terça-feira, 18 de outubro de 2016

Pauta de Hoje: "Esse filme eu já vi", Prêmio Jabuti, El Marginal, George Méliès, Disco, News, etc...


DISCOS

Eu citei a Legião Urbana aqui no post anterior e acabei fissurado em lembranças (abaixo segue outra) musicais (sobretudo). Aos amigos que têm memórias musicais: somos iguais. E, nesse aspecto conta muito ter nascido na década de setenta e vivido a seguinte dentro do cenário artístico. Como eu já citei a Plebe, o Fellini (banda), o Picassos Falsos, Paralamas do Sucesso - o IRA! era quem deixava marcas em mim... Assim como a Legião Urbana, cujo começo remetia a juventude, a rebeldia e afins... IRA! sempre puxou temas pertinentes juvenis com um linguajar "rocker"... Só de cara vem-me uma dúzia de canções deles... Edgard Scandurra sabia como falar boa parte do que rolava "nas ruas"... A começar pela faixa "Nas Ruas" do superclássico "Vivendo e Não Aprendendo". Época boa e fértil. "Dias de Luta", "XV anos", "Envelheço na Cidade", "Flores em você" arranharam na minha vitrola. As angústias e sensações que somente jovens daquela idade (e alguns mais velhos) entendiam. "Longe de Tudo", Núcleo Base", Pobre Paulista", "Tolices", "Nasci em 62", "Receita pra se Fazer um Heroi" (tive uma namorada que conheci em razão dessa, acreditem...rs), "Rubro Zorro", "Pegue essa Arma" (Scandurra mudou o começo por parecer muito Duran Duran... Juro), "Cabeças Quentes", "Prisão das Ruas" (putz...) ou "Um dia como Hoje"... É tanta citação que transbordam as histórias. Num tempo em que ouvia-se o disco inteiro. Os dois lados (vinil, né?). "Gritos na Multidão" anunciava Edgard ou Nasi... Fui a dois shows deles... Não pensem que eram somente as meninas que vinham à cabeça. Nada... Os porres com a turma, as festinhas proibidas, as tardes com vinhos vagabundos, as praias em dias nublados (no RJ), a reunião na casa de um para escutar novos sons... Tudo! Aquele puta fora que você tomou numa "Tarde Vazia" e ninguém ligou... Rsrsrsrs... "... E me valeu o diaaaaaa ..." Às vezes não. A galera buscava a mpb também... Chico, Caetano, Gil, os Secos & Molhados, Mutantes, Clube da Esquina, etc... Mas, para a gente que tinha hormônios a mil, era necessário um "punch"... E aí fazia-se obrigatória a presença de uma guitarra e atitude. E, comigo eram os quatro primeiros trabalhos do "IRA!. Eu fiquei encantado com o sotaque paulistano deles... Era um diferencial pra mim. Quase um "Mod"... Ahhhh... As roupas também... Tudo caminhando conforme o rock. Cada um vinha com um jeito, um som, um traje ("... ponho meu capote e está tudo beeeem... Está tudo bem...") ou um estilo. Uau! Revisitei os ditos discos e a cada faixa ia lembrando-me. Depois, não contente, corri paras as entrevistas dos trabalhos. São informações relevantes. Você acaba re-conhecendo a canção. Ver e saber de detalhes de produção e ideia do cara a respeito denota novo alumbramento. Acredite! Eu não sabia os reais motivos para gostar tanto daquele som e sotaque. Eu só sabia que eu curtia demais. E, que sorte a minha de poder expressar (um pouco) de tudo aquilo. Não é nostalgia. É vivenciar a música, de fato. Do show de 81 na PUC de São Paulo a entrega da palheta de Edgard para o meu amigo num sábado vadio... Lá foram-se muitos anos. "Do caraaaaalho". Leve a mal não! 

https://www.youtube.com/watch?v=2luCOZgc8Zk

ESSE FILME EU JÁ VI

Fazendo uma busca pela memória eu me lembro de algumas frases que marcaram minha infância e adolescência... Tudo isso motivado por uma busca numa caixa de sapatos com fotos antigas que fiz no fim de semana. Pois é... A casa dos meus pais sempre foi extremamente cheia: irmãos, primos, tias, etc... Regada a muita música (daí veio todo meu "background" e despertar) e birita. Estilo italiano mesmo. Só que havia outra parte árabe também. Daí vocês podem tirar. Além do tom alto e firme das conversas (às vezes discussões) tinham algumas "sentenças" que se repetiam. No começo - eu ficava puto. Discutia e rebatia feito jovem rebelde que eu era (nunca fui santo mesmo). Em seguida, com o passar dos anos, fui percebendo que o embate só piorava as coisas. Passei a incorporar a ironia ao discurso. Isso deixava os familiares mais putos, porém eu não. Rsrsrsrs... Perfeito! Um clássico na casa era: "Esse filme eu já vi"!!!! Mesmo que fosse inédito, lançado no ano ou coisa assim... Até hoje eu escuto. E, diante da incredulância minha havia a réplica: Léo, esse não é aquele filme com o fulano? No final ele termina com aquela menina... Rsrsrsrs... Isso era sério! Eu ria somente. Devem haver... Sei lá... Uns quatro, cinco milhões de filmes por aí. E eles achavam que estavam atualizados. Na maioria das vezes não tinham visto. Acredite. Mas, tinham dias que eles acertavam. Eu cresci com bastante "bagagem" para escrever. Era só colocar a memória para trabalhar. Fato. Outra boa era quando a gente sentia fome depois das 22, 23 horas... Minha mãe mandava na lata: Vai dormir que o sono alimenta! Uau! Essa eu filtrei e vetei na educação da minha filha. Maldade, né? Nesse instante as pessoas podem pensar: Como era isso? Havia muita firmeza e retidão nas duas famílias. Os patriarcas eram casmurros e rudes. As matriarcas, cozinheiras de mãos cheias, eram donas da cozinha. Ninguém entrava incólume nesse terreno. Machista? Certamente. Mas, a casa não era minha. Agora; tudo isso levou a certas impressões da minha família sobre mim. Como eu sempre escrevi, escutei música, tinha boa oratória e um tom rebelde passaram a me respeitar e acatar minhas sentenças também. Hoje eles me acham o erudito do clã. O sábio da família. Sinceramente, não sei se tenho essa "pecha" toda não, mas eu não ligo. Prefiro achar (e saber) que todos têm um saber "x" e cada um contribui da melhor forma. Pelo menos eu tento. A sabedoria é, antes de tudo, humilde, certo? Uma última que eu ria bastante era: "Ué, não é nada, não é nada, não é porra nenhuma" !!!! Autoria da ala masculina embriagada (se bebia muito) e cercada de risos. Era divertido, no fim das contas. Família! Todos temos uma. 


