: Foda-se o Youtube! kk

TRACKLIST

Me Perco Nesse Tempo (Mercenárias)
Polícia (Mercenárias)
Pânico (Mercenárias)
Santa Igreja (Mercenárias)
Inimigo (Mercenárias)




Be bop pibi bop



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sexta-feira, 1 de julho de 2016

Pauta de Hoje: Paulina (filme), Grateful Dead (The Other One), Bordeaux (vinho), Pós-FLIP, etc...


PAULINA

Com o título original "La Patota", Paulina é a história de uma idealista advogada filha de um juiz de muito prestígio na Argentina, e que resolve lutar por suas ideias sociais e ajudar na fronteira de seu país com o Paraguay jovens menos favorecidos. Tudo dentro do previsto até o estupro cometido por homens que ela conhecia. Há uma reviravolta imensa no filme. Paulina passa por todas as etapas de uma vítima e ao mesmo tempo tenta lutar para manter seus ideais acessos. É um filme que gera um debate infindável e oportuno. Muitas pessoas saíram da sessão falando e tentando entender toda trama. Não quero dar mais detalhes, pois acabaria com a graça da história, mas acho que toda mulher deveria ver. A partir daí gerar opiniões, argumentos e conteúdo acerca do tema. É imprescindível que discuta-se sobre estupro. Há tempos, por sinal. Quem produz o filme é Walter Salles. No protagonismo temos Dolores Fonzi (espetacular em cena), Oscar Martinez (fera do cinema latino) e Esteban Lamothe como noivo de Paulina. "La Patota" de Santiago Mitre é uma versão de um clássico igualmente argentino de 1961. E, foi aclamado em Cannes e nos outros diversos Festivais que passou. Um tema que desperta muita comoção e ponderações. Veja o filme. Um dos grandes desse ano. Pode apostar. Como diversos filmes argentinos atentem-se aos diálogos. Esse conteúdo no roteiro nos faz refletir e pensar muito. De qualquer lado. Parece que o que falta no cinema brasileiro sobra no argentino: roteiro. Bela abordagem.


Isso foi o que rolou dentro da tela... Hahahaha... Fora da tela tive uma singela experiência menos traumática, porém bem chata. Duas senhoras ao meu lado falavam alto e narravam o filme como se estivessem na sala de casa e do outro lado havia uma argentino (sim... descobri sua nacionalidade) que extremamente impaciente lançava olhares e barulhos ameaçadores para as senhoras. Lance imensamente desagradável. Isso durou bastante a ponto de me chatear e pensar seriamente em sair do local e buscar outra fila. No meio do filme ele chamou atenção delas com uma frase em espanhol dita de maneira agressiva e com o dedo em riste para as senhoras... Ficou a tensão no ar... Imagine? Dentro de um filme tenso por si só temos um "spin-off" (rsrsrs) fora da tela? Ahhhh... Enfim... Descobri meu lado budista e tratei de me concentrar no filme... Um puxão de orelha nas duas senhoras e educação e noção ao portenho grosseiro não fariam nada mal... Ugh! "Bora Ademário"

THE OTHER ONE

Sim... Título de um dos primeiros clássicos do Grateful Dead, composto por Bob Weir é também o nome desse documentário de Bob sobre sua vida com a banda e Jerry Garcia. Lançado em 2014, comprado em 2015... Chegou esse ano ao "streaming"... A canção que dá origem ao doc. é especial em amplas formas... Além de ser a primeira colaboração de Weir para os caras - Neal Cassady (a lenda Beat em pessoa) estava na composição da mesma. Ele era o mentor do jovem Weir. Moraram juntos... Todos. Pois é... Um menino que nem acabara o colégio (sua mãe implorou ao Jerry e banda para que ele terminasse o colegial) em meio aos "caras" do ácido e das drogas pesadas. Estamos em 66, 67... Naquela noite (da canção) Neal falecera - o que deixou Bob paralisado. A partir desse fato, o jovem Bob entrou no ônibus lisérgico da turma e nunca mais parou... Foi bacana conhecer muitas histórias do Grateful Dead através da memória de Bob. Garcia, o mito lisérgico, é exposto de forma educada e muy respeitosa. Toda essa idolatria sempre o chateou, pois Jerry era discreto (tentava ao menos) e não muito chegado em idolatrias, patetices e essas coisas. Mas, o fato é que a banda aproveitou e muuuuuito a fama. "The Other One" mostra o lado pessoal de Bob e Jerry. Suas famílias e dramas íntimos. Como o fato de Weir só conhecer seu pai verdadeiro depois de décadas. E ele já era muito famoso nos EUA. Bob sempre soube que era adotivo e acostumou-se com o fato. Muitas canções embalam a película e o fã da banda terá um enorme prazer em assistir. Eu, que nem tenho grandes devoções por eles, exceto a fase psicodélica mesmo - curti bastante. Claro que não posso esquecer de Phil Lesh (Baixo e autor de muitas canções também) e Bill Kreutzmann (bateria). Parceiros de crime e de música. Rsrsrsrs... Como Weir tinha a sombra da técnica de Jerry Garcia (um virtuoso guitarrista), desenvolveu um estilo único de tocar influenciando muitos guitarristas que viriam a seguir... Aparecem no filme Lee Ranaldo (Sonic Youth), Jerry Harrison (Talking Heads) e outros... Vale o confere...


NEWS

- Uma boa notícia aos amantes do vinho, especificamente, de Bordeaux... Depois de duas décadas em queda - 2015 marcou a região com as melhores safras... Opa! Nosso paladar agradece. Agora é procurar pelo ano.

- O bairro Tijuca - um dos berços de muita gente boa... Completa nesse domingo (3) duzentos e cinquenta e sete anos... Yeaaaaah! Salve Tijuca!

- Alceu Valença (Graaaaande Alceu) baixa no Circo Voador no sábado (2) às 22 hs com seu show. Levando 1kg de alimento paga-se R$ 80. Forró do "bão"... Junino

- Na "ressaca" da FLIP (que finda domingo ((3))) a Livraria da Travessa aproveita as vindas de escritores importantes e apresenta em sua loja no Leblon as mesas de mediação com Irvine Welsh (Trainspotting) na segunda-feira, dia 4, às 19 hs e o norueguês Karl Ove Knausgard na terça-feira, dia 5, às 19 hs também. 

TRACKLIST

Scarlet Begonias (Grateful Dead)
Truckin' (Grateful Dead)
The Other One (Grateful Dead)
Touch Of Grey (Grateful Dead)


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Fora Temer!