NEWS


- Foi anunciada uma pequena mudança no clássico "Prêmio Jabuti" (principal honraria literária). Além dos votos de juri teremos, pela primeira vez, o voto popular. A CBL (Câmara Brasileira do Livro) - que premia os escritores juntamente com a Amazon (plataforma) entraram com a ideia de inserir os leitores para votar em tal honraria. Assim, através da plataforma dar-se-á os votos online. Hmmm... Justo.

- Comecei a ver a série argentina "El Marginal" (Marginal) no streaming... A narrativa passa-se numa penitenciária em Buenos Aires. Um policial infiltrado (fato que só é revelado no decorrer da trama) tem uma dura missão lá dentro. O ritmo é bacana. Gosto de diálogos espanhóis (castelhanos). É um policial tradicional e está divertindo... Falarei mais nos próximos posts... Quiserem tentar...


- E, mais uma vez o Depeche Mode acena com um possível show no Brasil. A banda inglesa está com álbum novo (não liberado) e pretende fazer turnê dele. Bom... Começaram os boatos de América do Sul e tal... Claro que sempre se pensa no Brasil. Ok... Mas, essa deve ser a enésima vez que eu escuto isso. Adoraria vê-los, mas só acredito mesmo quando entrarem no palco. Juro. Fica a dica e o resguardo.

- Lembram do mágico e cineasta George Méliès? Autor de "Viagem à Lua"(foto)? Um dos caras mais inventivos do cinema e colaborador de técnicas inovadoras para o mesmo. Pois então... Descobriram na República Tcheca um dos filmes perdidos do mestre. Como o nome estava trocado dentro do Arquivo em Praga nunca se deram conta. Mas, "Match de Prestidigitation" está lá. Um curta bem minúsculo, mas é original. 


TRACKLIST

Just Like Woman (Bob Dylan)
Lay Lady Lay (Bob Dylan)
Ballad of a Thin Man (Bob Dylan)
Highway 61 Revisited (Bob Dylan)
Jokerman (Bob Dylan)
Mr. Tambourine Man (Bob Dylan)


Yeah!

domingo, 9 de outubro de 2016

Pauta de Hoje: Renato Russo, Casa de Cultura Laura Alvim, Wilco, Shows, News, etc...


RENATO RUSSO

Dia 11 próximo farão 20 anos da morte do cantor da Legião Urbana. Importante data por ser um cara diferente, estiloso e sagaz. Mais que isso: liderou uma das mais relevantes bandas nacionais da música pop. Todo estudioso de música sabe da importância da banda para o cenário brasileiro. Não precisa nem de ensino médio completo para tal. Mas, deixemos isso de lado e vamos a uma simples brincadeira: como vc, homem (mulher) feito (ou não) lembra-se da primeira (ou primeiras) impress(ões)ão da música da Legião e por conseguinte da voz de Renato? Pode ser? Bom... Eu puxo a questão... O ano era 85 e eu estava em casa. Um menino sem nada pra fazer. Puxado por um primo e seu amigo mais velho (tinham 12 e 14 anos) passaram na minha humilde choupana e chamaram-me para ir a uma festa (festa estranha com gente esquisita... Eu não tô legal...rsrs) sem compromisso. Animei-me, claro. Eu conhecia RPM, Ultraje a Rigor e Paralamas somente. "Vai tocar um som maneiro, Léo, bora!". Dessa maneira eu fui. De fato, a festa tinha um monte de adolescentes mais velhos e esnobes... Mas, tinham os "outsiders"... Uma certa altura rolou um som bem agitado e chamou-me atenção. Era "Geração Coca-Cola"... Foi cantada com entusiasmo e eu curti. A marca de refrigerante nunca deixou-me esquecer. Porém, eu não compreendi a mensagem da letra. Apenas gostei mesmo. Recordo-me de ter ido ao quarto (algum cômodo) - sim, nessa época as festinhas eram nas residências mesmo - e ver algumas revistas de música e "posters" de rock. Isso animou-me. Eu começava a ficar cansado, pois eu era moleque e não tinha hábito de virar a noite. Eu tinha nove, dez anos. Pera lá tb... Rsrsrsrs... Vez em quando procurava um canto para descansar. Não queria "estragar" a festa dos caras que chamaram-me. Falei que queria relaxar (não foi esse o termo, mas) e convenci-os. Tocou pela segunda vez a tal da música... Aquilo fez-me pensar deitado. "Geração Coca-Cola"... Hmmmm... Algum tempo depois um dos caras entrou no quarto e eu aproveitei para perguntar sobre o som. "É Legião Urbana!". Nesse instante tocou "Será" - e ele emendou: essa também é deles... A melodia era diferente. Mais harmoniosa e bela. Menos "punch". E eu também gostei. O cara disse-me que os músicos eram de Brasília e que aquele era o segundo disco. Mostrou-me a capa. Fiquei olhando aquele bege/marrom claro com o escrito "Dois" no meio... A memória impede-me de narrar mais, pois não fixei mais nada... Um ano depois - pedi dinheiro e comprei o tal disco. Ouvi sem parar. Todo dia... Nesse ano - uma menina nova havia entrado na escola. Todo ano tinha, né? Os meninos em fúria... Rsrsrsrs... Claro que todos apaixonaram-se (será????) pela menina. Na minha cabeça a canção "Quase Sem Querer" era a predileta. Gostava do disco inteiro, porém essa foi a canção de amor (?) que eu identifiquei-me. Como passe de mágica associei à ela. Músicas são fodas também nesse sentido... Brrrr... Como eu estava gostando dela resolvi transcrever partes da música para ela. E, deixei dentro da mochila (eita!!!!) dela. Assinado, hein?. Eu era macho (!!!!!) pacas... Rsrsrsrs... Ela pegou, leu e sorriu. O que rolou depois disso é lenda... Outro dia eu conto. Mas, o trecho era esse: ".. E ainda estou confuso. Só que agora é diferente. Estou tão tranqüilo e tão contente..." E esse: "...Me disseram que você estava chorando. E foi então que eu percebi como lhe quero tanto ..." Por muitos anos essa música perseguiu-me. Obviamente que depois de tudo eu cresci, amadureci e passei a conhecer muito mais som... O punk brasileiro, o punk gringo, o pós-punk, o indie, underground, etc... Entretanto - a Legião Urbana sempre teve seu lugar na minha vida porque vivi (de fato) os anos oitenta como deveria: impaciente e indeciso. Confuso e tranquilo. Nah... Nem tanto. Mas, a música sempre foi o catalizador central da minha trajetória. Pelo menos até aqui: quarenta anos. Por mais que a memória traia-me terei boas histórias para contar. Como eu comprava vinis e escutava avidamente ficou um baú de memórias para contar. A Legião Urbana sempre teve essa proximidade com a juventude e suas armadilhas. E você? Como foi que ouviste a primeira vez? Conte-me. E viva Renato! "Força Sempre"




CASA DE CULTURA LAURA ALVIM

Laura Alvim foi uma atriz que não teve o menor apoio da família. A casa (que leva o nome dela) famosa e imponente em Ipanema foi sua residência desde seus oito anos de idade. Período que a mesma foi (1908-1910) construída. Depois de adulta decidiu fazer do local seu palco para declamações, espetáculos de peças e arte. Emprestava aos demais artistas para os mesmos fins. Na década de 60 passou enormes dificuldades financeiras e o local tornou-se abrigo para imigrantes nordestinos. Antes de morrer (1983) doou o casarão para fins culturais. Assim ficou. Em 1986 (três anos após a morte de Laura) foi inaugurada como Centro Cultural. Bacana né? Pois é... Já fui em peças ali e cinema também. Sempre tive uma queda pela casa. Há tempos - o Centro Cultural andava mal das pernas e uma nova reestruturação era necessária. Fechou para balanço. Depois de muito tempo a nova Casa de Cultura Laura Alvim foi reinaugurada. Especificamente no dia 19 de setembro. E que seja por um loooongo tempo. Hare!

Obs: Laura era filha de Álvaro Alvim - médico e introdutor do raio-X no Brasil. 


NEWS

- New Order vem mais uma vez ao Brasil. Uma apresentação única em São Paulo no dia 1 de dezembro no Espaço das Américas. Como Peter Hook tem uma apresentação marcada para o Brasil com a sua banda começou aquele debate em qual show ir... Rsrsrsrs... O mundo dá voltas e acaba repetindo-se, né? Quem conhece a história da banda e sobretudo dos músicos em si sabe exatamente o grau disso tudo. Porém, honestamente, a escolha que for feita será a melhor. Um ou outro (ou ambos). O que importa é ser feliz. Vai por mim... Eu sei que vi a banda com Peter e estou muito feliz. Rsrsrsrs... O resto é lucro.

- Rock in Rio 2017 começa a destacar seus line-ups... Hmmmm... Red Hot Chilli Peppers, Aerosmith, Maroon 5... What????? Se o Lolla já estava chato imagine o RIR? Remendos de bandas duvidosas e um (mau) gosto do cacete! Terrível. A família Medina é um engodo nesse meio. Enfim... Bom show a quem for. 

- Show bacanudo mesmo foi do Wilco essa semana. Estou correndo atrás na rede para ver o máximo de músicas que eles tocaram... Amigos e amigas adoraram! O Circo adorou. Foram duas horas e meia de deleite aos fãs. Eu assisti-os em 2005. Foi ótimo. Parece que esse foi melhor ainda. Eita! Muita gente boa saiu de outros estados para ver esse show. Gente do ramo, hein? Boa! Muito boa.

- Recomendo fortemente a exposição do fotógrafo Alberto de Sampaio. Ela está no Centro Cultural dos Correios, no Centro. Ela começou dia 6 de outubro e fica até o dia 4 de dezembro... De graça... É uma homenagem a fotografia amadora. São imagens lindas do Rio de Janeiro de uma época distante. Tem uma da Avenida Rio Branco lindíssima, dividida em PB... Outra melhor do morro do Castelo com a pedra SEM o Cristo Redentor (foto). Lindo, lindo! Outra de Copacabana ainda cercada de casas e fazendas com a areia deserta. Uau! Merece muito ser vista. Aproveite!



TRACKLIST

Sit Down (James)
Laid (James)
Sometimes (James)
She's a Jar (Wilco)
California Stars (Wilco)
Jesus, Etc (Wilco)




Yeaaaah!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Pauta de Hoje: 2ª Parte


SEGUINDO...

PARTE 2

Caso eu não tenha apresentado Steph - ela era minha melhor amiga. Mulher prolixa, sábia, com uma mente ácida e engraçada. Ela era professora de História e minha confidente. Não saberia viver sem ela. Infelizmente, adoecera e tratou de esconder de todos o que acometera. Inclusive pra mim. Aquilo deixava-me transtornado. Enfim... Birmingham, cidade-destino talvez me trouxesse paz e serenidade. Passei a planejar um pouco de saúde para mim. Comer bem, respirar um tipo de vida “low profile”, acordar cedo, bebericar de maneira responsável e com os sábios velhos ingleses.

Foi servido um café no trem, mas, preferi um chá de ervas aromáticas. Estava começando a me aclimatar com a mudança de estilo. Decerto, me senti meio fresco, mas, era preciso. Cheguei de noite. Avistei um simpático pub britânico e entrei. Pedi uma vodka Polonesa que era um dos carros-chefe no cardápio de bebidas. Pra acompanhar, uma torta de amora. Diferente de Londres, as pessoas ali tinham uma certa alegria e calor. Divertiam-se com muitas piadas e emoção. Transmitiam isso...
Eu revia alguns dos materiais que já tinha e começava a formatá-lo para o jornal. Separava o que de mais novo e construtivo fosse. Deixava de fora alguns excessos banais. De repente, comecei a indagar-me sobre o real motivo de estar ali. Eu já havia cumprido a minha primeira missão de ver meu grande e infeliz amigo Seth. Doía não poder fazer muito ou não passar os dias restantes com ele. Quiçá sanar suas dores. E estava bem encaminhado na minha missão profissional. O que faria depois disso?
Voltaria pra casa? Procuraria por Steph? Por Seth?
E de que adiantou ter encontrado-os por alguns poucos dias?
Qual era o genuíno significado disso tudo?
De lá fui para o hotel mais perto. Não ficaria muito tempo mesmo. Liguei para a casa de Seth... Havia passado alguns dias. 
O telefone chama e quem atende não é Seth:
- Lenny?
- Sim. Quem fala?
- Sou eu Lenny, avô de Seth.
- Ah, sim. Como vai o senhor?
- Lenny: Seth faleceu!!!!
- Como?
- Seth faleceu.
- Meu deus!!!!! Estou indo direto para aí...
Peguei o primeiro trem para casa de Seth. Lá cheguei e o encontrei no chão com sangue. Bastante sangue. “Ué, não foi a doença? “ – pensei comigo.
Diante do meu semblante o avô de Seth explicara que seu neto havia cometido suicídio.
Desabei nesse instante. Perdia ali, de fato, um dos meus maiores amigos. Uma das pessoas mais generosas que esse mundo conheceu e homem de princípios idôneos. Um filósofo por excelência.
Seth apenas iria engordar os números de casos de suicídios no País. Apenas...Viraria um número tão somente. Algo na qual ele mais odiava: a desumanização inexorável da vida.
Olhava para Steph e fintava seus olhos com imperativa raiva. Ela entendera o recado.
O Funeral de Seth foi simples, porém profundo. Ao menos para mim. Ele foi enterrado num campo bonito, repleto de verde e ternura. Seu avô me concedera a honra de emitir algumas palavras antes de terminar o enterro.
Parei, pensei...Pedi desculpas aos mais idosos e acendi um cigarro. Comecei meu pequeno discurso com um palavrão proferido com todo poder do meu pulmão...Isso embaraçou alguns presentes, mas eu não estava nem aí...
"Seth foi um dos homens mais circunspecto que eu havia conhecido. Dono de uma generosidade notória e coração puro. Ali naquele caixão não tinha mais meu amigo; ali jazia carne morta. Ele já estava em outro plano, fumando e nos observando. Mais sábio e mais experiente nesse momento. Era isso que ele procuraria primeiro ao morrer. Tinha certeza disso. Seth: foste um homem na concepção e propriedade da palavra. E decidiu a hora de parar. Pois, ele tinha o controle de sua vida. Ao perder – manteve-se fiel até o fim”.

Nessa hora, algumas pessoas bateram palmas timidamente. Eu emputeci-me e provoquei-os:
- Nada de timidez. Batam palmas...Esse homem merece...Batam com força e demonstração de nossa admiração por ele. Batam palmas para esse homem...Ele merece. Seu ato final pode constranger e ser reprovado por muito de nós aqui, mas ele foi um artista. E seu suicídio foi bem mais significativo do que a espera pela falência sepulcral que o aguardava.
O livre arbítrio era assim. Poderia ser amor, amizade, raiva, tesão, ódio, paz, etc. O mistério era a freqüência desses sentimentos todos. O “controle”. Ou você dominava ou era dominado. Para qualquer exemplo que direcionássemos lá estava o tal do controle em ação. Um homem que ama demais e se mata. Ou um tolo que perde o controle de seu corpo e exarceba-se em doses letais. Um chefe de estado que não governa seu povo com inteligência e entrega-o para anarquia suicida. Ou até um louco religioso que extermina outro religioso em nome de Deus. Tudo isso é controle. 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Parte 1


PARTE 1

Seth tinha 1,80m e 82 kg. Seus cabelos eram negros e olhos azuis. Era branco. Seu rosto não tinha uma marca tampouco rugas.
Quando o avistei, ele estava com sua altura típica, mas, pesava 60 kg. Seus cabelos, os que sobraram em sua cabeça, estavam fracos e fedidos. Sua pele, pálida, disputava com a de seu avô. Seth tinha 38 anos. Olhei e com olhos marejados, fiz um esforço para não desabar e vomitar.
Lembrei de quando estávamos na Irlanda, e fomos à Belfast. Fomos à Dublin. Foi maravilhoso. Nunca tive a chance de agradecê-lo, por essa viagem.
Certa vez, indagado sobre qual viagem fincava em sua memória, Seth mencionou a nossa ida às Falésias de Moher na Irlanda. Perto do Atlântico. Fantástico.
Seth e eu ficávamos sorvendo benzina e traduzindo Joyce. “Ulisses”, era a nossa favorita. Entretanto de tanto cheirar, não entendíamos uma só palavra. Ah! Ah! Ah! Aquilo era ótimo. Dois jovens lendo Joyce, entorpecidos, na Irlanda.
E agora... Bem, agora, eu estava diante desse mesmo jovem. Em vez de benzina, AZTs da vida. Em vez de Joyce, bíblia debaixo do braço. Em vez de Irlanda, sua mal cheirosa e dura cama. Abracei-o tão forte que pensei que ia quebrá-lo. Queria envolvê-lo de força e vida, mas, a impotência humana cercava-me. Seu avô serviu-me um chá de ervas pretas. A cada gole, uma idéia para livrá-lo dali. Eu não conseguia. Eu não conseguia...  
Seth olhou-me com raiva, não de mim, mas de tudo que estava em sua volta. Ele sabia que sua morte era questão de tempo. Seth nunca foi um exemplo de otimismo e força. E eu sabia disso. Queria conversar, contudo não sabia que rumo tomar. Seth me perguntou:
- Lenny, você pode pegar meu cigarro ali em cima do criado-mudo?
- Claro! – respondi.
Seth acendeu um “Mild Seven” legítimo, olhou-me e soltou a fumaça. Aproximou-se da janela e apontou para um rio distante que aos poucos estava secando. Disse-me que acompanhou esse rio daquela janela durante esse tempo e não suportava mais. Ele nem ia vê-lo secar. Fiquei mudo. Apenas acompanhava-o. Seu avô nos deixou sozinhos.
Conversamos durante horas, choramos muito e nos abraçávamos também. Seth reclamava muito de cansaço. Durante uma ida minha ao banheiro, Seth adormecera. Achei melhor ir embora. Despedi-me de seu avô e parti.
Na volta pra casa, pensei muito em Seth. Fumei um cigarro e sentei-me num banco. Fiquei observando as pessoas. Gostava muito de fazer isso quando estava triste. Era como se eu saísse da brincadeira e deixasse os outros assumirem daquele ponto, entende? Fumei três cigarros e me dirigi até a um pub perto dali. Precisava de um “scotch” puro.
Uma mulher aproximou-se de mim no pub e perguntou se eu queria companhia. Disse que mais tarde, poderia ser. Queria ficar um pouco sozinho.
Tomei dois “scotch” puros e observei alguns casais alegres e bonitos que estavam na mesa ao lado. Quanta inveja! O amor de uma mulher e de um homem ali, sem mentiras. Certamente, eles iam terminar a noite bem melhor do que eu. Chamei aquela dama da noite que me abordara antes, servi um drinque a ela e fomos para minha casa.
Transamos feito dois animais. Dissemos baixaria um pro outro. Ela me fez carinho e massageou meu pescoço. Anita. Chamava-se Anita. Mulher madura, mãos de ouro e coração idem. Encheu-me de dengos para dormir. Tomamos um conhaque e dormimos.
Acordei de madrugada ainda, pensativo, pelado e tenso. Olhei para aquela dama dormindo profundamente ao meu lado. Pensei:
- Como é que ela conseguia dormir tão tranqüila e calma?
- Ela simplesmente trepou comigo e nem se dava ao luxo de pensar ou refletir?
Fumei um baseado e minha mente só pensava em Steph. Solidão entrara porta adentro. Eu não chorava há anos. Poeira invadira meu carpete. Logo ia amanhecer, e eu não tinha nenhum motivo para levantar ou viver. Amei muito nessa vida. Quantas mulheres moraram no meu peito! Quantas por um dia, por um mês, por uma vida...
Ilusão estampara em minha face.
Anita acordou com uma fragrância tão doce e leve. Levantou, tomou uma chuveirada e me beijou. Amou-me mais uma vez e foi embora.
Como eu queria casar naquele instante com aquela mulher infiel! Desejei Anita ali todos os dias... Anita... Mulher de corpo formoso, ruiva, branca como neve, tez de lua, lábios carnudos e rosados, seios fartos e quadril envolvente.
Levantei e fui buscar um resto de bebida. Lembrei-me que o Jornal me esperava. Fiquei de escrever uma matéria importante sobre comportamento numa cidade ali perto de Londres. Eu estava de férias, mas, tinha prometido voltar com uma matéria de capa. Arrumei minha mala, coloquei pilhas, o gravador, canetas e papéis na bolsa de colo. Peguei um mapa e meu cigarro e fui tomar um café numa rotisserie perto dali.
Precisava partir o mais cedo possível, pois, não queria dormir fora de Londres.
Peguei um trem para Birmingham.  Sentei e olhei para o vasto vale lá fora.
Trem em movimento, minha mente mais ainda. Ela estava à milhas de distância daquele trem. Lembrei da minha infância. De como eu era inatingível. Não corria perigo, a vida era uma festa, meu coração abrigava mais de uma lembrança. Solidão vivia pelos livros, pelos filmes e eu vibrava com aquela novidade.
A vida era um circo. Você assistia todo aquele perigo, mas, de longe. Sem correr o risco, sem precisar se envolver diariamente com os perigos...
Tudo era como em um musical. Até os riscos eram envoltos de música, dando a impressão de uma segurança no final. Amor era pura ousadia.
Meus pensamentos foram atrapalhados por uma confusão no vagão de trás.
Uma mulher não se sentia bem e insistia em deixar o trem. Uma figura estranha e um tanto quanto paranoica. Comecei a realizar outra mania minha: imaginar uma vida para aquela pessoa desconhecida. Imaginei que se tratava de uma senhorita cansada de sua vidinha chata ao lado do seu infiel e desatento marido.
Ela queria fugir com um rústico forasteiro, que conheceu em um baile singelo e inocente, mas, ele diferentemente do baile, sacana, a estuprou  e deixou-a deitada, nua e apaixonada atrás de uma fábrica. A mulher desde então, sonhava com este animal-homem todas as noites. O vômito era decorrente da precoce gravidez adquirida da única vez que gozou em sua vida. E a insistência em sair do trem, era o medo inerente que ainda a acompanhava desde o começo de sua vida. A herança maldita e insossa deixada por seus pais.
No fundo, tocava uma canção do The Mamas and The Papas... Típico da dona de casa, enrustida, rebelde e impotente.

E lá estava eu indo de encontro à Birmingham. Olhos fitados na paisagem e no ofuscar dos verdes das pastagens e cinzas das fumaças. Lembrei-me de um romance lido há tempos sobre o caso entre um soldado e uma meretriz do outro lado da guerra. Era um tema mais que batido, eu sei...Entretanto veio-me sem a menor permissão. Nessa hora minha mente lembrou de Seth. Até quando ele iria suportar? Até quando ele iria acordar e dizer para si que ainda valia a pena viver? Que ainda era válido alimentar-se, respirar, descansar...Viver? Eu nem queria atrever-me a tais indagações.

Segue...

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Pauta de Hoje: "Lírico, Sexy e Brutal", Narcos, Scott Fitzgerald, Desglobalização, etc...


LÍRICO, SEXY E BRUTAL


Vou colocar um pequeno conto escrito por mim cujo título é o supra citado. Dividirei em duas partes. Assim fica bacana, economiza espaço e deixa um "suspense" também. Antes que alguém pergunte: sim, o título é uma brincadeira - um trocadilho com o Lobão. Rsrsrsrs... Pelo menos a parte interessante dele. Porém, não trata-se de mais nada em comum. Foi somente pela fonética. Posto isso... Próximo "post", não percam a primeira parte do conto. Ya.

NARCOS

A segunda (e última temporada) de Narcos estreou dia 2 de setembro. Mesmo sabendo do enredo e fim muita gente correu para assistir. Particularmente, conheço muito bem a história de Pablo Escobar. Mais: conheço a história da Colômbia nesse período. Entretanto, queria ver como seria contada na visão "gringa" toda trajetória do narco traficante mais conhecido do mundo. Foram mais dez episódios até o derradeiro fim. Vale ressaltar que assisti a "novela" colombiana com quase cento e vinte capítulos onde tudo foi devidamente esmiuçado. A política, a história (colombiana), a infância e juventude da família Escobar, o futebol, as questões sociais de Pablo, as orgias, a guerra, etc... Tudo, tudo, tudo... Soma-se aos inúmeros docs. a respeito dele também que vi. É complicado analisar uma versão "pocket" assim. Porém, Narcos é um excelente documentário sobre a guerra entre os agentes da DEA (Estados Unidos) e o cartel de Medelín (Pablo). Narrado por um dos agentes americanos, a série embala e não perde o ritmo. Existem diversas contradições, mas não afetam o entretenimento de quem vê. Garanto. Wágner Moura até alivia um pouco a "persona" de Pablo. Deixa-o mais sensível e amoroso. Longe de mim insinuar que Pablito não tivesse seus momentos de carinho, sobretudo com sua família. Enfim... A série cumpre bem o papel e entrega algo digno e bom de assistir. Para quem curte cinema - observará truques do cinema que rendem belíssimas cenas e tomadas. Outro ponto para Padilha e cia. Quanto a mim, sigo com a minha visão sobre esse período funesto e terrível da história da Colômbia. E a vida segue... Seguiu, né?


NEWS

- Hoje (dia 9) é a chance de quem estiver no Rio de Janeiro ver duas bandas icônicas do Brasil: Plebe Rude e Camisa de Vênus... Ambas tocam no mítico Circo Voador. De quebra, vocês me encontram para tomar uma bela breja e papear. Topam?

- O "The Guardian" anuncia que uma obra do escritor Scott Fitzgerald foi descoberta. Trata-se de uns textos de oitenta anos atrás que o autor teria escondido de seus editores com receio de censura. A Simon & Schuster (Editora) promete publicar a obra em 2017. Hmmm... A conferir...

- A banda Wilco retorna ao país em outubro. Além de confirmada para o Festival Popload em Sampa dia 8 do mês - os rapazes de Chicago fecharam pro dia 6 de outubro no Rio de Janeiro. No Circo Voador. Ueeeeeeba!!!

- Nesse dia 10 (amanhã) de setembro completam vinte e cinco anos do single "Smells Like Teen Spirit" do Nirvana. Uma avalanche que mexeu com as estruturas em 1991. Porradão que mexeu com o marasmo do rock feito na época. 


DESGLOBALIZAÇÃO

A palavra não é nova e tampouco desconhecida. O que os anos dois mil juntou parece não ter mais a mesma força. "Globalização" era a palavra de ordem há dez, quinze anos atrás. Do ponto de vista econômico, político, social e cultural. A internet trouxe tudo isso num aperto de tecla. Porém, o que mais teme-se é o inverso: separatismo. E os motivos e exemplos são muitos. O Reino Unido mesmo deu um passo gigante com seu "Brexit" ao deixar a comunidade européia. Mais: ainda no Reino - estuda-se a construção de um muro numa cidade inglesa fronteira com outra cidade francesa afim de que imigrantes ilegais não entrem. O discurso reacionário de Trump afirmando que construiria um muro entre os EUA e o México também ressoa no mundo. Ou seja: o mundo está receoso com essa convivência geral e múltipla. A ameaça religiosa e um discurso nacionalistas de certos países estão refletindo de maneira estranha nas cabeças alheias... E o mundo está pensando... Alguns analistas políticos discordam outros preferem aguardar... Sinceramente, eu não sei. Acho apenas que devemos aprender a conviver com as diferenças. Junto ou separado. E não é o que tenho visto e lido... Ugh!

TRACKLIST

Brasília (Plebe Rude)
Proteção (Plebe Rude)
A Ida (Plebe Rude)
Minha Renda (Plebe Rude)
Censura (Plebe Rude)


RIP.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Pauta de Hoje: "Meat Is Murder", Lee Ranaldo, Goulart de Andrade (RIP), Mostra de Cinema Alumbramento, etc...


MEAT IS MURDER

Eu sei que o disco pontual desse ano dos Smiths é o "The Queen Is Dead" (completando 30 anos). E também sei que é apontado por muitos como o melhor da concisa carreira deles. Certo? Pois bem... Julgo-me um bom conhecedor dos rapazes e acho missão hercúlea tomar um disco deles como o melhor... Vá lá: o mais importante. Talvez seja mesmo o "The Queen..." Talvez... Porém, eu sempre tive o "Meat Is Murder" (85) como o melhor na minha opinião. Musicalmente falando. Faixa a faixa. Podem dizer que é gosto ou teima... Não sei... Mas, o fato é que o disco supracitado é, na minha opinião, o mais completo deles. O que sempre bateu mais fundo. Antes que algum fã condene-me é bom lembrar que são somente quatro na carreira deles: "The Smiths", "Meat Is Murder", "The Queen Is Dead" e "Strangeways Here We Come". O resto é coletânea. Aí não vale. O que significa dizer que você que pensou no "Hatful Of Hollow" ficou no vácuo... Esse não vale. É uma coletânea lançada meses depois do disco de estréia. Fato doido, inclusive... Eles lançaram coletânea com canções de vários singles e algumas do disco debutante. Deveras incomum. Contudo, o fato é que "Hatful Of Hollow" é coletânea. Não conta. Bom, de volta ao disco... Meat Is Murder é um desses trabalhos que você aprende a apreciar com o tempo. Como um scotch. A sonoridade é de alto nível, os rapazes esbanjam talento a cada faixa e sinto uma sintonia impecável entre Moz e Marr. Mais do que em qualquer outro trabalho. Juro. Eu sei que é polêmica e pessoal - sem stress. Entretanto, é assim que sinto-me quando pego o resultado final de todo o disco. Então, no "Photochart", esse disco tem uma cabeça à frente do "The Queen..." Entende? Não? Tudo bem... É bom que discordem de mim... Só para ressaltar as faixas que mais tocam-me: "The Headmaster Ritual", "Barbarism Begin At Home", "How Soon Is Now?", "Well I Wonder" e "What She Said". Qualquer uma dessa aí representa o que há de melhor da banda. Isso eu garanto. Só para dar a medida de uma delas - "Well I Wonder" - ficou de fora de todos os shows da banda (não confundir com a carreira solo de Moz) por ser considerada pela dupla muito preciosa e não viam com bons olhos a execução ao vivo dela... Rsrsrsrs... Enfim... Coisas dos Smiths. De qualquer modo é sempre bom escutar os caras... Aproveitem sempre!

Obs: "How Soon Is Now?" não foi incluída no vinil original, mas foi na versão em Cd. 


NEWS

- O guitarrista Lee Ranaldo (Sonic Youth) fará show no Rio dia 13 de setembro (terça) no Teatro Ipanema a partir das 20 horas. Uma bela pedida. O último disco de Ranaldo é muito bom. E eu resenhei-o aqui...

- Mas, bem antes disso... O grande Gerson King Combo sobe ao palco na UFF. Sexta, dia 26 agora. Valendo pelo Festival Nacional de Cultura Popular.

- Foi inaugurada no último dia 22 (segunda) uma placa em homenagem a David Bowie. Exatamente em Berlim no edifício que o cantor vivera nos anos 70 (76-78). Essa foi uma iniciativa de Michael Mueller, prefeito de Berlim. A relação da cidade com o cantor ressoa até hoje. Yeah!

- O metrô de Londres passou a ser 24 horas bem como Berlim e Nova York. Aliás - isso deveria ser automático e básico, não? Já falei que transporte público (mesmo sendo de administração privada) é direito cidadão e não demanda por dinheiro. Isso é claro pra mim. 

- Quem topa ver "Café Society", o mais novo filme de Woody Allen? Dica boa...

MOSTRA DE CINEMA ALUMBRAMENTO

Na próxima terça-feira, dia 30, começará a Mostra de Cinema Alumbramento na Caixa Cultural. Serão mais de 30 filmes do coletivo cearense em seus dez anos de trajetória. Filmes como "Sábado à Noite" (2007), "O Rio nos pertence" (2013) ou "Estrada para Ythaca" (2010) estarão entre os exibidos. Atenção: Entrada Franca! Pois é... Só comparecer...

Mais informações aqui: 

http://www20.caixa.gov.br/Paginas/Noticias/Noticia/Default.aspx?newsID=4020

TRACKLIST

Cathedral (Felt)
Birdmen (Felt)
The Stagnant Pool (Felt)
The World is As Soft As Lace (Felt)
The Optimist and the Poet (Felt)




VEM COMIGO!


RIP.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Pauta de Hoje: "The Get Down", Show Punk, Poema Sujo, Teatro Riachuelo, Festival do Rio, etc...


THE GET DOWN

A mais nova série da Netflix é sobre a música negra. Mas, não é soul music, jazz ou blues. Costumo dizer que a música negra é a gênese de tudo. Dela vieram blues, jazz, rock, ska, reggae, dub, etc... Fonte inesgotável de música. É impressionante! Para onde olhar tem a influência negra. Mas, voltando a série... Essa é mais uma sobre música. Depois de "Vinyl", uma série que causou bastante por aqui, porém não conseguiu renovar-se e sucumbiu ao ostracismo (além de ter sido cancelada), estreou no canal (Netflix) "The Get Down" de Baz Lurhmann (Moulin Rouge, O Grande Gatsby, Romeo + Julieta). Uma documentação necessária sobre o início do hip hop... Especificamente em 77. A decadência do Bronx. Nova York repartida socialmente e a música das ruas. Os elementos fundamentais para o que chamaríamos de cultura do hip hop: rap, grafiti, DJ e break. Tudo contado de maneira didática. Bem construída, por sinal. Aparecem as figuras fundamentais como Grandmaster Flash, Kurtis Blow e Kool Herc. Expoentes e visionários do som. Mas, a trama precisava de uma história para dar colchão ao tema. Nessa caótica Nova York, um jovem idealista amante das rimas e poesias conhece um aprendiz de DJ (aluno de Grandmaster Flash) e tenta montar algo como uma equipe de som. Juntamente com amigos de anos e uma menina (quase namorada) - ele penetra no underground do Bronx para compreender o que estava por trás daquele som novo (scratches e mixers). Lembrando que era a fase de ouro da "disco" e todos os lugares estavam na onda. Pegar uma batida, realizar um "scratch" ou improvisar em cima era considerado heresia com o som e com o vinil (em si). Existe uma cena que a namorada do rapper reclama que o seu DJ (dele) estava "arranhando" o disco. Era verdade. Mas, não arranhava... Rsrsrs... Ela não tinha como saber. Outra cena bacana é a explicação didática do mago Flash sobre a batida quatro por quatro. O pulo do gato é um giz de cera. Marcando exatamente o ponto em que o DJ marca o compasso. A forma como é contada prende quem curte musica e sobretudo, a história da música. O diretor derrapa um pouco em certas dramaticidades ou fantasias meio novelão latino. Contudo, ele acerta no principal: música! Os núcleos que formam-se não pegaram-me muito. São obviedades da trama. O que é bacana é o som. A forma como aquilo foi ganhando forma, cara, jeito e colocando os jovens todos da periferia como protagonistas de algo novo, fresco, ousado... Mudou por completo a maneira de expressão e de comportamento americano. Principalmente do negro e latino americano. Outro erro que ficou um pouco evidente no piloto da série foi o ego de Baz. Algumas cenas pareciam mais estar atentas ao gosto estético do diretor do que a realidade do que foi. Isso é sempre muito perigoso. Temos que lembrar que trata-se de algo verídico e que muitos viveram. O enredo precisa retratar fielmente o que aconteceu, de fato. Foram liberados seis episódios no canal e mais seis serão lançados... Completando doze episódios dessa temporada. Por ora... Tá bem bacana! Adorei a trilha sonora. Muito bom. Muito! Freestyle, bass, pauleira do hip hop. Qualidade irretocável... Experimente...


NEWS

- Seguindo no som... Os Paralamas do Sucesso juntar-se-ão a Nação Zumbi nessa sexta (19) para um show em plena Praça Mauá. Começa às 20 horas. Hmmm...

- No sábado, é a vez do peso. Ratos de Porão, Jão e Jabá unem-se no Subúrbio Alternativo para relembrar os clássicos punks. Yeaaah! "... Com muito queijo para ficar underground ..." (Rsrsrsrsrs...). Começa às 18 horas.

- A Companhia das Letras relança o clássico de Ferreira Gullar: Poema Sujo! Em comemoração aos 40 anos da obra. Ótima oportunidade para quem não leu a obra.

- Ainda um pouco longe, mas com data marcada já... O Festival do Rio desse ano pede passagem. Será de 6 de outubro à 16 de outubro. Dez dias do melhor da sétima arte. Mais informações nos próximos "posts"... Cinéfilos: atenção!

- Para quem ainda não sabe: eu participo do programa "O Método Buda do Controle Mental" pela Vinil FM (web radio). Nessa quinta (18) tem mais... A partir das 19 horas. Espero todos com ouvidos colados no site:

www.vinilfm.com.br

TEATRO RIACHUELO

Sim... Lembram do Cine Palácio, ali na Rua do Passeio? Pois é... Depois de muito tempo fechado o espaço voltará com tudo. Do começo como teatro até tornar-se um cinema clássico. Passaram muitos espetáculos e filmes por ali. Só para informação: inaugurado em 1928 - o cinema foi desativado em 2008. Mas, teve vários nomes: Cassino Nacional Brasileiro, Palace Theater, Cinema Majestic, Palácio Teatro até Cine Palácio (como foi bem conhecido) em plena Cinelândia. Sua reinauguração será dia 26 de agosto, numa sexta-feira, mas, com outro nome: Teatro Riachuelo. E, voltará a exibir espetáculos de teatro. Não haverá, por ora, nenhuma exibição de cinema. Volta as origens. 

TRACKLIST

The Message (Grandmaster Flash)
The Breaks (Kurtis Blow)
King Of Rock (RUN DMC)
Rapper's Delight (The Sugar Hill Gang)
Apache (Incredible Bongo Band)
B-Boy (Kool Herc)




SEYMOUR PAPERT
RIP.

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